Jornal Brasileiro de Pneumologia

ISSN (on-line): 1806-3756

ISSN (impressa): 1806-3713

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Ano 2013 - Volume 39  - Número 3  (Maio/Junho)






Meta-análise

2 - Exacerbações de DPOC e sintomas de refluxo gastroesofágico: revisão sistemática e meta-análise

Exacerbations of COPD and symptoms of gastroesophageal reflux: a systematic review and meta-analysis

Thiago Mamôru Sakae, Márcia Margaret Menezes Pizzichini, Paulo José Zimermann Teixeira, Rosemeri Maurici da Silva, Daisson José Trevisol, Emilio Pizzichini

J Bras Pneumol.2013;39(3):259-271

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Objetivo: Examinar a relação entre refluxo gastroesofágico (RGE) e exacerbações da DPOC. Métodos: Foi realizada uma revisão sistemática de artigos publicados até dezembro de 2012 utilizando várias bases de dados. Os critérios de elegibilidade incluíram estudos sobre DPOC, exacerbações da DPOC e RGE que comparavam ao menos dois grupos (DPOC vs. controle ou RGE vs. controle) e descrevendo riscos relativos (RRs), razões de prevalência ou ORs e respectivos IC95% (ou com dados que permitissem o seu cálculo) para a associação entre RGE e DPOC, assim como taxas de exacerbações. Os dados foram coletados com um formulário padronizado que incluía o tipo de estudo; critérios para diagnóstico de RGE; idade e gênero dos participantes; número de participantes; método de randomização; escores de gravidade; métodos de avaliação dos sintomas de RGE; critérios de definição de exacerbação; taxa de exacerbações (hospitalizações, visitas à emergência, consultas não programadas, uso de prednisona e uso de antibióticos); sintomas de RGE no grupo DPOC vs. controles; média de exacerbações da DPOC (com sintomas vs. sem sintomas); frequência anual de exacerbações; tratamento para RGE; e gravidade da obstrução. Resultados: O RGE foi claramente identificado como um fator de risco para exacerbações da DPOC (RR = 7,57; IC95%: 3,84-14,94), com um aumento na média de exacerbações por ano (diferença média: 0,79; IC95%: 0,22-1,36). Houve uma prevalência significativamente maior de RGE em pacientes com DPOC do que naqueles sem DPOC (RR = 13,06; IC95%: 3,64-46,87; p < 0,001). Conclusões: O RGE é um fator de risco para exacerbações da DPOC. O papel do RGE no manejo da DPOC deve ser mais profundamente investigado.

 


Palavras-chave: Doença pulmonar obstrutiva crônica; Refluxo gastroesofágico; Metanálise; Fatores de risco; Medicina baseada em evidências.

 

Artigo Original

3 - Efeitos de um programa educativo ambulatorial em pacientes com asma não controlada

Effects of an outpatient education program in patients with uncontrolled asthma

Carmen Denise Borba Rodrigues, Rosemary Petrik Pereira, Paulo de Tarso Roth Dalcin

J Bras Pneumol.2013;39(3):272-279

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Objetivo: Avaliar os efeitos de um programa educativo ambulatorial em pacientes com asma não controlada. Métodos: Estudo não controlado, avaliando uma intervenção educacional e envolvendo pacientes com idade ≥ 14 anos com asma não controlada. Os participantes responderam a um questionário para avaliar o grau de controle da asma, a qualidade de vida e a técnica inalatória e foram submetidos a testes de função pulmonar. A seguir, participaram do programa educativo, que consistia de uma sessão inicial de 45 min e de entrevistas telefônicas em duas, quatro e oito semanas. Os participantes foram reavaliados após três meses. Resultados: Completaram o estudo 63 pacientes. Houve melhora significativa no grau de controle da asma (p < 0,001). Dos 63 pacientes, 28 (44,4%) e 6 (9,5%) passaram a apresentar asma parcialmente controlada e controlada, respectivamente. Antes e depois a intervenção educacional, a média de VEF1 foi, respectivamente, 63,0 ± 20,0% do previsto e 68,5 ± 21,2% do previsto (p = 0,002), e todos os escores de qualidade de vida melhoraram (p < 0,05 para todos). O mesmo ocorreu com a proporção de pacientes com técnica inalatória adequada no uso de inalador pressurizado (15,4% vs. 46,2%; p = 0,02) e de dispositivo de pó (21,3% vs. 76,6%; p < 0,001). A análise de regressão logística identificou que a técnica inalatória incorreta na primeira avaliação estava independentemente associada com a resposta favorável à intervenção educativa. Conclusões: Este estudo sugere que um programa educativo ambulatorial resultou em uma melhora no grau de controle da asma, na função pulmonar e na qualidade de vida. A técnica inalatória incorreta na avaliação inicial foi preditora da resposta favorável à intervenção educativa.

 


Palavras-chave: Asma/prevenção e controle; Qualidade de vida; Testes de função respiratória; Assistência ambulatorial; Educação em saúde.

 

4 - A tromboprofilaxia evita o tromboembolismo venoso após cirurgia ortopédica de grande porte?

Does thromboprophylaxis prevent venous thromboembolism after major orthopedic surgery?

Evrim Eylem Akpinar, Derya Hosgün, Burak Akan, Can Ates, Meral Gülhan

J Bras Pneumol.2013;39(3):280-286

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Objetivo: A embolia pulmonar (EP) é uma complicação importante de cirurgia ortopédica de grande porte. Este estudo visou avaliar a incidência de tromboembolismo venoso (TEV) e os fatores que influenciam o desenvolvimento de TEV em pacientes submetidos a cirurgia ortopédica de grande porte em um hospital universitário. Métodos: Pacientes submetidos a cirurgia ortopédica de grande porte (artroplastia de quadril, artroplastia do joelho ou reparação de fratura de fêmur) entre fevereiro de 2006 e junho de 2012 foram incluídos retrospectivamente no estudo. As incidências de EP e de trombose venosa profunda (TVP) foram avaliadas, assim como os fatores que influenciaram sua ocorrência, tais como o tipo de cirurgia, idade e comorbidades. Resultados: Foram revisados os prontuários médicos de 1.306 pacientes. As proporções de artroplastia do joelho, artroplastia de quadril e reparação de fratura de fêmur foram, respectivamente, de 63,4%, 29,9% e 6,7%. A incidência cumulativa de EP e TVP nos pacientes submetidos a cirurgia ortopédica de grande porte foi, respectivamente, de 1,99% e 2,22%. A maioria dos pacientes apresentou EP e TVP (61,5% e 72,4 %, respectivamente) nas primeiras 72 h após a cirurgia. Pacientes submetidos à reparação de fratura de fêmur, aqueles com idade ≥ 65 anos, e pacientes acamados tinham um risco maior de desenvolver TVP. Conclusões: Nossos resultados demonstram que o TEV foi uma complicação importante de cirurgia ortopédica de grande porte, apesar da utilização de tromboprofilaxia. Os médicos clínicos devem estar alerta para a ocorrência de TEV, especialmente no período perioperatório e em pacientes idosos (com idade ≥ 65 anos) e acamados.

 


Palavras-chave: Ortopedia; Embolia pulmonar; Trombose venosa.

 

5 - Uso de inaladores na população de adolescentes e adultos com diagnóstico médico autorreferido de asma, bronquite ou enfisema em Pelotas, RS

Inhaler use in adolescents and adults with self-reported physician-diagnosed asthma, bronchitis, or emphysema in the city of Pelotas, Brazil

Paula Duarte de Oliveira, Ana Maria Baptista Menezes, Andréa Dâmaso Bertoldi, Fernando César Wehrmeister

J Bras Pneumol.2013;39(3):287-295

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Objetivo: Avaliar as características dos usuários de dispositivos inalatórios e a prevalência de uso desses em adolescentes e adultos com diagnóstico médico autorreferido de asma, bronquite ou enfisema. Métodos: Estudo de base populacional realizado em Pelotas, RS, incluindo 3.670 indivíduos com idade ≥ 10 anos, avaliados com um questionário. Resultados: Aproximadamente 10% da amostra referiram pelo menos uma das doenças respiratórias investigadas. Entre esses, 59% apresentaram sintomas respiratórios no último ano, e, desses, apenas metade usou inaladores. O uso de inaladores diferiu significativamente de acordo com o nível socioeconômico (39% e 61% entre mais pobres e mais ricos, respectivamente; p = 0,01). Não houve diferença na frequência de uso de inaladores por sexo ou idade. Entre indivíduos com enfisema, o uso da combinação broncodilatador + corticoide inalatório foi mais frequente que o uso isolado de broncodilatador. Somente entre os indivíduos que referiram diagnóstico médico de asma e sintomas atuais, a proporção de uso de inaladores foi maior que 50%. Conclusões: Em nossa amostra, os inaladores foram subutilizados, e o tipo de medicamento usado por aqueles que referiram enfisema parece não estar de acordo com o preconizado em consensos sobre essa doença.

 


Palavras-chave: Inaladores dosimetrados; Asma; Doença pulmonar obstrutiva crônica; Bronquite; Enfisema; Inaladores de pó seco.

 

6 - Avaliação de atopia em portadores de DPOC

Evaluation of atopy in patients with COPD

Margarida Célia Lima Costa Neves, Yuri Costa Sarno Neves, Carlos Mauricio Cardeal Mendes, Monalisa Nobre Bastos, Aquiles Assunção Camelier, Cleriston Farias Queiroz, Bernardo Fonseca Mendoza, Antônio Carlos Moreira Lemos, Argemiro D'Oliveira Junior

J Bras Pneumol.2013;39(3):296-305

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Objetivo: Determinar a prevalência de atopia e avaliar o perfil clínico, laboratorial e radiológico de pacientes com DPOC. Métodos: Estudo de corte transversal com pacientes ambulatoriais portadores de DPOC estável (definida pela história clínica e relação VEF1/CVF < 70% do previsto após broncodilatador). Os pacientes responderam um questionário clínico e de atopia e foram submetidos a citologia de lavado nasal, teste cutâneo de alergia, radiografia de tórax, hemogasometria arterial e dosagem de IgE total. Resultados: Dos 149 indivíduos avaliados, 53 (35,6%), 49 (32,8%) e 88 (59,1%), respectivamente, apresentavam eosinofilia no lavado nasal, teste cutâneo positivo e sintomas de rinite alérgica. A análise de correspondência confirmou esses achados, evidenciando dois perfis distintos de doença: a presença de atopia em pacientes com estágios mais leves de DPOC, e a ausência de características de atopia em pacientes com aspectos de doença mais grave (VEF1 reduzido e hiperinsuflação). Houve uma associação estatisticamente significante entre eosinofilia no lavado nasal e prova farmacodinâmica positiva. Conclusões: Este estudo identificou uma alta frequência de atopia em pacientes com DPOC, utilizando ferramentas simples e reprodutíveis. A monitorização inflamatória de vias aéreas parece ser uma ferramenta útil para avaliar as doenças respiratórias em idosos, assim como em pacientes com sobreposição de asma e DPOC, entidade clínica ainda pouco compreendida.

 


Palavras-chave: Doença pulmonar obstrutiva crônica; Alergia e imunologia; Líquido da lavagem nasal; Asma; Rinite alérgica perene.

 

7 - Pesquisa da mutação F508del como primeiro passo no diagnóstico molecular de fibrose cística

Screening for F508del as a first step in the molecular diagnosis of cystic fibrosis

Fernando Augusto de Lima Marson, Carmen Silvia Bertuzzo, Maria Ângela Gonçalves de Oliveira Ribeiro, Antônio Fernando Ribeiro, José Dirceu Ribeiro

J Bras Pneumol.2013;39(3):306-316

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Objetivo: Verificar a importância da detecção da mutação F508del no gene cystic fibrosis transmembrane conductance regulator como primeiro passo no diagnóstico genético de fibrose cística (FC), associando-se o genótipo com várias variáveis clínicas. Métodos: Foram avaliados 180 pacientes com FC quanto à mutação F508del. As variáveis clínicas foram obtidas dos prontuários médicos dos pacientes e de entrevistas com seus pais ou responsáveis. Resultados: Dos 180 pacientes estudados, 65 (36,1%) não apresentavam a mutação F508del (grupo 0 [G0]), 67 (37,2%) eram heterozigotos (grupo 1 [G1]), e 48 (26,7%) eram homozigotos (grupo 2 [G2]). Todos os três grupos mostraram associações com as variáveis clínicas. A homozigose associou-se a pacientes mais jovens, menor idade ao diagnóstico e menor idade no primeiro isolamento de Pseudomonas aeruginosa (PA), bem como maior prevalência de insuficiência pancreática (IP) e colonização por PA não mucoide (PANM). Na comparação com os pacientes G1+G2, os pacientes G0 eram mais velhos, com início de sintomas clínicos, doença digestiva e doença pulmonar mais tardio, diagnóstico tardio, PA isolada tardiamente, e menor prevalência de IP, íleo meconial e colonização por PANM, PA mucoide e Burkholderia cepacia. Nos pacientes G1, os valores foram intermediários para idade ao diagnóstico, idade no primeiro isolamento de PA, idade no início de doença pulmonar e de manifestações clínicas, colonização por PAM e OR para IP. Conclusões: A identificação de F508del em 63,9% dos pacientes estudados mostrou que ela pode ser uma ferramenta útil como primeiro passo no diagnóstico genético de FC. O genótipo F508del foi associado à gravidade clínica da doença, particularmente às variáveis relacionadas com o início da doença.

 


Palavras-chave: Fibrose cística; Regulador de Condutância Transmembrana em Fibrose Cística; Genótipo; Mutação.

 

8 - Importância da capacidade vital lenta na detecção de obstrução das vias aéreas

Importance of slow vital capacity in the detection of airway obstruction

Ana Raquel Gonçalves de Barros, Margarida Batista Pires, Nuno Miguel Ferreira Raposo

J Bras Pneumol.2013;39(3):317-322

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Objetivo: Investigar a ocorrência de obstrução das vias aéreas por meio da relação VEF1/CVF e da relação VEF1/capacidade vital lenta (CVL). Métodos: Estudo do tipo quantitativo, retrospectivo e transversal. A amostra foi constituída por 1.084 indivíduos que realizaram espirometria e pletismografia num hospital central da região de Lisboa, Portugal. A amostra foi estratificada em seis grupos funcionais respiratórios. Resultados: A análise da relação VEF1/CVF revelou a presença de obstrução das vias aéreas em 476 indivíduos (43,9%), enquanto a relação VEF1/CVL detectou a presença dessa em 566 indivíduos (52,2%). A diferença entre a CVL e a CVF (CVL − CVF) nos grupos relativos à obstrução brônquica, à obstrução brônquica com hiperinsuflação pulmonar e à alteração ventilatória mista foi estatisticamente superior àquela encontrada nos grupos sem alteração ventilatória, com diminuição dos FEFs e com restrição pulmonar. O parâmetro CVL − CVF apresentou correlação negativa significativa com VEF1 em % do previsto apenas no grupo com obstrução brônquica com hiperinsuflação pulmonar. Conclusões: A relação VEF1/CVL detectou a presença de obstrução das vias aéreas em um número maior de indivíduos que a relação VEF1/CVF, ou seja, a relação VEF1/CVL é mais confiável na detecção de alterações ventilatórias obstrutivas.

 


Palavras-chave: Obstrução das vias respiratórias; Espirometria; Pletismografia.

 

9 - Pneumonia por vírus influenza A (H1N1): aspectos na TCAR

Influenza A (H1N1) pneumonia: HRCT findings

Viviane Brandão Amorim, Rosana Souza Rodrigues, Miriam Menna Barreto, Gláucia Zanetti, Bruno Hochhegger, Edson Marchiori

J Bras Pneumol.2013;39(3):323-329

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Objetivo: Descrever os aspectos encontrados em TCAR do tórax de pacientes infectados pelo vírus influenza A (H1N1). Métodos: Foram analisadas retrospectivamente as TCAR de 71 pacientes (38 femininos e 33 masculinos) com diagnóstico confirmado de influenza A (H1N1) através da identificação laboratorial do vírus, estudados no período entre julho e setembro de 2009. A interpretação das TCAR foi realizada por dois radiologistas torácicos de forma independente, e, em caso de discordância, as decisões foram tomadas por consenso. Resultados: Os achados de TCAR mais comuns foram opacidades em vidro fosco (85%), consolidação (64%) ou a combinação de opacidades em vidro fosco e consolidação (58%). Outros achados foram nódulos do espaço aéreo (25%), espessamento das paredes brônquicas (25%), espessamento de septos interlobulares (21%), padrão de pavimentação em mosaico (15%), espessamento perilobular (3%) e aprisionamento aéreo (3%). As alterações foram frequentemente bilaterais (89%), com distribuição não específica (68%). Derrame pleural, quando observado, foi, em geral, de pequena monta. Não foram observadas linfonodomegalias. Conclusões: As alterações predominantes foram opacidades em vidro fosco, consolidações ou a combinação de ambas. O acometimento foi frequentemente bilateral e não houve predomínio quanto à distribuição (axial ou craniocaudal). Apesar de inespecíficos, é importante reconhecer os principais aspectos tomográficos da infecção por influenza A (H1N1) a fim de incluir essa possibilidade no diagnóstico diferencial de sintomas respiratórios.

 


Palavras-chave: Pneumonia viral; Tomografia computadorizada por raios X; Vírus da influenza A subtipo H1N1.

 

10 - A falência da extubação influencia desfechos clínicos e funcionais em pacientes com traumatismo cranioencefálico

Extubation failure influences clinical and functional outcomes in patients with traumatic brain injury

Helena França Correia dos Reis, Mônica Lajana Oliveira Almeida, Mário Ferreira da Silva, Mário de Seixas Rocha

J Bras Pneumol.2013;39(3):330-338

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Objetivo: Avaliar a associação entre falência da extubação e desfechos clínicos e funcionais em pacientes com traumatismo cranioencefálico (TCE). Métodos: Coorte prospectiva com 311 pacientes consecutivos com TCE. Os pacientes foram divididos em dois grupos de acordo com o resultado da extubação: sucesso ou falência (necessidade de reintubação dentro de 48 h após extubação). Um modelo multivariado foi desenvolvido para verificar se a falência de extubação era um preditor independente de mortalidade hospitalar. Resultados: A média de idade foi de 35,7  13,8 anos, e 92,3% dos pacientes eram do sexo masculino. A incidência de falência da extubação foi de 13,8%. A mortalidade hospitalar foi, respectivamente, de 20,9% e 4,5% nos pacientes com falência e com sucesso da extubação (p = 0,001). A realização de traqueostomia foi mais frequente no grupo falência da extubação (55,8% vs. 1,9%; p < 0,001). A mediana de tempo de permanência hospitalar foi significantemente maior nos pacientes com falência do que naqueles com sucesso da extubação (44 dias vs. 27 dias; p = 0,002). Os pacientes com falência da extubação apresentaram piores desfechos funcionais na alta hospitalar. A análise multivariada mostrou que a falência da extubação foi um preditor independente para a mortalidade hospitalar (OR = 4,96; IC95%, 1,86-13,22). Conclusões: A falência da extubação esteve associada a maior permanência hospitalar, maior frequência de traqueostomia e de complicações pulmonares, piores desfechos funcionais e maior mortalidade em pacientes com TCE.

 


Palavras-chave: Traumatismos encefálicos; Desmame do respirador; Unidades de terapia intensiva; Escala de resultado de Glasgow.

 

11 - Fatores de risco para multirresistência bacteriana em pneumonias adquiridas no hospital não associadas à ventilação mecânica

Risk factors for infection with multidrug-resistant bacteria in non-ventilated patients with hospital-acquired pneumonia

Renato Seligman, Luis Francisco Ramos-Lima, Vivian do Amaral Oliveira, Carina Sanvicente, Juliana Sartori, Elyara Fiorin Pacheco

J Bras Pneumol.2013;39(3):339-348

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Objetivo: Identificar fatores de risco para o desenvolvimento de pneumonia adquirida no hospital (PAH), não associada à ventilação mecânica e causada por bactérias multirresistentes (MR). Métodos: Estudo de coorte observacional retrospectivo, conduzido ao longo de três anos em um hospital universitário terciário. Incluímos apenas pacientes sem ventilação mecânica, com diagnóstico de PAH e com cultura bacteriana positiva. Variáveis categóricas foram comparadas por meio do teste do qui-quadrado. A análise de regressão logística foi usada para determinar os fatores de risco para PAH causada por bactérias MR. Resultados: Dos 140 pacientes diagnosticados com PAH, 59 (42,1%) apresentavam infecção por cepas MR. As taxas de mortalidade nos pacientes com cepas de Staphylococcus aureus resistentes e sensíveis à meticilina, respectivamente, foram de 45,9% e 50,0% (p = 0,763). As taxas de mortalidade nos pacientes com PAH causada por bacilos gram-negativos MR e não MR, respectivamente, foram de 45,8% e 38,3% (p = 0,527). Na análise univariada, os fatores associados com cepas MR foram DPOC, insuficiência cardíaca crônica, insuficiência renal crônica, diálise, cateterismo urinário, infecções extrapulmonares e uso de antimicrobianos nos 10 dias anteriores ao diagnóstico de PAH. Na análise multivariada, o uso de antimicrobianos nos 10 dias anteriores ao diagnóstico foi o único fator preditor independente de cepas MR (OR = 3,45; IC95%: 1,56-7,61; p = 0,002). Conclusões: Neste estudo unicêntrico, o uso de antimicrobianos de largo espectro 10 dias antes do diagnóstico de PAH foi o único preditor independente da presença de bactérias MR em pacientes com PAH sem ventilação mecânica.

 


Palavras-chave: Pneumonia bacteriana; Farmacorresistência bacteriana; Infecção hospitalar

 

12 - Impacto da reabilitação pulmonar na qualidade de vida e na capacidade funcional de pacientes em lista de espera para transplante pulmonar

Impact of pulmonary rehabilitation on quality of life and functional capacity in patients on waiting lists for lung transplantation

Juliessa Florian, Adalberto Rubin, Rita Mattiello, Fabrício Farias da Fontoura, José de Jesus Peixoto Camargo, Paulo Jose Zimermann Teixeira

J Bras Pneumol.2013;39(3):349-356

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Objetivo: Avaliar o impacto de um programa de reabilitação pulmonar na capacidade funcional e na qualidade de vida de pacientes em lista de espera para transplante pulmonar. Métodos: Pacientes em lista de espera para transplante pulmonar encaminhados a um programa de reabilitação pulmonar de 36 sessões. Os participantes foram avaliados no início e no final desse com o teste de caminhada de seis minutos (TC6) e com o questionário de qualidade de vida Medical Outcomes Study 36-item Short-Form Health Survey (SF-36). O programa de reabilitação pulmonar foi composto por exercícios de fortalecimento muscular, treinamento aeróbico, acompanhamento clínico e psiquiátrico, acompanhamento nutricional, assistência social e palestras educacionais. Resultados: Dos 112 pacientes encaminhados, 58 completaram o programa. A média de idade dos participantes foi de 46  14 anos; sendo 52% do sexo feminino. Entre esses pacientes, 37 (47%) eram portadores de fibrose pulmonar, 13 (22%) tinham enfisema pulmonar, e 18 (31%), tinham outras doenças pulmonares em fase avançada. Houve uma melhora significativa na distância percorrida no TC6 ao final do programa (367 ± 136 m vs. 439 ± 114 m; p = 0,001), com um aumento médio de 72 m. Houve aumentos significativos nas pontuações dos seguintes domínios do SF-36: capacidade funcional, 22 pontos (p = 0,001); aspectos físicos, 10 (p = 0,045); vitalidade, 10 (p < 0,001); aspectos sociais, 15 (p = 0,001); e saúde mental, 8 (p = 0,001). Conclusões: O programa de reabilitação pulmonar teve um impacto positivo na capacidade de exercício e na qualidade de vida nos pacientes em lista de espera para transplante pulmonar.

 


Palavras-chave: Reabilitação; Transplante de pulmão; Qualidade de vida; Exercício; Tolerância ao exercício.

 

13 - Características da tuberculose no estado de Minas Gerais entre 2002 e 2009

Characteristics of tuberculosis in the state of Minas Gerais, Brazil: 2002-2009

Cláudio José Augusto, Wânia da Silva Carvalho, Alan Douglas Gonçalves, Maria das Graças Braga Ceccato, Silvana Spindola de Miranda

J Bras Pneumol.2013;39(3):357-364

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Objetivo: Analisar o perfil de casos de tuberculose no estado de Minas Gerais entre 2002 e 2009, segundo características sociodemográficas, clínicas e laboratoriais, assim como presença de comorbidades e mortalidade. Métodos: Estudo epidemiológico descritivo com levantamento de dados dos casos notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação e Sistema de Informação de Mortalidade entre 2002 e 2009. Resultados: Foram notificados 47.285 casos de tuberculose nos anos estudados, com média de incidência 22,3/100.000 habitantes. Os indivíduos com tuberculose eram predominantemente da faixa etária de 20-49 anos (62,4%), do sexo masculino (67,0%) e tinham baixa escolaridade (18,5%). Casos novos, de recidiva e de retratamento representaram, respectivamente, 83,7%, 5,7% e 5,7% do total de casos. As proporções de cura, abandono do tratamento e tuberculose multirresistente foram, respectivamente, 73,1%, 11,2% e 0,2%, enquanto o coeficiente de mortalidade foi 12,9%. O tratamento diretamente observado (TDO) foi administrado em 21,8% dos casos. A baciloscopia e a cultura de escarro somente foram realizadas em 73.9% e 12,9% dos casos, respectivamente. A radiografia de tórax foi realizada em 90,5% dos casos. A forma pulmonar prevaleceu (83,9%). A comorbidade com alcoolismo, infecção pelo HIV e diabetes mellitus foi identificada em 17,2%, 8,3% e 3,8% dos casos, respectivamente. Conclusões: No período estudado, o número de casos novos, de abandono e de óbitos foi elevado, as comorbidades foram relevantes, e os exames básicos não foram realizados adequadamente para o diagnóstico da tuberculose. São necessários o trabalho multiprofissional, ampliação da estratégia TDO, maior conhecimento da distribuição da tuberculose em Minas Gerais e melhorias nos bancos de dados para que haja um melhor controle da doença no estado.

 


Palavras-chave: Tuberculose/epidemiologia; Tuberculose/mortalidade; Sistemas de informação.

 

Comunicação Breve

14 - Comparação do desempenho do sistema mycobacteria growth indicator tube e meio Löwenstein-Jensen na detecção de rotina de Mycobacterium tuberculosis em unidades do sistema único de saúde no Rio de Janeiro: resultados preliminares de um ensaio clínico pragmático

Performance comparison between the mycobacteria growth indicator tube system and Löwenstein-Jensen medium in the routine detection of Mycobacterium tuberculosis at public health care facilities in Rio de Janeiro, Brazil: preliminary results of a pragmatic clinical trial

Adriana da Silva Rezende Moreira, Gisele Huf, Maria Armanda Vieira, Leila Fonseca, Monica Ricks, Afrânio Lineu Kritski

J Bras Pneumol.2013;39(3):365-367

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Em razão da recomendação da Organização Mundial da Saúde sobre o uso do sistema mycobacteria growth indicator tube (MGIT) 960 para o diagnóstico de tuberculose e da falta de evidências sobre o impacto clínico de sua incorporação em sistemas de saúde, um ensaio clínico pragmático está sendo conduzido para avaliar o desempenho clínico e a relação custo-efetividade do MGIT 960 em duas unidades do Sistema Único de Saúde na cidade do Rio de Janeiro, que tem uma elevada incidência de tuberculose. Apresentamos aqui, de forma sintética, o método e resultados preliminares do ensaio. (ISRCTN.org Identifier: ISRCTN79888843 [http://isrctn.org/])

 


Palavras-chave: Ensaio clínico controlado; Tuberculose; Testes diagnósticos de rotina.

 

15 - Cistos pulmonares na paracoccidioidomicose crônica

Lung cysts in chronic paracoccidioidomycosis

André Nathan Costa, Edson Marchiori, Gil Benard, Mariana Sponholz Araújo, Bruno Guedes Baldi, Ronaldo Adib Kairalla, Carlos Roberto Ribeiro Carvalho

J Bras Pneumol.2013;39(3):368-372

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Os cistos pulmonares na TCAR são caracterizados por áreas arredondadas de baixo coeficiente de atenuação no parênquima pulmonar com uma interface bem definida com o pulmão adjacente normal. As doenças pulmonares císticas mais comuns são linfangioleiomiomatose, histiocitose de células de Langerhans e pneumonia intersticial linfocítica. Em uma análise retrospectiva de achados de TCAR em 50 pacientes com diagnóstico de paracoccidioidomicose crônica residual, observou-se a presença de cistos pulmonares em 5 casos (10%), mostrando que pacientes com paracoccidioidomicose podem apresentar cistos pulmonares na TCAR. Portanto, essa infecção deve entrar no diagnóstico diferencial das doenças císticas pulmonares.

 


Palavras-chave: Paracoccidioidomicose; Cistos; Tomografia computadorizada multidetectores.

 

Artigo de Revisão

16 - Lesão por inalação de fumaça em ambientes fechados: uma atualização

Smoke inhalation injury during enclosed-space fires: an update

Ana Carolina Peçanha Antonio, Priscylla Souza Castro, Luiz Octavio Freire

J Bras Pneumol.2013;39(3):373-381

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Aproveita-se o trágico incêndio ocorrido em uma boate na cidade de Santa Maria, RS, que culminou na morte imediata de 232 jovens, para revisarmos a literatura com relação à lesão por inalação de fumaça em ambientes fechados, que pode ser dividida em dano térmico direito, intoxicação por monóxido de carbono e intoxicação por cianeto. Essas condições frequentemente levam à necessidade de intubação orotraqueal imediata, seja por obstrução aguda de vias aéreas, seja por depressão do nível de consciência. O diagnóstico e a gravidade da injúria térmica podem ser determinados pela fibrobroncoscopia. Quanto aos envenenamentos, a dosagem dos gases ou de seus subprodutos na corrente sanguínea é possível e deve ser realizada ainda na cena do incidente. Da mesma maneira, o tratamento da intoxicação por monóxido de carbono consiste na administração imediata de oxigênio a 100%, enquanto o da intoxicação por cianeto consiste em oxigenoterapia e hidroxicobalamina injetável como antídoto.

 


Palavras-chave: Lesão por inalação de fumaça; Monóxido de carbono; Cianetos.

 

Relato de Caso

17 - Pneumotórax como complicação associada ao recrutamento do volume pulmonar

Pneumothorax as a complication of lung volume recruitment

Erik J.A. Westermann, Maurice Jans, Michael A. Gaytant, John R. Bach, Mike J. Kampelmacher

J Bras Pneumol.2013;39(3):382-386

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O recrutamento do volume pulmonar envolve técnicas de insuflações pulmonares profundas para se atingir a capacidade de insuflação máxima em pacientes com fraqueza da musculatura respiratória, a fim de aumentar o pico de fluxo da tosse e assim auxiliar a manutenção da patência de vias aéreas e melhorar a ventilação. Uma dessas técnicas é o empilhamento de ar, na qual se utiliza um ressuscitador manual para insuflar os pulmões. Embora as pressões intratorácicas possam aumentar consideravelmente, não há relatos de complicações por empilhamento de ar. Entretanto, atingir a capacidade de insuflação máxima não é recomendado em pacientes com anormalidades na estrutura pulmonar ou doença obstrutiva crônica das vias aéreas. Relatamos o caso de uma paciente de 72 anos que teve poliomielite quando criança, desenvolveu escoliose de torção e síndrome pós-pólio e tinha exacerbações de asma periódicas, mas infrequentes. Após realizar empilhamento de ar por 3 anos, a paciente subitamente desenvolveu pneumotórax, mostrando que essa técnica deve ser utilizada com cuidado ou não ser utilizada por pacientes com patologia pulmonar conhecida.

 


Palavras-chave: Barotrauma; Pneumotórax; Insuflação.

 

Cartas ao Editor

18 - Hemorragia alveolar após injeção parenteral de silicone industrial

Alveolar hemorrhage after parenteral injection of industrial silicone

Ronaldo Ferreira Macedo, Ricardo Ananias Lobão, Eduardo Mello De Capitani, Maira Eliza Petrucci Zanovello, Paula Catarina Caruso, Maurício Souza de Toledo Leme, Elza Maria Figueiras Pedreira de Cerqueira, Lair Zambon

J Bras Pneumol.2013;39(3):387-389

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19 - Hemangiomatose capilar pulmonar: uma causa incomum de hipertensão pulmonar

Pulmonary capillary hemangiomatosis: an uncommon cause of pulmonary hypertension

Igor Murad Faria, Leonardo Hoehl Carneiro, Teófilo Augusto Araújo Tiradentes, Gláucia Zanetti, Edson Marchiori

J Bras Pneumol.2013;39(3):390-392

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Errata

22 - Errata

ERRATUM

Francisca Magalhães Scoralick, Luciana Paganini Piazzolla, Liana Lauria Pires, Cleudson Nery de Castro e Wladimir Kummer de Paula

J Bras Pneumol.2013;39(3):

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