Jornal Brasileiro de Pneumologia

ISSN (on-line): 1806-3756

ISSN (impressa): 1806-3713

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Ano 1998 - Volume 24  - Número 1  (Janeiro/Fevereiro)

Editorial

1 - O novo estadiamento do câncer do pulmão

Mauro Musa Zamboni

J Bras Pneumol.1998;24(1):1-2

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Artigo Original

2 - Relação entre capacidade aeróbia e indicadores clínicos da gravidade da asma em crianças

Relationship between aerobic fitness and clinical indicators of asthma severity in children

José Alberto Neder, Ana Luíza Godoy Fernandes, Antônio Carlos Silva, Anna Lúcia de Barros Cabral, Luiz Eduardo Nery

J Bras Pneumol.1998;24(1):3-10

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Para avaliar a relação entre o desempenho cardiorrespiratório aeróbio de asmáticos e a expressão clínica da doença, os autores estudaram 39 crianças fisicamente ativas, com asma brônquica estável, de grau moderado a grave. Os pacientes (25 meninos e 14 meninas, com idade entre 9 e 16 anos) foram submetidos a avaliação clínica, espirometria pré e pós-broncodilatador (BD), teste de exercício cardiopulmonar máximo em cicloergômetro, com análise respiração por respiração da ventilação e das trocas gasosas. Num dia separado, foi realizado um teste de esforço para avaliar broncoespasmo induzido por exercício (BIE). Como esperado pela estabilidade clínica, o VEF1 pós-BD foi normal na maioria das crianças (média ± DP = 93,8 ± 13,7% previsto). O consumo máximo de oxigênio (VO2max) foi maior que o limite de normalidade (95% do intervalo de confiança) em 31 das 39 crianças; e em 29 de 39 o VO2max e o limiar anaeróbio (VO2LA) mostrou valores acima deste limite. Sete pacientes com baixa tolerância ao exercício (VO2max reduzido) tiveram sinais de limitação circulatória (cardiovascular e/ou periférica) e somente um teve limitação ventilatória. Não houve associação ou correlação entre a baixa reserva ventilatória (VEmax/VVM% > 80%) e valores reduzidos do VO2max. Redução no VO2LA mas não do VO2max foi associado com: (i) maior uso diário de beclometasona e freqüentes períodos de uso de corticosteróide oral (p < 0,05); e (ii) maior ocorrência de BIE (p < 0,01). Nossos resultados mostram que a maioria dos pacientes com asma moderada a grave, quando clinicamente estáveis e ativos, apresentam níveis adequados de tolerância ao exercício. Na avaliação de gravidade clínica da asma brônquica em crianças, VO2LA é um indicador aeróbio melhor que o VO2max.

 


Palavras-chave: Asma em crianças. Tolerância ao exercício. Consumo máximo de oxigênio. Limiar anaeróbico. Condição física. Broncoespasmos induzidos por exercício.

 

3 - Bronquiectasias: estudo de 314 casos tuberculose x não-tuberculose

Bronchiectasis: a study of 314 cases tuberculosis x non-tuberculosis

Miguel Bogossian, Ilka Lopes Santoro, Sérgio Jamnik, Hélio Ramaldini

J Bras Pneumol.1998;24(1):11-16

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Em estudo de 314 portadores de bronquiectasia, os autores encontraram elevada percentagem de casos (42,7%) por seqüela de tuberculose e 57,3% por outras causas. A média de idade foi semelhante para os dois grupos, ao redor da quinta década, com amplo predomínio no sexo feminino (65,0%). Em relação aos sintomas e sinais, houve predomínio da percentagem de hemoptise no 1º grupo (37,3 x 22,8%). Associação de bronquiectasias com asma e infecções na infância foi semelhante, porém sinusite foi mais freqüente no grupo não-tuberculoso (45,0% x 23,9%). Nos casos de seqüela pós-tuberculose a doença foi mais freqüente no pulmão direito e lobo superior; no segundo grupo, no esquerdo, língula e lobo inferior. Em ambos os grupos o tipo morfológico dominante foi o cilíndrico (superior a 50%). As provas de função pulmonar mostraram maior diminuição (CVF e VEF1) no grupo pós-tuberculose. Tabagismo esteve presente em 44,8% no primeiro grupo e em 37,2% no segundo. Os autores comentam a elevada percentagem de casos de bronquiectasia como seqüela de tuberculose em nosso meio, o predomínio de hemoptise em relação ao grupo não-tuberculoso, a raridade da "bronquiectasia seca" e a maior queda dos parâmetros de função pulmonar nesse grupo de pacientes.

 


4 - Avaliação mediastinal no estadiamento do câncer do pulmão

Mediastinal evaluation in lung cancer staging

Angelo Fernandez, Aldo Rodrigues Junqueira Jr., Ricardo H. Bammann, Ricardo Beyruti, Fábio B. Jatene

J Bras Pneumol.1998;24(1):17-22

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Introdução: A presença de linfonodos mediastinais comprometidos no câncer do pulmão tem implicações terapêuticas e prognósticas importantes e, por isso, o diagnóstico deve ser o mais preciso possível. Objetivo: Determinar um padrão de tamanho para considerar um linfonodo comprometido e avaliar a eficiência da tomografia computadorizada e mediastinoscopia no estadiamento linfático do câncer pulmonar. Método: Cinqüenta pacientes portadores de câncer pulmonar operável foram submetidos a um protocolo prospectivo. Todos foram examinados, submetidos a tomografia computadorizada e mediastinoscopia pré-operatória; a operação consistiu na ressecção pulmonar compatível e esvaziamento mediastinal radical. A posição e o tamanho dos linfonodos achados na operação foram comparados com os resultados da tomografia e mediastinoscopia prévias. Conclusões: O estudo mostrou que existe relação não linear entre o tamanho dos linfonodos e o comprometimento linfático. O tamanho dos linfonodos não é um padrão adequado no nosso meio, já que linfonodos maiores que 3cm têm menos de 30% de possibilidade de ser comprometidos. Isso faz com que a especificidade da tomografia seja baixa (63%). Embora a sensibilidade da mediastinoscopia também seja baixa, sua especificidade é de 100%. Os autores concluem que métodos de estadiamento como a mediastinoscopia deverão ser criteriosamente indicados quando houver sinais de linfonodos aumentados na tomografia.

 


Palavras-chave: Carcinoma, não de pequenas células. Neoplasias pulmonares. Gânglios. Metástases ganglionares. Mediastinoscopia Neoplasias, estadiamento. Tomografia computadorizada.

 

5 - Ventilação não-invasiva com pressão positiva em pacientes com insuficiência respiratória aguda

Non-invasive positive pressure ventilation in patients with acute respiratory failure

Bruno do Valle Pinheiro, Alessandra Ferreira Pinheiro, Diane Michela Nery Henrique, Júlio César Abreu de Oliveira, Jorge Baldi

J Bras Pneumol.1998;24(1):23-29

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Estudos recentes sugerem que a ventilação não-invasiva com pressão positiva (VNIPP) na insuficiência respiratória aguda é capaz de produzir melhora clínica e gasométrica, além de diminuir a necessidade de intubação traqueal. Neste estudo prospectivo, aberto, realizado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora, os autores objetivaram avaliar a eficácia e segurança da utilização da VNIPP em pacientes com insuficiência respiratória aguda. Vinte e cinco pacientes com diagnóstico clínico ou gasométrico de insuficiência respiratória (após suplementação de oxigênio, persistência de freqüência respiratória maior que 24rpm, ou utilização de musculatura acessória da respiração, ou PaO2 < 60mmHg, ou PaCO2 > 50mmHg) foram tratados com VNIPP. Quinze pacientes (60%) obtiveram sucesso no tratamento, sem necessidade de intubação traqueal. Após duas horas de VNIPP houve redução da freqüência respiratória (de 36 ± 2rpm para 26 ± 1rpm, p < 0,01) e melhora da PaO2 (de 76 ± 6mmHg para 100 ± 12mmHg, p < 0,05). Entre os pacientes que estavam com hipercapnia, após 2 horas houve redução da PaCO2 (de 60 ± 2mmHg para 49 ± 3mmHg, p < 0,05). Quatro pacientes (16%) apresentaram complicações (lesão da pele em contato com a máscara), porém em apenas um houve necessidade de suspensão da ventilação. Entre os dez pacientes que não obtiveram sucesso, três não se adaptaram ao método, impossibilitando sua aplicação, enquanto em sete o suporte ventilatório teve que ser interrompido. Os autores concluem que a VNIPP é uma opção segura e que pode ser utilizada no tratamento da insuficiência respiratória aguda em pacientes selecionados, com o objetivo de tentar evitar a intubação traqueal.

 


Artigo de Revisão

6 - Dificuldades na interpretação de biópsias em doenças pulmonares difusas

Difficulties to interpret biopsies in diffuse lung diseases

Vera Luiza Capelozzi

J Bras Pneumol.1998;24(1):30-42

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O texto abaixo é uma tentativa de simplificar as dificuldades que todo patologista enfrenta ao lidar com as doenças pulmonares difusas e fornecer ao radiologista informações sobre a histopatologia e sua correlação com a tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR). Obviamente, a abordagem delineada não é aplicável a todas as situações, havendo casos que permanecerão difíceis de resolver. Apesar disso, a abordagem fornece ao patologista uma sistemática de interpretação das doenças pulmonares difusas que poderá ser aplicada à rotina diagnóstica, ajudando a elaborar os diagnósticos diferenciais do ponto de vista histológico. O esquema apresentado também fornece boa correlação entre as principais alterações histopatológicas e a apresentação radiológica e tomográfica. Reconhecer a distribuição anatômica de determinada lesão pode não necessariamente correlacionar-se com a expressão clínica da doença. Por exemplo, a bronquiolocentricidade é uma característica marcante e importante na pneumonia de hipersensibilidade e na bronquiolite respiratória-associada a doença pulmonar intersticial, mas nenhuma delas é clinicamente vista como doença de pequenas vias aéreas. Aborda-se também neste artigo o papel da biópsia transbrônquica vs. biópsia a céu aberto nas doenças pulmonares difusas, embora a TCAR forneça maiores informações ao clínico sobre qual o melhor sítio para biópsia nessas eventualidades. Evidentemente, a biópsia pulmonar a céu aberto (assim como aquelas obtidas por toracoscopia) oferece maior amostragem tecidual, permitindo valorizar mais acuradamente a distribuição anatômica das lesões e os padrões de reações. Apesar disso, biópsias transbrônquicas freqüentemente incluem tecido suficiente (embora fragmentado), que permite ao patologista reconstruir mentalmente a distribuição e o padrão das lesões. Obviamente, as alterações detectadas na biópsia transbrônquica deverão ser interpretadas caso a caso, mas é surpreendente como freqüentemente elas são úteis quando devidamente correlacionadas às características clínicas e radiológicas de um dado caso.

 


Palavras-chave: Doenças intersticiais pulmonares. Patologia. Fibrose pulmonar. Biópsia pulmonar.

 

Relato de Caso

7 - Hérnia diafragmática encarcerada com boa evolução após duas intervenções cirúrgicas: relato de caso

Célia Mallart Llarges, Lieselotte Von Ameli Roesler, Andrea Fátima de Souza Gomes, Carlos Eduardo P. Barreto

J Bras Pneumol.1998;24(1):43-46

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8 - Bronquiolite obliterante com pneumonia organizante (BOOP) migratória após radioterapia unilateral para tratamento de carcinoma de mama

Bronchiolitis obliterans organizing migratory pneumonia (BOOP) after unilateral radiotherapy for breast carcinoma treatment

Renata Tristão Rodrigues, Ricardo Togashi, Hugo H Bok Yoo, Júlio Defaveri, Irma de Godoy, Thais Helena A. Thomaz Queluz

J Bras Pneumol.1998;24(1):47-50

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É descrito o caso de uma paciente, submetida a radioterapia por carcinoma ductal de mama, que desenvolveu, 40 dias após o término do tratamento, tosse seca, febre, dispnéia de esforço e perda de peso. O exame radiológico do tórax mostrava infiltrados pulmonares migratórios. O estudo anatomopatológico do tecido pulmonar obtido por biópsia transbrônquica mostrou achados característicos de BOOP. O quadro clínico e os infiltrados pulmonares desapareceram com o tratamento com corticosteróide. É apresentada uma breve revisão da literatura sobre o acometimento pulmonar associado à radioterapia, chamando-se atenção para que BOOP seja incluída no diagnóstico diferencial dessas complicações. O presente caso, assim como outros dois relatos da literatura, fornece evidências de que o dano pulmonar causado por irradiação pode causar uma síndrome clinicopatológica idêntica à BOOP idiopática, denominada BOOP induzida por radiação.

 


Palavras-chave: Bronquiolite obliterante e pneumonia organizante. BOOP. Pneumonite por radiação. Radioterapia. Carcinoma de mama.

 

9 - Siderose pulmonar

Pulmonary siderosis

Márcia Beatriz de Souza, Guilherme Freire Garcia, Renato Maciel

J Bras Pneumol.1998;24(1):51-53

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Siderose pulmonar é uma causa incomum de infiltrado pulmonar difuso. Este relato de caso descreve a investigação de um paciente com padrão micronodular, no qual biópsia pulmonar a céu aberto confirmou o diagnóstico de siderose pulmonar em soldador de arco voltaico.

 


Palavras-chave: Siderose pulmonar. Padrão micronodular.

 

10 - Tuberculose endobrônquica

Endobronchial tuberculosis. Case report

A.A. Arantes, P.C. Ribeiro, F.S. Lima, C.A.B. Franco

J Bras Pneumol.1998;24(1):54-56

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É apresentado um caso de tuberculose endobrônquica exuberante em paciente do sexo masculino, 29 anos, HIV negativo, sob os aspectos endoscópicos, antes e após a instituição da terapêutica específica. Tendo em vista a alta prevalência da tuberculose infecção/doença em nosso meio e as seqüelas em potencial desta forma de tuberculose, os autores enfatizam a importância do exame endoscópico do aparelho respiratório no diagnóstico, tratamento e acompanhamento das lesões endobrônquicas.

 


Palavras-chave: Lavado brônquico

 

11 - Dores articulares, pleurite, dispnéia, nódulos broncovasculares, centrolobulares e padrão em mosaico em paciente de 47 anos

Veronica Moreira Amado, Roseli Rocha Brito, Jaquelina Sonoe Ota, Rimarcs G. Ferreira, Carlos Alberto de Castro Pereira

J Bras Pneumol.1998;24(1):57-60

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Ano 1998 - Volume 24  - Número 2  (Março/Abril)

1 - I Consenso Brasileiro sobre Pneumonias

João Carlos Corrêa

J Bras Pneumol.1998;24(2):63-65

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2 - Pneumonias adquiridas na comunidade

Alexandre Pinto Cardoso, Arnaldo Noronha, Jorge Nakatani, Lucy Gomes Viana, Margareth Pretti Dalcolmo

J Bras Pneumol.1998;24(2):66-72

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3 - Pneumonias adquiridas em ambiente hospitalar

Carlos Alberto de Barros Franco, Jorge Pereira, Blancard Torres

J Bras Pneumol.1998;24(2):73-86

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4 - Pneumonias em pacientes imunocomprometidos

João Carlos Corrêa, Rodney Luiz Frare e Silva, Sérgio Menna Barreto

J Bras Pneumol.1998;24(2):87-88

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5 - Pneumonia no paciente imunocomprometido HIV negativo

João Carlos Corrêa, Rodney Luiz Frare e Silva, Sérgio Menna Barreto

J Bras Pneumol.1998;24(2):89-94


6 - Pneumonias em portadores da síndrome de imunodeficiência adquirida (sida/aids)

Sérgio Menna Barreto, Jussara Fiterman Molinari

J Bras Pneumol.1998;24(2):95-100

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7 - Pneumonias na criança

Maria Aparecida de Souza Paiva, Francisco José Caldeira Reis, Gilberto Bueno Fisher, Tatiana Rozov

J Bras Pneumol.1998;24(2):101-108

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Ano 1998 - Volume 24  - Número 3  (Maio/Junho)

In Memoriam

1 - Presença de Newton Bethlem

Margareth Pretti Dalcolmo

J Bras Pneumol.1998;24(3):5-

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2 - Mozart Tavares de Lima Filho - 1916-1998

Fernando Augusto Fiuza de Melo

J Bras Pneumol.1998;24(3):6-

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Editorial

3 - A cirurgia redutora do volume pulmonar no Brasil

Ricardo Beyruti

J Bras Pneumol.1998;24(3):109-111

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Artigo Original

4 - Lavado broncoalveolar "versus" biópsia transbrônquica em pacientes HIV-positivos: análise comparativa de 287 exames

Bronchoalveolar lavage versus transbronchial biopsy in patients infected with the human immunodeficiency virus: comparative analysis of 287 examinations

Ricardo H. Bammann, Angelo Fernandez, Carla M.P. Vázquez, Altamiro R. Dias

J Bras Pneumol.1998;24(3):112-118

Resumo PDF PT

Foram realizadas 287 broncoscopias em 267 pacientes infectados pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). Em todos os exames procedeu-se à coleta do lavado broncoalveolar (LBA) seguida da biópsia transbrônquica (BTB) no pulmão ipsilateral. As amostras foram submetidas a técnicas laboratoriais (microbiologia e estudo histológico) de rotina. A idade dos doentes variou entre 16 e 78 anos (mediana de 37,2), sendo 228 homens (85,4%) e 39 mulheres. Dispnéia foi a queixa principal em 198 casos (69,0%) e o infiltrado intersticial (difuso ou localizado) à radiografia simples foi o achado mais freqüente, em 179 ocasiões (62,4%). A inspeção endoscópica das vias respiratórias foi normal em 246 casos (85,7%). Lesões mucosas características de sarcoma de Kaposi foram verificadas em 12 pacientes (4,2%). O LBA permitiu a identificação de 97 agentes infecciosos, havendo associação de duas etiologias num mesmo doente em 3 casos. A BTB diagnosticou 165 infecções (9 das quais associadas), implicando uma maior positividade que o LBA no diagnóstico de pneumocistose (84 e 51, respectivamente) e de citomegalovirose (35 e 0). A biópsia permitiu ainda o diagnóstico das neoplasias extrabrônquicas e a classificação histológica das pneumopatias de origem inespecífica. O método endoscópico "completo" (broncoscopia com LBA e BTB) alcançou diagnóstico definitivo em 271 exames (94,4%). Os principais agentes etiológicos identificados foram: P. carinii em 105 doentes (36,6%), Mycobacterium sp em 40 (13,9%), Cytomegalovirus em 35 (12,2%) e C. neoformans em 13 (4,5%), além de outros. Neoplasias foram identificadas em 16 exames (5,6%). Associações de múltiplos diagnósticos estiveram presentes em 28 doentes (9,8%). Pneumonites inespecíficas foram diagnosticadas em 56 pacientes (19,5%) e pulmão "normal" em 20 (7,0%). As complicações relacionadas à broncoscopia foram pneumotórax (8 episódios, 2,8%), sangramento (8), dor torácica (2) e broncopneumonia (2). Drenagem pleural foi necessária em 4 casos. Houve um óbito (0,3%). Conclui-se que o LBA e a BTB obtêm resultados complementares e conferem maior definição diagnóstica à broncoscopia no contexto da AIDS, com baixo índice de complicações. A associação de ambos os procedimentos permite a identificação de maior número de agentes infecciosos e eleva o índice de múltiplas etiologias diagnosticadas num mesmo doente.

 


Palavras-chave: Broncoscopia/métodos. Síndrome de imunodeficiência adquirida/complicações. Infecções oportunistas relacionadas com a AIDS/diagnóstico.

 

5 - Desmame da ventilação mecânica: comparação de três métodos

Weaning from mechanical ventilation: comparison of three methods

José Raimundo A. de Azevedo, Cecilma Miranda de S. Teixeira, Kivania Carla Pessoa

J Bras Pneumol.1998;24(3):119-124

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Estudos publicados por Brochard et al. e por Esteban et al. chegaram a diferentes conclusões sobre a melhor técnica para desmame da ventilação mecânica. Embora a associação da ventilação mandatória intermitente sincronizada (SIMV) com a ventilação com suporte pressórico (PSV) seja freqüentemente utilizada e considerada a forma mais fisiológica para desmame de pacientes ventilados prolongadamente, nenhum estudo prospectivo randomizado comparou até hoje essa técnica com a SIMV e a PSV utilizadas isoladamente. Os autores compararam essas três técnicas de desmame com os objetivos de determinar a que resulta em menor tempo de desmame e em menor número de insucessos. Métodos: Foram analisados prospectivamente 72 pacientes consecutivos submetidos a ventilação mecânica por período maior que 24 horas e que apresentavam critérios clínicos, gasométricos e de mecânica respiratória para início do desmame. Os pacientes foram divididos em três grupos (SIMV, PSV e SIMV+PSV), com base em randomização simples. Critérios rigorosos para a utilização de cada uma das técnicas, para a progressão do desmame e para a definição de fracasso do procedimento foram estabelecidos. Resultados: Os grupos (SIMV = 21 casos, PSV = 25 casos e SIMV+PSV = 26 casos) mostraram-se comparáveis com base na distribuição etária, causa da insuficiência respiratória e APACHE III. O tempo médio de duração do desmame foi de 1,7 ± 1,2 dias no grupo SIMV, 2,5 ± 1,6 dias no grupo PSV e 2,1 ± 1,5 dias no grupo SIMV+PSV. Quatro (19,0%) fracassos do desmame ocorreram no grupo SIMV; nove (36,0%) no grupo PSV e dois (7,7%) no grupo SIMV+PSV. Conclusões: O estudo revela bom desempenho da associação SIMV+PSV como técnica de desmame do respirador e surpreendente mau resultado da ventilação com suporte pressórico, o qual não pode ser explicado pela falta de homogeneidade da amostra, nem pela metodologia ou equipamentos utilizados.

 


Palavras-chave: Desmame. Ventilação mandatória intermitente sincronizada. Ventilação com suporte pressórico.

 

6 - Prova do título de especialista em Pneumologia: fatores associados à aprovação

Brazilian Society of Tisiology and Pulmonary Medicine Board Examination: factors related to approval

Daniel Deheinzelin, Luís Fernando Pereira, Jorge Nakatani

J Bras Pneumol.1998;24(3):125-128

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Objetivo: Avaliar os resultados da prova para obtenção do título de especialista da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e verificar os fatores associados à aprovação. Planejamento: Análise retrospectiva comparando as notas de prova prática e teórica e a aprovação ou não, com dados de currículo dos candidatos: sexo, tempo de formatura, tempo de atividade como pneumologista, participação em congressos regionais e nacionais, feitura, local e duração de estágio ou residência e local de estágio ou residência. Participantes: No período de 1992 a 1996, 199 candidatos realizaram a prova do título de especialista, sendo 81 do sexo feminino e 108 do masculino. Resultados: Nesse período, 54,3% dos candidatos foram aprovados. A nota média de prova teórica foi de 6,27 ± 0,95 para os aprovados e 4,30 ± 0,76 para os reprovados (p = 0,0001, teste t) e da prova prática 7,18 ± 0,92 versus 5,17 ± 1,38 (p = 0,001). A média da nota de prova teórica foi significativamente mais baixa que a da prova prática (53,78 ± 13,16 versus 62,62 ± 15,32, p < 0,001). A análise univariada revelou entre os aprovados tempo de formatura menor (p = 0,001); tempo de atividade em pneumologia menor (p = 0,01); menor freqüência de estágio e com menor duração (p = 0,01); maior freqüência de ex-residentes, com maior duração de residência médica (p < 0,001). A regressão logística para definir aprovado ou não evidenciou somente a realização de residência médica (p = 0,002) e local (p = 0,006) como fatores preditivos. A regressão múltipla usando a média das provas revelou a realização de residência médica (coeficiente 2,26, p = 0,016), o local desta (4,43, p = 0,002) e a realização de estágio (-1,97, p = 0,047) como fatores preditivos para aprovação. Conclusão: A prova aplicada é capaz de selecionar os candidatos com melhor formação (residência médica). O fato de tempo de formatura, realização de estágios, participação em congressos não se relacionarem à aprovação apontam para a necessidade de rever essas formas de educação continuada.

 


Palavras-chave: Ensino médico. Residência. Certificado de especialista.

 

7 - A confusa nomenclatura da ausculta pulmonar brasileira

The confusing Brazilian pulmonary auscultation nomenclature

Mariam Patrícia Auada, Gisele Laguna Vitória, João Adriano de Barros

J Bras Pneumol.1998;24(3):129-132

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Após a invenção do estetoscópio por Laënnec, em 1816, a nomenclatura dos sons pulmonares disseminou-se desestruturadamente, tornando-se confusa e imprecisa. Desde 1985 trabalha-se pela uniformização terminológica, baseada em padrões físicos como freqüência, duração e amplitude dos sons. A avaliação da terminologia empregada por pneumologistas brasileiros em relatos de caso é o objetivo deste estudo. Foi realizado um estudo retrospectivo dos relatos de caso publicados no Jornal de Pneumologia entre 1985 e 1997 quanto à ausculta pulmonar descrita. Os dados foram comparados ao proposto no Symposium on Lung Sounds, de 1985. Em 131 casos, 72 relatavam ausculta pulmonar alterada, apresentando 30 denominações distintas para os sons pulmonares. Concluiu-se que os pneumologistas não estão ainda familiarizados com a atual nomenclatura. Ressalta-se o fato de 31 casos não relatarem ausculta pulmonar, mesmo em publicação em pneumologia, revelando a subvalorização do método. A ausculta pulmonar é um meio rápido, não invasivo, de baixo custo e ótimo direcionamento clínico, devendo ser valorizada ao lado de outras técnicas diagnósticas.

 


Palavras-chave: Ausculta. Estetoscópio. Sons respiratórios. Nomenclatura.

 

Artigo de Revisão

8 - Como administrar drogas por via inalatória na asma

Luiz Fernando F. Pereira

J Bras Pneumol.1998;24(3):133-144

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Relato de Caso

10 - Dispnéia crônica, distúrbio restritivo e tomografia computadorizada de tórax de alta resolução normal em paciente de 74 anos

Alessandra Sandrini Lopes de Souza, Georgino Henderson Pereira Lemos, Raquel Hermes Rosa Oliveira, Carlos Alberto de C. Pereira, Ester N.A.M. Coletta

J Bras Pneumol.1998;24(3):153-156

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12 - Ruptura espontânea do diafragma à direita

Spontaneous diaphragm rupture to the right

Adilson Casemiro Pires, Wladmir Faustino Saporito

J Bras Pneumol.1998;24(3):157-158

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A ruptura de diafragma está geralmente relacionada a traumatismo grave. A ruptura espontânea de diafragma é um fato raro, descrito poucas vezes e de etiologia ainda não bem definida. O presente relato mostra um caso de ruptura espontânea de diafragma ocorrido durante evento de internação hospitalar.

 


Palavras-chave: Ruptura de diafragma. Ruptura de diafragma espontânea.

 

13 - Pneumopatia intersticial secundária à proliferação difusa idiopática de células neuroendócrinas ("tumorlets carcinoids)

Interstitial lung disease after idiopathic diffuse proliferation of neuroendocrine cells (tumorlets carcinoids)

Marcelo Cunha Fatureto, Marcus Aurelho de Lima, Gesner Pereira Lopes, Wilson Carneiro Silva Junior, Maysa Silva Arruda, Ricardo Frota Boggio

J Bras Pneumol.1998;24(3):159-162

Resumo PDF PT

Relata-se o caso de uma paciente de 35 anos, da raça negra, sem doenças pulmonares prévias, apresentando há um ano tosse seca e dispnéia a esforços usuais, com exames de imagem normais e espirometria mostrando padrão restritivo de intensidade leve. A biópsia pulmonar aberta foi indicada pela sintomatologia persistente em acompanhamentos ambulatoriais, sem melhora clínica, em uso de sintomáticos. O relatório anatomopatológico demonstrou difusas proliferações de células neuroendócrinas peribronquiolares. Enfatiza-se a importância dessa entidade, apesar de rara e pouco conhecida, como causa de pneumopatia intersticial e sua fisiopatogenia.

 


Palavras-chave: Doenças pulmonares. Célula neuroendócrina. Bronquiolites. Carcinóide. Tumorlets.

 

14 - Mediastinite fibrosante

Fibrosing mediastinitis

Jefferson Lessa Soares de Macedo, Manoel Ximenes Netto

J Bras Pneumol.1998;24(3):163-166

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A mediastinite fibrosante é uma doença rara associada a várias formas clínicas. A característica da doença é o encarceramento de estruturas importantes do mediastino em um denso tumor fibrótico. Esse tumor tem sua origem em um processo inflamatório crônico invasivo que leva à erosão e à compressão de estruturas do mediastino. Dois casos da doença são apresentados: um de síndrome da veia cava superior e outro de obstrução esofagiana, que evoluíram satisfatoriamente com o tratamento conservador.

 


Palavras-chave: Mediastinite esclerosante. Mediastinite fibrosante. Síndrome da veia cava superior.

 

15 - Tratamento conservador de mediastinite necrotizante descendente

Non-surgical treatment of descending necrotizing mediastinitis

Jefferson Lessa Soares de Macedo, Manoel Ximenes Netto

J Bras Pneumol.1998;24(3):167-170

Resumo PDF PT

É relatado um caso raro de mediastinite necrotizante descendente secundária a abscesso submandibular não traumático. Embora vários autores enfatizem que o tratamento cirúrgico é imperativo nessa doença, este caso teve excelente evolução apenas com cuidados intensivos. Portanto, mesmo os casos complicados de mediastinite necrotizante descendente podem evoluir sem necessidade de operação.

 


Palavras-chave: Mediastinite. Sepse.

 

Ano 1998 - Volume 24  - Número 5  (Setembro/Outubro)

Artigo Original

1 - Influência dos níveis de refluxo gastroesofágico (RGE) na escolha do tratamento de pacientes com tosse crônica

Influence of gastroesophageal reflux levels in the treatment of patients with chronic cough

Otávio Leite Gastal, Bruno Carlos Palombini, Tom Ryan DeMeester, Carmen Palombini Gastal, Marta Mascarenhas Corrêa da Silva, Silvia Macedo

J Bras Pneumol.1998;24(5):277-282

Resumo PDF PT

O refluxo gastroesofágico (RGE) é uma causa comum de sintomas e afecções torácicas tais como: tosse crônica, asma brônquica, infecções respiratórias, fibrose pulmonar intersticial e dor torácica. O alívio dos mesmos é variável após tratamento clínico ou cirúrgico anti-refluxo. A monitorização do pH intra-esofágico de 24 horas tem sido considerada o padrão áureo para o diagnóstico de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). A utilização de dois ou mais sensores de pH em diferentes níveis ao longo do esôfago é uma forma útil de diagnosticar níveis mais intensos de RGE, assim como da possibilidade de aspiração de conteúdo gástrico para as vias aéreas e pulmões. O objetivo deste estudo foi o de determinar se os diferentes níveis nos quais o RGE é detectado ao longo do esôfago são indicativos para tratamento cirúrgico ao invés de terapia medicamentosa anti-refluxo. Em uma série de 35 pacientes com tosse como única manifestação de RGE, os níveis intra-esofágicos do refluxo foram avaliados quanto à sua correlação com a resposta ao tratamento clínico ou cirúrgico anti-refluxo. Os testes diagnósticos, assim como os procedimentos cirúrgicos, foram realizados nos hospitais afiliados às Universidades Católica e Federal de Pelotas - RS. Os testes do qui-quadrado e U de Mann-Whitney foram utilizados para a análise estatística. Os achados do presente estudo demonstraram que o refluxo gastroesofágico presente no esôfago distal e proximal pode causar tosse crônica. O nível no qual o refluxo é detectado ao longo do esôfago é um importante fator preditivo de resposta ao tratamento. Os pacientes portadores de refluxo no esôfago proximal têm pior resposta ao tratamento clínico que aqueles nos quais o refluxo foi detectado somente no esôfago distal. O tratamento cirúrgico está associado a melhores resultados terapêuticos, independentemente dos níveis intra-esofágicos do refluxo e, em particular, àqueles com diagnóstico de RGE no esôfago proximal. Em uma análise global, a cirurgia confere os melhores resultados terapêuticos nos pacientes com tosse crônica devida a refluxo gastroesofágico.

 


Palavras-chave: Tosse crônica. Doença do refluxo gastroesofágico. pH-metria esofágica.

 

2 - Dispnéia crônica de causa indeterminada: avaliação de um protocolo de investigação em 90 pacientes

Chronic dyspnea with unexplained cause: evaluation of an investigation protocol with 90 patients

Sílvia Helena Bersácola, Carlos Alberto de Castro Pereira, Rita de Cássia Cruz da Silva, Ricardo M. Ladeira

J Bras Pneumol.1998;24(5):283-297

Resumo PDF PT

Dispnéia crônica pode ter diversas causas. O objetivo do estudo foi avaliar um protocolo de investigação em pacientes com dispnéia crônica (> 30 dias) de causa não evidente na abordagem clínica inicial ou quando múltiplas causas potenciais estivessem presentes. Métodos: O algoritmo para investigação aplicado foi: 1) história e exame clínico sistematizados, radiografia de tórax, espirometria com curva de fluxo-volume, ECG e hemograma; 2) teste de broncoprovocação (TBP) e medidas seriadas do PFE domiciliar; 3) teste cardiopulmonar de exercício (TCPex); ecocardiograma doppler; 4) testes especiais: tomografia de tórax de alta resolução, DCO, volumes pulmonares, PImax, mapeamento pulmonar e outros quando indicados. Resultados: 90 pacientes foram incluídos com idade = 51 ± 16 anos. Sintomas de hiperventilação estiveram presentes em 48, mas estavam associados a HRB ou asma em 19. Distúrbio ventilatório obstrutivo foi observado em 24 (asma em 11 e DPOC em 8). Redução da CVF sem obstrução ao fluxo aéreo foi encontrada em 10; asma foi a causa em 4 e doença cardíaca em 4. TBP foi realizado em 71 e foi anormal em 20; PFE foi avaliado em 71; foi anormal em 28, isoladamente em 16 e em 7 com diagnóstico final de asma. Ecocardiografia foi feita em 44 e mostrou disfunção diastólica em 11 de 16 com diagnóstico final de doença cardíaca. TCPex mostrou limitação cardiovascular em 19, hiperventilação em 19 e limitação ventilatória em 12. TCPex foi decisivo em 33 (38%), especialmente para o diagnóstico de doença cardíaca e para excluir outras causas possíveis. Doença respiratória foi a explicação para dispnéia em 51 (59%) - asma (31), HRB (8), DPOC (8), doença intersticial (4); outras causas foram: doença cardíaca (16), síndrome de hiperventilação primária (8), obesidade (5), doença neuromuscular (6), dispnéia psicogênica (2) e outras (7). Em 13, múltiplas causas foram encontradas. Oito pacientes não tiveram causa reconhecida. Conclusão: Um protocolo para investigação sistemática de dispnéia crônica resultou no diagnóstico de 91% dos casos; espirometria, testes para HRB incluindo medidas de PFE, ecocardiograma e TCPex são essenciais para a investigação.

 


Palavras-chave: Dispnéia crônica. Teste de exercício. Espirometria. Testes de função respiratória. Testes de broncoprovocação. Pico de fluxo expiratório. Ecocardiografia. Radiografia torácica. Insuficiência cardíaca, congestiva

 

3 - Estratificação de risco e profilaxia para tromboembolia venosa em pacientes internados em hospital geral universitário

Classification of risk and prophylaxis for venous thromboembolism in university hospital patients

Sérgio Saldanha Menna Barreto, Carlo Sasso Faccin, Paula Mallman da Silva, Larissa Pretto Centeno, Marcelo Basso Gazzana

J Bras Pneumol.1998;24(5):299-302

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Objetivos: Identificar a freqüência de fatores de risco, a estratificação de risco e a prática de profilaxia para tromboembolia venosa (TEV) em pacientes hospitalizados. Métodos: Os casos foram selecionados aleatoriamente, sendo os critérios utilizados na determinação dos fatores de risco e sua estratificação em níveis de risco baseados em consensos internacionais. Resultados: A maioria dos pacientes (96%) apresentava pelo menos um fator reconhecido de risco; 81% preenchiam critérios para classificação em risco moderado ou alto. Medidas profiláticas foram prescritas para 221 (63%), havendo associação significativa entre o aumento do nível de risco para TEV e a maior freqüência de uso de heparina (p < 0,001). Contra-indicações para o uso de heparina foram observadas em 7% dos casos. Conclusão: Fatores de risco para TEV são comuns e a profilaxia, insatisfatória. Contra-indicações para heparina são infreqüentes e não impedem que seu uso se estenda a maior número de pacientes.

 


Palavras-chave: Embolia pulmonar. Trombose venosa profunda. Prevenção.

 

4 - Malformações pulmonares e mediastinais com repercussões respiratórias

Pulmonary and mediastinal malformations with respiratory symptoms

Carlos A. Riedi, Nelson A. Rosário Filho, Isabelle V. Trevisan, José E. Carreiro, Dante L. Escuissato

J Bras Pneumol.1998;24(5):303-310

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Objetivos: Avaliar aspectos clínicos das malformações pulmonares e mediastinais. Métodos: Análise retrospectiva de 51 pacientes com malformações pulmonares e mediastinais identificadas no Departamento de Pediatria da UFPR entre 1982 e 1997. Verificaram-se as manifestações clínicas, investigação diagnóstica e o tratamento dos referidos pacientes. Resultados: A anomalia mais freqüente foi fístula traqueoesofágica/atresia de esôfago (12), seguida por anel vascular (11), enfisema lobar congênito (7), hérnia diafragmática-eventração (7), cisto broncogênico (5), aplasia/hipoplasia pulmonar (4), seqüestração pulmonar (3) e fístula arterionenosa (2). A idade ao diagnóstico variou desde recém-nascido até dez anos. A maioria era sintomática nos primeiros meses de vida, alguns ao nascimento. As principais manifestações clínicas foram respiratórias (taquipnéia, tosse, tiragem, dispnéia, sibilos, pneumonia e estertores). A radiografia simples do tórax e a seriografia esofagogastroduodenal (SEED) foram os exames mais importantes para o diagnóstico. A tomografia computadorizada de tórax é um ótimo exame diagnóstico para malformações broncopulmonares, quando o radiológico não é conclusivo. O tratamento foi por intervenção cirúrgica em 86% dos casos. Conclusões: As malformações pulmonares e mediastinais com manifestações respiratórias requerem investigação diagnóstica adequada e intervenção imediata. As manifestações respiratórias mais freqüentes foram tosse e taquipnéia e o exame radiológico do tórax e o esofagograma, os principais meios diagnósticos. A sobrevida é boa e a mortalidade é geralmente secundária às malformações associadas.

 


Palavras-chave: Malformações broncopulmonares. Dispnéia. Estudos retrospectivos.

 

Artigo de Revisão

5 - Complicações cardiovasculares da síndrome da apnéia do sono obstrutiva

Lia Rita Azeredo Bittencourt, Odair Marson, Luiz E. Nery, Sérgio Tufik

J Bras Pneumol.1998;24(5):311-316

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6 - Manifestações pulmonares causadas pelo uso do "crack"

Maria do Rosário da Silva Ramos Costa, Rosemary Farias Alves, Marciel Dourado Franca

J Bras Pneumol.1998;24(5):317-321

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Relato de Caso

7 - Bronquiolite obliterante com pneumonia em organização (BOOP) aguda

Bronchiolitis obliterans with organizing pneumonia (BOOP)

José Eduardo Delfini Cançado, Carlos Alberto de Castro Pereira, Ester N.A.M. Coletta

J Bras Pneumol.1998;24(5):331-334

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A maioria das doenças intersticiais pulmonares são de início indolente, produzindo sintomas subagudos ou crônicos, que usualmente progridem por meses ou anos até que o diagnóstico seja estabelecido. Este relato descreve um caso com início fulminante e com risco de vida de bronquiolite obliterante com pneumonia em organização (BOOP). Suspeita precoce, com a confirmação histológica, e início da corticoterapia são importantes na prevenção da mortalidade.

 


Palavras-chave: Bronquiolite obliterante com pneumonia em organização (BOOP). Doença intersticial pulmonar.

 

8 - Malformação congênita adenomatóide cística do pulmão: relato de quatro casos

Cystic adenomatoid malformation of the lung: report on four cases

Gisele A. Nai1, Carlos Zelandi Filho, Rosa M. Viero, Julio Defaveri

J Bras Pneumol.1998;24(5):335-338

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A malformação adenomatóide cística do pulmão é uma forma rara de doença pulmonar congênita. Tem sido observada em todos os lobos, raramente é bilateral e está associada a hidrâmnio, edema placentário e hidropisia fetal. É subdividida em três tipos, com características clínicas e histológicas diferentes. O diagnóstico intra-útero é possível através dos exames ultra-sonográficos e o tratamento de escolha é lobectomia. Relatamos quatro casos observados em nosso hospital, com revisão da literatura.

 


Palavras-chave: Malformação adenomatóide cística. Malformação congênita. Pulmão.

 

9 - Novo caso de adiaspiromicose humana diagnosticado por biópsia transbrônquica

Human pulmonary adiaspiromycosis: a new case diagnosed by transbronchial biopsy

Terezinha do Socorro M. Lima, Mário A.P. Moraes, Hebe Quezado Magalhães, Norma Suely G. Athayde

J Bras Pneumol.1998;24(5):339-341

Resumo PDF PT

É apresentado um caso de adiaspiromicose pulmonar humana - o 18º do Brasil - com dupla finalidade: contribuir para o estudo da evolução da doença e fundamentar o emprego da biópsia transbrônquica na demonstração do fungo responsável. O paciente, de 18 anos, vivia na localidade de Paranoá, perto de Brasília, DF, onde trabalhava em marcenaria, produzindo vassouras de palha. Em fevereiro de 1997, apareceu-lhe sintomatologia respiratória importante, cuja principal manifestação consistia em dor torácica ventilatório-dependente. Radiograma do tórax acusou infiltrado intersticial difuso, micronodular, sugestivo de processo miliar. O reconhecimento da adiaspiromicose foi obtido pelo exame microscópico de fragmento pulmonar retirado mediante biópsia transbrônquica. Acredita-se que a adiaspiromicose seja uma doença autocurável e é indicada a biópsia transbrônquica como o procedimento de escolha para a revelação dos adiaconídios presentes nos pulmões do hospedeiro humano.

 


Palavras-chave: Adiaspiromicose. Micose pulmonar. Emmonsia crescens. Emmonsia parva var crescens. Chrysosporium parvum var crescens.

 

10 - Derrame pleural com elevado teor de amilase

Célia Mallart Llarges, Jaqueline Maria Lima, Luís Felipe F. da Silva, Carlos Eduardo P. Barreto

J Bras Pneumol.1998;24(5):342-344

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Ano 1998 - Volume 24  - Número 6  (Novembro/Dezembro)

Artigo Original

2 - Avaliação nutricional em pacientes portadores de câncer de pulmão

Nutritional evaluation in patients with lung cancer

Sérgio Jamnik, Cesar Uehara, Ilka Lopes Santoro

J Bras Pneumol.1998;24(6):347-353

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Este estudo analisou o estado nutricional dos pacientes portadores de carcinoma do pulmão. Foram avaliados 131 doentes, sendo 96 (73,3%) do sexo masculino e 35 (26,7%) do feminino. Estes pacientes foram classificados como desnutridos (n = 64/48,9%), eutróficos (n = 44/33,6%) e obesos (n = 23/17,5%). A maioria dos pacientes desnutridos apresentava anorexia (59,7%), o que não ocorreu com os pacientes eutróficos (25%) e os obesos (26,1%). Mais de 70% dos doentes relataram algum tipo de perda, no início do estudo, sendo superior entre os desnutridos. No seguimento dos três meses seguintes, mais de 60% dos pacientes, entre os três tipos nutricionais, tiveram perda de peso. Predominaram entre os desnutridos os pacientes portadores de carcinoma espinocelular. Já entre os outros dois tipos nutricionais, predominaram os portadores de adenocarcinomas. A maioria apresentava estado avançado da doença.

 


Palavras-chave: Câncer de pulmão. Estado nutricional.

 

3 - Fatores de risco para um teste cutâneo tuberculínico positivo entre funcionários de um hospital universitário brasileiro

Risk factors for a positive tuberculin skin test among employees of a Brazilian university hospital

Rafael Dias da Costa e Silva, Marcelo Simão Ferreira, Paulo Pinto Gontijo Filho

J Bras Pneumol.1998;24(6):353-356

Resumo PDF PT

Foi realizado um estudo transversal para calcular a prevalência de tuberculose infecção em funcionários do Hospital das Clínicas e da Reitoria da Universidade Federal de Uberlândia, Minas Gerais. Os participantes (167) corresponderam a três grupos, de acordo com o grau de exposição a pacientes tuberculosos, a saber: A) enfermaria de clínica médica, freqüente; B) unidade de admissão, limitado; e C) administração, nenhum, e submetidos ao teste tuberculínico em duas etapas. Os fatores associados com um resultado positivo foram: grau de exposição (44,70%; OR, 1,45; IC, 1,13-2,15; p = 0,013), idade acima de 40 anos (52,60%); OR, 1,66; IC, 1,20-2,30; p = 0,004) e duração do vínculo empregatício por mais de 10 anos (59,30%; OR, 1,63; IC, 1,13-2,22; p = 0,011). Os resultados mostram que a prevalência de reatores fortes quando do teste tuberculínico foi alta entre os profissionais de saúde que entraram em contato com os pacientes.

 


Palavras-chave: Tuberculose. Teste tuberculínico. Profissionais de saúde.

 

Artigo de Revisão

4 - Conceitos em patologia do mediastino. Uma correlação anátomo-radiológica

Pathology concepts of the mediastinum. An anatomicoradiological correlation

Vera Luiza Capelozzi

J Bras Pneumol.1998;24(6):357-370

Resumo PDF PT

Os vários órgãos e estruturas que compõem o mediastino fazem dele uma vasta caixa de surpresas, a qual abrange um grupo amplo de afecções, incluindo de meros cistos a neoplasias pouco diferenciadas, passando pelo complexo campo dos linfomas. De forma que, na rotina do dia-a-dia, o diagnóstico dessas afecções representa verdadeiro desafio para o patologista. Acresce o fato de que uma das principais abordagens para o diagnóstico inclui a mediastinoscopia. Dessa forma, a representatividade do espécime para estudo e alguns artefatos na sua obtenção podem ser problemáticos para o diagnóstico final. Um dos enfoques principais deste trabalho centra-se nas dificuldades diagnósticas de entidades a partir de espécimes obtidos por mediastinoscopia já no centro cirúrgico, durante colheita do material e na vigência do exame por congelamento. A autora pretende também atualizar a classificação dos tumores e apontar a utilidade da imuno-histoquímica para complementação diagnóstica, os critérios de invasão e metástases. Os propósitos deste trabalho serão: reconhecer as principais afecções do mediastino, classificar os principais tumores, aplicar critérios para caracterizar a presença de malignidade, identificar marcadores de prognóstico e avaliar quando da necessidade de correlação clínico-radiológica-morfológica.

 


Palavras-chave: Mediastino. Patologia do mediastino. Marcadores de prognóstico.

 

Relato de Caso

5 - Fístula broncoesofágica em portador de SIDA: relato de caso

Bronchoesophageal fistula in AIDS patient: report of a case

Claudio Ricardo Frison, Verônica Amado, Renata T. Rodrigues, Lilian S.B. Caetano

J Bras Pneumol.1998;24(6):371-374

Resumo PDF PT

Os autores relatam um caso de fístula traqueoesofágica descoberto insuspeitadamente em broncoscopia. Os achados radiológicos foram compatíveis e a confirmação etiológica foi estabelecida através do estudo histopatológico do tecido.

 


Palavras-chave: Fístula traqueoesofágica. SIDA.

 

6 - Hipertensão pulmonar primária em um paciente HIV+

Primary pulmonary hypertension in an HIV+ patient

Aline Elisa Goulart, Agnaldo José Lopes, José Manoel Jansen, Eduardo X. Pozobon, Mara Negreiros Carvalho, Dirce Bonfim de Lima

J Bras Pneumol.1998;24(6):375-378

Resumo PDF PT

A hipertensão pulmonar primária (HPP) é uma doença de etiologia desconhecida, rara, caracterizada por elevações na pressão arterial pulmonar e na resistência vascular pulmonar. As lesões vasculares variam de leve, consistindo de neoproliferação da íntima, a grave, caracterizada pela fibrose concêntrica da íntima, lesões plexiformes e arterite necrosante. Desde 1987 há relatos descrevendo a associação entre o vírus da imunodeficiência humana (HIV) e HPP, chegando a cerca de 60 casos em 1997. O papel patogênico do HIV permanece desconhecido. É relatado o caso de uma mulher em que essa associação foi observada.

 


Palavras-chave: Hipertensão pulmonar primária. Vírus da imunodeficiência humana.

 

7 - Pneumonia nodular por sarampo: relato de caso

Nodular measles pneumonia: a case report

Eduardo Walker Zettler, Jussara Fiterman Molinari

J Bras Pneumol.1998;24(6):379-381

Resumo PDF PT

É relatado caso de adolescente com quadro radiológico de broncopneumonia intersticial bilateral causada por sarampo, discutida a apresentação rara e a utilidade da tomografia computadorizada de tórax no seu diagnóstico.

 


Palavras-chave: Sarampo. Pneumonia. Tomografia computadorizada.

 

8 - Lesão da artéria torácica interna por dreno torácico: relato de caso

Internal thoracic artery injury caused by chest tube: a case report

Fernando Luiz Westphal1, Luiz Carlos de Lima1, Marcelo Augusto Teixeira Fadul2

J Bras Pneumol.1998;24(6):382-384

Resumo PDF PT

Relata-se caso raro de lesão da artéria torácica interna por dreno torácico, em paciente com empiema pleural crônico. A rotura desse vaso, levando o paciente ao choque hipovolêmico e hemoptise maciça, indicou a cirurgia. Enfatizam-se os cuidados na drenagem torácica e a importância do controle radiológico pós-drenagem.

 


Palavras-chave: Pleurotomia. Artéria torácica interna. Dreno de tórax.

 

 


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