Jornal Brasileiro de Pneumologia

ISSN (on-line): 1806-3756

ISSN (impressa): 1806-3713

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Ano 2001 - Volume 27  - Número 3  (Maio/Junho)






Editorial

1 - Jornal de Pneumologia

Luiz Carlos Corrêa da Silva

J Bras Pneumol.2001;27(3):5-

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Artigo Original

2 - Motivos e tempo de internação e o tipo de saída em hospitais de tuberculose do Estado de São Paulo, Brasil - 1981 a 1995

Reasons for the admission, length of stay and type of discharge in tuberculosis hospitals in the State of São Paulo, Brazil - 1981 to 1995

Péricles Alves Nogueira

J Bras Pneumol.2001;27(3):123-129

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Introdução: A partir de 1981, a Secretaria da Saúde assumiu o tratamento e a internação de todos os casos de tuberculose no Estado de São Paulo, na região Sudeste do Brasil. Nesses anos foi observada a diminuição da incidência e da percentagem de internações por essa doença. Objetivo: Analisar a evolução dos motivos que levaram os doentes de tuberculose a internação e correlacionar esses motivos com o tempo de internação e com o tipo de alta. Material e métodos: Uma amostra de 1.805 prontuários pertencentes a cinco hospitais de tisiologia, que tratam de tuberculosos, entre os anos de 1981 e 1995 foi analisada. Resultados: O principal motivo de internação foi o mau estado geral seguido pela caquexia, tendo sido registrado o crescimento do alcoolismo. Entre os que ficaram internados menos de uma semana, destacaram-se aqueles com "outras patologias" e "insuficiência respiratória". Os motivos que levaram ao maior tempo médio de internação foram o social e a falência do tratamento. Os pacientes com insuficiência respiratória apresentaram o maior abandono e óbito. Os internados devido à intolerância medicamentosa e motivo social apresentaram maior proporção de alta a pedido; o motivo social e o alcoolismo tiveram maior taxa de alta disciplinar. O hospital que internou pacientes do sexo feminino teve o maior número de altas a pedido e os do sexo masculino se destacaram por apresentar maior freqüência de alta disciplinar e abandono.

 


Palavras-chave: Tuberculose pulmonar. Tempo de internação. Pesquisa sobre serviços de saúde. Hospitais especializados. Alta do paciente.

 

3 - Avaliação evolutiva da espirometria na fibrose cística

Spirometry evolution assessment of cystic fibrosis

Elenara da Fonseca Andrade, Deisi Letícia Oliveira da Fonseca, Fernando Antônio de Abreu e Silva, Sérgio Saldanha Menna-Barreto

J Bras Pneumol.2001;27(3):130-136

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Objetivo do estudo: Avaliar o padrão da evolução dos fluxos e volumes pulmonares dinâmicos dos pacientes com fibrose cística (FC), assim como analisar a relação entre a gravidade do comprometimento ventilatório com a idade, sexo, genótipo e colonização pulmonar. Material e método: Na Unidade de Pneumologia Infantil e Serviço de Pneumologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, foram avaliadas 243 espirometrias de 52 pacientes portadores de FC maiores de quatro anos realizadas no período de 1987 a 1999. Do prontuário médico foram extraídas informações sobre idade ao diagnóstico, pesquisa genética, colonização brônquica e os valores absolutos e percentuais para fluxos e volumes da melhor espirometria de cada ano. Resultados: A idade dos pacientes variou de quatro a 26 anos (média = 13,04 ± 4,82). Dos 52 pacientes, 49 (94%) tiveram pelo menos uma cultura de escarro com P. aeruginosa, 45 (86%) com S. aureus e 13 (25%) com B. cepacia. Na avaliação inicial dos quatro aos seis anos (n = 40), os valores médios da CVF e do VEF1 foram de 114,24% e 112,25%, respectivamente. A média da CVF manteve-se acima do normal até os 18 anos, quando apresentou queda súbita para 67,2% (p = 0,0002). A média do VEF1 atingiu valores abaixo de 80% aos dez anos, estando em 50% aos 18 anos (p < 0,00001). A relação VEF1/CVF%, índice mais sensível de obstrução, mostrou-se diminuída já na primeira avaliação, sendo 85% entre os quatro e seis anos, com declínio lento progressivo, chegando a 63% aos 18 anos. Os valores médios do FEF50, FEF75 e FMEF inicialmente foram normais (94%, 80% e 90%, respectivamente), mostraram queda maior e mais precoce, estatisticamente significativa, atingindo valores médios aos 18 anos de 37%, 12,5% e 19%, respectivamente. Embora houvesse tendência para fluxos terminais mais baixos para as meninas, as diferenças não tiveram valor estatístico. Também não foram detectadas correlações estatisticamente significativas entre a função pulmonar e o germe colonizador da via aérea ou o genótipo. Conclusão: O padrão evolutivo das alterações funcionais pulmonares encontrado nos pacientes está de acordo com o descrito na literatura, onde predomina o distúrbio ventilatório obstrutivo com redução precoce dos fluxos terminais e acometimento tardio da CVF.

 


Palavras-chave: Espirometria. Fibrose cística. Ventilação pulmonar.

 

4 - Resposta cardiorrespiratória na asma induzida pelo exercício máximo com incrementos progressivos

Cardiorespiratory response to incremental progressive maximal exercise in asthmatic patients

Ruy Amazonas Lamar Filho, Antonio Augusto Soares da Fonseca, Maria Alice Melo Neves, Laércio Moreira Valença

J Bras Pneumol.2001;27(3):137-142

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Objetivo: Verificar a ocorrência de broncoconstrição induzida por exercício e verificar a resposta cardiorrespiratória durante o exercício máximo em pacientes asmáticos. Pacientes e métodos: Quatorze asmáticos (VEF1 basal de 86,3%), conforme os critérios da American Thoracic Society, foram submetidos a teste de exercício máximo. Foram realizadas curvas fluxo-volume antes, sete e 15 minutos após esforço progressivo máximo. Seis indivíduos (43%) apresentaram queda do VEF1 igual ou maior que 15% após esforço máximo (grupo I). Os demais constituíram o grupo II. No grupo I, observou-se redução no VEF1 de 40,9% e 26,7% sete e 15min após o exercício, enquanto no grupo II ocorreu diminuição de 2,6% e aumento de 1,2%. No pico do exercício, os dois grupos atingiram FCmax acima de 91% do valor de referência; a carga máxima foi de 82,7% e 62,5%, o VO2max (mL/kg/min) de 93,5% e 58,9% e a VEmax de 91,5% e 63,8%, respectivamente, nos grupos I e II. Essas diferenças foram estatisticamente significativas. A correlação da queda percentual do VEF1 (7min pós-exercício) com a VEmax (%predito) mostrou um coeficiente r = 0,8989 para o grupo I e um r = 0,3629 para o grupo II. Não se observou correlação estatisticamente significativa entre o delta VEF1 e o VO2max (% predito). Conclusão: Nos pacientes com asma induzida pelo exercício, a ocorrência de broncoconstrição correlacionou-se com o nível de ventilação máxima, mas não com a aptidão física (VO2 máximo).

 


Palavras-chave: Asma induzida pelo exercício. Broncoconstrição. Volume de ventilação pulmonar. Teste de função respiratória.

 

5 - Diagnóstico endoscópico de estridor na infância

Endoscopic diagnosis of stridor in childhood

Vítor Emanuel Cassol

J Bras Pneumol.2001;27(3):143-147

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Objetivo: Determinar os principais diagnósticos endoscópicos identificados em crianças que apresentam estridor, no Serviço de Pediatria do Hospital Universitário de Santa Maria. Métodos: Estudo descritivo, do tipo transversal, não controlado, com dados obtidos de protocolos preenchidos quando realizada a endoscopia respiratória, no período de março/93 a novembro/99. Resultados: Foram realizadas 56 endoscopias respiratórias e identificadas 59 alterações compatíveis com o diagnóstico clínico de estridor, sendo 63% pacientes do sexo masculino. Lesões congênitas e adquiridas foram diagnosticadas em 45% e 50% dos casos, respectivamente, com 5% de endoscopias normais. Os diagnósticos mais comuns foram laringomalacia, estenose subglótica, traqueobroncomalacia e edema de laringe. Conclusões: A investigação da via respiratória pela endoscopia demonstrou ser importante para o correto diagnóstico do estridor. Doenças congênitas ou adquiridas tiveram freqüência similar como causa de estridor. A investigação endoscópica revelou-se de grande valor, com elevado percentual de diagnóstico.

 


Palavras-chave: Toracoscopia. Diagnóstico. Sons respiratórios.

 

6 - Oxigenoterapia domiciliar em crianças: relato de sete anos de experiência

Home oxygen therapy in children: seven years experience

Helena Teresinha Mocelin, Gilberto Bueno Fischer, Lilian Cristine Ranzi, Rosângela Dias Rosa, Maria Regina Philomena

J Bras Pneumol.2001;27(3):148-152

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Objetivo: Descrever os resultados de uma experiência de sete anos com uso de oxigenoterapia domiciliar em crianças com hipoxemia decorrente de doença pulmonar crônica. Pacientes e métodos: É um estudo retrospectivo e descritivo realizado no Hospital de Crianças Santo Antonio, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, na região Sul do Brasil. No geral, avaliaram-se as características das crianças com oxigenoterapia domiciliar acompanhadas durante o período de janeiro de 1993 a janeiro de 2000. Resultados: Dos 40 pacientes estudados, 29 (72,5%) eram meninos. A idade de início do oxigênio no domicílio variou de dois meses a 13 anos e seis meses, sendo que 18 (45%) eram menores de um ano (média: 24,8 meses; mediana: 13 meses). As enfermidades mais prevalentes foram: bronquiolite obliterante, 31 (77,5%); pneumopatia obstrutiva crônica secundária à aspiração, três; hipogamaglobulinemia, dois; pneumopatia supurativa crônica, dois; proteinose alveolar e tuberculose, um caso cada. O tempo da última internação antes de iniciar oxigênio domiciliar variou de nove a 240 dias (média: 64 dias; mediana 50 dias). A maioria dos pacientes recebeu oxigênio por aparelho concentrador, 30 (75%), e os demais, por cilindro. O tempo de uso variou de 27 a 1.620 dias, mediana de 392,5 dias. Ocorreram cinco óbitos por complicações da doença de base e um por retirada acidental da traqueostomia. Dos 19 pacientes em que o oxigênio foi suspenso, o diagnóstico era bronquiolite obliterante em 15, pneumonia aspirativa em dois e tuberculose e proteinose alveolar um caso cada. Conclusão: Apesar da necessidade de oxigênio por períodos prolongados, a evolução foi satisfatória na maioria das crianças. Oxigênio domiciliar para crianças oxigenodependentes é uma alternativa de tratamento que permite antecipar a alta hospitalar e o retorno ao ambiente familiar.

 


Palavras-chave: Anoxemia. Pneumopatias obstrutivas. Tratamento domiciliar.

 

7 - Tratamento cirúrgico do pneumotórax espontâneo primário no primeiro episódio

Surgical treatment of primary spontaneous pneumothorax on the first episode

Darcy Ribeiro Pinto Filho, André Germano Leite, Fabíola Délia Perin, Ronaldo Barbieri

J Bras Pneumol.2001;27(3):153-157

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Objetivo: Avaliar os resultados do tratamento cirúrgico do PEP através da toracotomia axilar, ressecção de blebs e pleurodese abrasiva. Mediante os resultados e a comparação destes com as diversas opções de tratamento, discutir a abordagem cirúrgica como a primeira para os pacientes portadores de PEP, no primeiro episódio. Material e métodos: 35 toracotomias axilares com pleurodese abrasiva para tratamento do PEP foram realizadas no Serviço de Cirurgia Torácica da Universidade de Caxias do Sul entre janeiro de 1996 e março de 1999. Resultados: 23 pacientes foram tratados no primeiro episódio de PEP (65,7%) e 12 pacientes no segundo episódio. Os drenos pleurais permaneceram em média 2,7 ± 1,6 dias. O período médio de internação foi de 4,9 ± 2,4 dias. Morbidade de 8,5%, mortalidade zero. Não se evidenciou recidiva num período médio de 22 meses de acompanhamento. Conclusão: A indicação de toracotomia axilar com pleurodese abrasiva em pacientes portadores de pneumotórax espontâneo primário no primeiro ou segundo episódio mostrou baixos índices de morbidade, recidiva zero, além de curto período de permanência dos drenos pleurais e de hospitalização, comprovando sua eficácia terapêutica. A possibilidade de indicá-lo como primeiro método terapêutico para pacientes portadores de PEP deve ser considerada.

 


Palavras-chave: Pneumotórax. Toracotomia.

 

Relato de Caso

8 - Sarcoidose renal

Renal sarcoidosis

Maria Enedina Claudino de Aquino, Roberta Karla Barbosa de Sales, José Antônio Freire dos Santos, Ana Lidia Régis, Nelson Morrone

J Bras Pneumol.2001;27(3):163-166

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Em uma mulher de 62 anos, branca, em avaliação pré-operatória de facectomia, foram detectadas alterações urinárias, tendo sido firmados os diagnósticos de calculose renal esquerda e exclusão renal homolateral. No pré-operatório da nefrectomia foram evidenciados processo pulmonar intersticial bilateral e adenopatia torácica, cuja investigação foi adiada para após a cirurgia. No rim retirado foram detectados granulomas epitelióides não necrotizantes, o mesmo ocorrendo posteriormente em biópsia transbrônquica. A paciente foi tratada com metilprednisolona, com discreta melhora pulmonar, o que não ocorreu com a função renal. O diagnóstico final foi de sarcoidose com envolvimento pulmonar, ganglionar torácico e renal.

 


Palavras-chave: Sarcoidose. Insuficiência renal. Sarcoidose pulmonar.

 

9 - Pneumonia em organização secundária ao uso de amiodarona

Organized pneumonia secondary to amiodarone use

Lia Augusta de Souza Gulmini, Carlos Alberto de Castro Pereira, Ester N.A.M. Coletta

J Bras Pneumol.2001;27(3):167-170

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A pneumonia em organização secundária ao uso de amiodarona é rara, com apenas oito casos relacionados na literatura. No presente relato uma paciente de 75 anos, com uso cumulativo de 43g, apresentou tosse produtiva, dispnéia progressiva e infiltrados bilaterais na radiografia do tórax. A biópsia transbrônquica confirmou o diagnóstico. Com a retirada da droga houve melhora clínica e funcional.

 


Palavras-chave: Pneumonia por bronquiolite obliterante em organização. Amiodarona. Quimioterapia. Toxicidade de drogas.

 

10 - Infecção pulmonar por "Rhodococcus equi": relato dos dois primeiros casos brasileiros

Pulmonary Rhodococcus equi infection: report of the first two Brazilian cases

Luiz Carlos Severo, Patricia Ritter, Victor Flávio Petrillo, Cícero Armídio Gomes Dias, Nelson da Silva Porto

J Bras Pneumol.2001;27(3):

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O Rhodococcus equi, principal agente da rodococose, é um cocobacilo pleomórfico, gram-positivo e aeróbio, que infecta humanos por via inalatória ou transcutânea e se manifesta clinicamente como abscesso pulmonar. Relatam-se os dois primeiros casos brasileiros da doença. Ambos os pacientes eram imunocomprometidos e apresentavam quadro infeccioso pulmonar. O primeiro tinha AIDS e apresentava pneumonia cavitada em lobo superior esquerdo, que teve evolução fatal. O segundo tinha doença de Goodpasture, insuficiência renal crônica e fazia uso de corticosteróides. Apresentava uma lesão pulmonar escavada no lobo superior direito, que foi tratada com sulfametoxazol-trimetoprim, com resolução do processo.

 


Palavras-chave: Infecções por actinomycetales. Tuberculose pulmonar. Síndrome de imunodeficiência adquirida. Síndrome de Goodpasture. Brasil.

 

 


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