Jornal Brasileiro de Pneumologia

ISSN (on-line): 1806-3756

ISSN (impressa): 1806-3713

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Número Atual: 2017 - Volume 43 - Número 1 (Janeiro/Fevereiro)

CORRESPONDÊNCIA

Correspondência sobre o artigo - Ecobroncoscopia radial para o diagnóstico de lesões pulmonares periféricas

Correspondence about the article - Radial-probe EBUS for the diagnosis of peripheral pulmonary lesions

 

Juliana Guarize1; Stefano Donghi1; Maurício Guidi Saueressig1; 2; 3

 

1. Divisione di Chirurgia Toracica, Istituto Europeo di Oncologia, Milano, Italia.
2. Serviço de Cirurgia Torácica, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Porto Alegre (RS) Brasil.
3. Departamento de Cirurgia, Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre (RS) Brasil.
Apoio financeiro: Maurício Guidi Saueressig foi bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).


 

 

 

Gostaríamos de fazer alguns comentários em relação ao artigo de Jacomelli et al.,(1) que descreve uma experiência ini-cial do uso da ecobroncoscopia (EBUS) radial na investigação de 51 lesões pulmonares.

Primeiramente, encontramos divergências nos dados das Tabelas 1 e 2 no referido artigo. Os autores relataram, tanto no texto como na Tabela 1, que a sensibilidade do EBUS radial para nódulos visíveis foi de 74,1% a partir de 20 diagnós-ticos confirmados cirurgicamente entre 27 casos visíveis. Porém, na segunda coluna da Tabela 2, encontramos listados 21 casos de nódulos visíveis diagnosticados (10 doenças malignas e 11 não malignas), o que difere do somatório de 20 casos registrados na última linha da mesma coluna. Ainda na Tabela 2, um caso de hamartoma foi incluído erroneamente entre os nódulos malignos.

O trabalho apresenta, entre os resultados, o valor de 66,7% (34 diagnósticos de 51 casos) como sensibilidade global (diagnostic yield) do EBUS radial para doenças malignas e benignas. No entanto, não compreendemos, para o cálculo dessa sensibilidade, a inclusão de 3 casos não visíveis e, por isso, sem detecção por EBUS junto aos 31 casos visíveis com diagnóstico por esse método.

Adicionalmente, a prevalência de neoplasia, fator relevante para a análise do rendimento diagnóstico,(2) não foi infor-mada; tampouco o diagnóstico final das 12 lesões pulmonares não visíveis pelo EBUS radial. Dessa maneira, a apresen-tação dos resultados de Jacomelli et al.(1) difere em alguns aspectos de publicações importantes sobre o assunto.(2,3)

No Serviço de Pneumologia Intervencionista do Instituto Europeo di Oncologia de Milão, empregamos o EBUS radial para investigar nódulos e massas pulmonares desde 2012. Utilizamos o miniprobe com a bainha guia (K-203 Guide She-ath Kit; Olympus Medical Systems Corp., Tóquio, Japão) e fluoroscopia para a localização e sucessiva biópsia transbrôn-quica das lesões. Todos os procedimentos contam com a presença de um patologista para a realização do exame citoló-gico na sala de endoscopia (rapid on-site evaluation), conforme anteriormente descrito.(4) Acreditamos que tal sistemática é fundamental para aumentar o rendimento diagnóstico do procedimento, conforme descreveremos a seguir.

No ano de 2015, investigamos 161 lesões pulmonares (nódulos e massas) através do EBUS radial. Três pacientes com perda de seguimento foram excluídos da análise estatística. O exame não foi diagnóstico (inespecífico e sem relação com o diagnóstico final, ou constituído de epitélio brônquico ou lesão não visível ao EBUS) em 33 casos (23 doenças malignas e 10 benignas). Entre esses casos, houve 11 lesões não visíveis, que compreendiam exclusivamente opacidades meno-res de 40 mm. A sensibilidade global das biópsias realizadas com o EBUS radial foi de 79% (108 malignas e 17 benig-nas). A prevalência de doença maligna foi de 83%. A sensibilidade, especificidade, valor preditivo negativo e acurácia para neoplasia maligna entre as lesões detectadas com EBUS radial foram, respectivamente, de 88%, 100%, 57% e 89,5%.

Por fim, devemos destacar a importância do artigo de Jacomelli et al.,(1) pois além de ser o primeiro sobre EBUS radial no Brasil, ele é um exemplo de uso do crescente arsenal de ferramentas endoscópicas para a investigação e o tratamento de lesões pulmonares.

REFERÊNCIAS

1. Jacomelli M, Demarzo SE, Cardoso PF, Palomino AL, Figueiredo VR. Radial-probe EBUS for the diagnosis of peripheral pulmonary lesions. J Bras Pneumol. 2016;42(4):248-53. http://dx.doi.org/10.1590/S1806-37562015000000079
2. Steinfort DP, Khor YH, Manser RL, Irving LB. Radial probe endobronchial ultrasound for the diagnosis of peripheral lung cancer: systematic review and meta-analysis. Eur Respir J. 2011;37(4):902-10. http://dx.doi.org/10.1183/09031936.00075310
3. Eberhardt R, Ernst A, Herth FJ. Ultrasound-guided transbronchial biopsy of solitary pulmonary nodules less than 20 mm. Eur Respir J. 2009;34(6):1284-7. http://dx.doi.org/10.1183/09031936.00166708
4. Guarize J, Pardolesi A, Donghi S, Filippi N, Casadio C, Midolo V, et al. Endobronchial ultrasound for mediastinal staging in lung cancer patients. Multimed Man Cardiothorac Surg. 2014;2014. pii: mmu021. http://dx.doi.org/10.1093/mmcts/mmu021

 

 


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