Jornal Brasileiro de Pneumologia

ISSN (on-line): 1806-3756

ISSN (impressa): 1806-3713

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Ano 1998 - Volume 24  - Número 5  (Setembro/Outubro)






Artigo Original

1 - Influência dos níveis de refluxo gastroesofágico (RGE) na escolha do tratamento de pacientes com tosse crônica

Influence of gastroesophageal reflux levels in the treatment of patients with chronic cough

Otávio Leite Gastal, Bruno Carlos Palombini, Tom Ryan DeMeester, Carmen Palombini Gastal, Marta Mascarenhas Corrêa da Silva, Silvia Macedo

J Bras Pneumol.1998;24(5):277-282

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O refluxo gastroesofágico (RGE) é uma causa comum de sintomas e afecções torácicas tais como: tosse crônica, asma brônquica, infecções respiratórias, fibrose pulmonar intersticial e dor torácica. O alívio dos mesmos é variável após tratamento clínico ou cirúrgico anti-refluxo. A monitorização do pH intra-esofágico de 24 horas tem sido considerada o padrão áureo para o diagnóstico de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). A utilização de dois ou mais sensores de pH em diferentes níveis ao longo do esôfago é uma forma útil de diagnosticar níveis mais intensos de RGE, assim como da possibilidade de aspiração de conteúdo gástrico para as vias aéreas e pulmões. O objetivo deste estudo foi o de determinar se os diferentes níveis nos quais o RGE é detectado ao longo do esôfago são indicativos para tratamento cirúrgico ao invés de terapia medicamentosa anti-refluxo. Em uma série de 35 pacientes com tosse como única manifestação de RGE, os níveis intra-esofágicos do refluxo foram avaliados quanto à sua correlação com a resposta ao tratamento clínico ou cirúrgico anti-refluxo. Os testes diagnósticos, assim como os procedimentos cirúrgicos, foram realizados nos hospitais afiliados às Universidades Católica e Federal de Pelotas - RS. Os testes do qui-quadrado e U de Mann-Whitney foram utilizados para a análise estatística. Os achados do presente estudo demonstraram que o refluxo gastroesofágico presente no esôfago distal e proximal pode causar tosse crônica. O nível no qual o refluxo é detectado ao longo do esôfago é um importante fator preditivo de resposta ao tratamento. Os pacientes portadores de refluxo no esôfago proximal têm pior resposta ao tratamento clínico que aqueles nos quais o refluxo foi detectado somente no esôfago distal. O tratamento cirúrgico está associado a melhores resultados terapêuticos, independentemente dos níveis intra-esofágicos do refluxo e, em particular, àqueles com diagnóstico de RGE no esôfago proximal. Em uma análise global, a cirurgia confere os melhores resultados terapêuticos nos pacientes com tosse crônica devida a refluxo gastroesofágico.

 


Palavras-chave: Tosse crônica. Doença do refluxo gastroesofágico. pH-metria esofágica.

 

2 - Dispnéia crônica de causa indeterminada: avaliação de um protocolo de investigação em 90 pacientes

Chronic dyspnea with unexplained cause: evaluation of an investigation protocol with 90 patients

Sílvia Helena Bersácola, Carlos Alberto de Castro Pereira, Rita de Cássia Cruz da Silva, Ricardo M. Ladeira

J Bras Pneumol.1998;24(5):283-297

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Dispnéia crônica pode ter diversas causas. O objetivo do estudo foi avaliar um protocolo de investigação em pacientes com dispnéia crônica (> 30 dias) de causa não evidente na abordagem clínica inicial ou quando múltiplas causas potenciais estivessem presentes. Métodos: O algoritmo para investigação aplicado foi: 1) história e exame clínico sistematizados, radiografia de tórax, espirometria com curva de fluxo-volume, ECG e hemograma; 2) teste de broncoprovocação (TBP) e medidas seriadas do PFE domiciliar; 3) teste cardiopulmonar de exercício (TCPex); ecocardiograma doppler; 4) testes especiais: tomografia de tórax de alta resolução, DCO, volumes pulmonares, PImax, mapeamento pulmonar e outros quando indicados. Resultados: 90 pacientes foram incluídos com idade = 51 ± 16 anos. Sintomas de hiperventilação estiveram presentes em 48, mas estavam associados a HRB ou asma em 19. Distúrbio ventilatório obstrutivo foi observado em 24 (asma em 11 e DPOC em 8). Redução da CVF sem obstrução ao fluxo aéreo foi encontrada em 10; asma foi a causa em 4 e doença cardíaca em 4. TBP foi realizado em 71 e foi anormal em 20; PFE foi avaliado em 71; foi anormal em 28, isoladamente em 16 e em 7 com diagnóstico final de asma. Ecocardiografia foi feita em 44 e mostrou disfunção diastólica em 11 de 16 com diagnóstico final de doença cardíaca. TCPex mostrou limitação cardiovascular em 19, hiperventilação em 19 e limitação ventilatória em 12. TCPex foi decisivo em 33 (38%), especialmente para o diagnóstico de doença cardíaca e para excluir outras causas possíveis. Doença respiratória foi a explicação para dispnéia em 51 (59%) - asma (31), HRB (8), DPOC (8), doença intersticial (4); outras causas foram: doença cardíaca (16), síndrome de hiperventilação primária (8), obesidade (5), doença neuromuscular (6), dispnéia psicogênica (2) e outras (7). Em 13, múltiplas causas foram encontradas. Oito pacientes não tiveram causa reconhecida. Conclusão: Um protocolo para investigação sistemática de dispnéia crônica resultou no diagnóstico de 91% dos casos; espirometria, testes para HRB incluindo medidas de PFE, ecocardiograma e TCPex são essenciais para a investigação.

 


Palavras-chave: Dispnéia crônica. Teste de exercício. Espirometria. Testes de função respiratória. Testes de broncoprovocação. Pico de fluxo expiratório. Ecocardiografia. Radiografia torácica. Insuficiência cardíaca, congestiva

 

3 - Estratificação de risco e profilaxia para tromboembolia venosa em pacientes internados em hospital geral universitário

Classification of risk and prophylaxis for venous thromboembolism in university hospital patients

Sérgio Saldanha Menna Barreto, Carlo Sasso Faccin, Paula Mallman da Silva, Larissa Pretto Centeno, Marcelo Basso Gazzana

J Bras Pneumol.1998;24(5):299-302

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Objetivos: Identificar a freqüência de fatores de risco, a estratificação de risco e a prática de profilaxia para tromboembolia venosa (TEV) em pacientes hospitalizados. Métodos: Os casos foram selecionados aleatoriamente, sendo os critérios utilizados na determinação dos fatores de risco e sua estratificação em níveis de risco baseados em consensos internacionais. Resultados: A maioria dos pacientes (96%) apresentava pelo menos um fator reconhecido de risco; 81% preenchiam critérios para classificação em risco moderado ou alto. Medidas profiláticas foram prescritas para 221 (63%), havendo associação significativa entre o aumento do nível de risco para TEV e a maior freqüência de uso de heparina (p < 0,001). Contra-indicações para o uso de heparina foram observadas em 7% dos casos. Conclusão: Fatores de risco para TEV são comuns e a profilaxia, insatisfatória. Contra-indicações para heparina são infreqüentes e não impedem que seu uso se estenda a maior número de pacientes.

 


Palavras-chave: Embolia pulmonar. Trombose venosa profunda. Prevenção.

 

4 - Malformações pulmonares e mediastinais com repercussões respiratórias

Pulmonary and mediastinal malformations with respiratory symptoms

Carlos A. Riedi, Nelson A. Rosário Filho, Isabelle V. Trevisan, José E. Carreiro, Dante L. Escuissato

J Bras Pneumol.1998;24(5):303-310

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Objetivos: Avaliar aspectos clínicos das malformações pulmonares e mediastinais. Métodos: Análise retrospectiva de 51 pacientes com malformações pulmonares e mediastinais identificadas no Departamento de Pediatria da UFPR entre 1982 e 1997. Verificaram-se as manifestações clínicas, investigação diagnóstica e o tratamento dos referidos pacientes. Resultados: A anomalia mais freqüente foi fístula traqueoesofágica/atresia de esôfago (12), seguida por anel vascular (11), enfisema lobar congênito (7), hérnia diafragmática-eventração (7), cisto broncogênico (5), aplasia/hipoplasia pulmonar (4), seqüestração pulmonar (3) e fístula arterionenosa (2). A idade ao diagnóstico variou desde recém-nascido até dez anos. A maioria era sintomática nos primeiros meses de vida, alguns ao nascimento. As principais manifestações clínicas foram respiratórias (taquipnéia, tosse, tiragem, dispnéia, sibilos, pneumonia e estertores). A radiografia simples do tórax e a seriografia esofagogastroduodenal (SEED) foram os exames mais importantes para o diagnóstico. A tomografia computadorizada de tórax é um ótimo exame diagnóstico para malformações broncopulmonares, quando o radiológico não é conclusivo. O tratamento foi por intervenção cirúrgica em 86% dos casos. Conclusões: As malformações pulmonares e mediastinais com manifestações respiratórias requerem investigação diagnóstica adequada e intervenção imediata. As manifestações respiratórias mais freqüentes foram tosse e taquipnéia e o exame radiológico do tórax e o esofagograma, os principais meios diagnósticos. A sobrevida é boa e a mortalidade é geralmente secundária às malformações associadas.

 


Palavras-chave: Malformações broncopulmonares. Dispnéia. Estudos retrospectivos.

 

Artigo de Revisão

5 - Complicações cardiovasculares da síndrome da apnéia do sono obstrutiva

Lia Rita Azeredo Bittencourt, Odair Marson, Luiz E. Nery, Sérgio Tufik

J Bras Pneumol.1998;24(5):311-316

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6 - Manifestações pulmonares causadas pelo uso do "crack"

Maria do Rosário da Silva Ramos Costa, Rosemary Farias Alves, Marciel Dourado Franca

J Bras Pneumol.1998;24(5):317-321

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Relato de Caso

7 - Bronquiolite obliterante com pneumonia em organização (BOOP) aguda

Bronchiolitis obliterans with organizing pneumonia (BOOP)

José Eduardo Delfini Cançado, Carlos Alberto de Castro Pereira, Ester N.A.M. Coletta

J Bras Pneumol.1998;24(5):331-334

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A maioria das doenças intersticiais pulmonares são de início indolente, produzindo sintomas subagudos ou crônicos, que usualmente progridem por meses ou anos até que o diagnóstico seja estabelecido. Este relato descreve um caso com início fulminante e com risco de vida de bronquiolite obliterante com pneumonia em organização (BOOP). Suspeita precoce, com a confirmação histológica, e início da corticoterapia são importantes na prevenção da mortalidade.

 


Palavras-chave: Bronquiolite obliterante com pneumonia em organização (BOOP). Doença intersticial pulmonar.

 

8 - Malformação congênita adenomatóide cística do pulmão: relato de quatro casos

Cystic adenomatoid malformation of the lung: report on four cases

Gisele A. Nai1, Carlos Zelandi Filho, Rosa M. Viero, Julio Defaveri

J Bras Pneumol.1998;24(5):335-338

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A malformação adenomatóide cística do pulmão é uma forma rara de doença pulmonar congênita. Tem sido observada em todos os lobos, raramente é bilateral e está associada a hidrâmnio, edema placentário e hidropisia fetal. É subdividida em três tipos, com características clínicas e histológicas diferentes. O diagnóstico intra-útero é possível através dos exames ultra-sonográficos e o tratamento de escolha é lobectomia. Relatamos quatro casos observados em nosso hospital, com revisão da literatura.

 


Palavras-chave: Malformação adenomatóide cística. Malformação congênita. Pulmão.

 

9 - Novo caso de adiaspiromicose humana diagnosticado por biópsia transbrônquica

Human pulmonary adiaspiromycosis: a new case diagnosed by transbronchial biopsy

Terezinha do Socorro M. Lima, Mário A.P. Moraes, Hebe Quezado Magalhães, Norma Suely G. Athayde

J Bras Pneumol.1998;24(5):339-341

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É apresentado um caso de adiaspiromicose pulmonar humana - o 18º do Brasil - com dupla finalidade: contribuir para o estudo da evolução da doença e fundamentar o emprego da biópsia transbrônquica na demonstração do fungo responsável. O paciente, de 18 anos, vivia na localidade de Paranoá, perto de Brasília, DF, onde trabalhava em marcenaria, produzindo vassouras de palha. Em fevereiro de 1997, apareceu-lhe sintomatologia respiratória importante, cuja principal manifestação consistia em dor torácica ventilatório-dependente. Radiograma do tórax acusou infiltrado intersticial difuso, micronodular, sugestivo de processo miliar. O reconhecimento da adiaspiromicose foi obtido pelo exame microscópico de fragmento pulmonar retirado mediante biópsia transbrônquica. Acredita-se que a adiaspiromicose seja uma doença autocurável e é indicada a biópsia transbrônquica como o procedimento de escolha para a revelação dos adiaconídios presentes nos pulmões do hospedeiro humano.

 


Palavras-chave: Adiaspiromicose. Micose pulmonar. Emmonsia crescens. Emmonsia parva var crescens. Chrysosporium parvum var crescens.

 

10 - Derrame pleural com elevado teor de amilase

Célia Mallart Llarges, Jaqueline Maria Lima, Luís Felipe F. da Silva, Carlos Eduardo P. Barreto

J Bras Pneumol.1998;24(5):342-344

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