Jornal Brasileiro de Pneumologia

ISSN (on-line): 1806-3756

ISSN (impressa): 1806-3713

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Ano 2003 - Volume 29  - Número 4  (Julho/Agosto)






Editorial

1 - Baixa estatura mas alta espirometria

Noé Zamel

J Bras Pneumol.2003;29(4):175-

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2 - Monitoração da inflamação das vias aéreas na asma

Mark D. Inman

J Bras Pneumol.2003;29(4):176-

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Artigo Original

3 - Questionário de qualidade de vida em pacientes com hiperidrose primária

Questionnaire of quality of life in patients with primary hyperhidrosis

José Ribas Milanez de Campos, Paulo Kauffman, Eduardo de Campos Werebe, Laert Oliveira Andrade Filho, Sergio Kuzniek, Nelson Wolosker, Fábio Biscegli Jatene, Mariane Amir

J Bras Pneumol.2003;29(4):178-181

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Introdução: Hiperidrose ou sudorese excessiva é um distúrbio crônico associado a sofrimento subjetivo importante. Objetivo: Apresentar um questionário específico para avaliar a qualidade de vida em pacientes com hiperidrose. Métodos: De outubro de 1995 a março de 2002, 378 pacientes, com idade média de 26,8 anos, sendo 234 do sexo feminino, foram avaliados antes e depois da simpatectomia torácica por videotoracoscopia. Resultados: Sucesso terapêutico foi obtido em 90% dos procedimentos. A taxa de recorrência foi de 10% para hiperidrose palmar e 11% para hiperidrose axilar; 27% desses pacientes foram reoperados com sucesso. Nenhuma complicação séria foi registrada. Do número total de pacientes, 91% responderam ao questionário sobre qualidade de vida e, desses, 86% referiram melhora após o procedimento. Conclusões: A simpatectomia torácica é um método terapêutico capaz de mudar a qualidade de vida dos pacientes com hiperidrose, o que pôde ser comprovado pelo questionário utilizado.

 


Palavras-chave: Simpatectomia torácica. Qualidade de vida.

 

4 - Valores espirométricos de crianças e adolescentes com baixa estatura

Spirometric values in children and adolescents with short stature

Naiza Alessandra Dorneles, Nelson Augusto Rosário Filho, Carlos Antônio Riedi, Margareth Cristina Boguszewski, João Adriano de Barros

J Bras Pneumol.2003;29(4):182-187

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Introdução: Vários fatores influenciam os valores de função pulmonar considerados normais. Existe dificuldade para a interpretação da função pulmonar de crianças com baixa estatura. Objetivo: Avaliar valores espirométricos em crianças e adolescentes com baixa estatura e identificar um fator de correção que possa prever de forma adequada os valores previstos para essa população. Método: Foram selecionados prospectivamente 77 pacientes com baixa estatura e sem doença pulmonar. Os pacientes foram submetidos a: espirometria, saturação transcutânea do oxigênio da hemoglobina, medida do perímetro torácico e testes de hipersensibilidade imediata. A idade óssea foi obtida por radiografia de punho. Os dados obtidos pela espirometria (CVF, VEF1 e FEF25-75%) foram comparados com os de Polgar e Promadhat (1971) previstos de três formas: a) pela estatura real; b) pela estatura estimada no percentil 50 para a idade cronológica (IC); c) pela estatura estimada no percentil 50 para a idade óssea (IO). Resultados: A média da estatura foi 133,3 ± 13,2cm e o déficit em relação ao 3º percentil, de 5,4 ± 6,0cm. Os valores de CVF, VEF1 e FEF25-75% obtidos foram significativamente maiores que os previstos pela estatura real. A média obtida da CVF foi de 2,42 ± 0,71L e a prevista (estatura real), de 2,10 ± 0,64L; pela estatura estimada para IO e IC, os valores foram, respectivamente, de 2,27 e 2,86L. A média do VEF1 foi de 2,20 ± 0,6L e o previsto, de 1,90 ± 0,55L. Com a estatura estimada para a IO e IC, os valores previstos foram de 2,10 e 2,60L, respectivamente. Conclusão: Crianças e adolescentes com baixa estatura têm valores de espirometria maiores que os previstos para a estatura real. Esses achados sugerem que a estatura estimada no percentil 50 para a idade óssea pode ser utilizada para avaliação da função pulmonar.

 


Palavras-chave: Espirometria. Baixa estatura.

 

5 - Inflamação das vias aéreas em asmáticos virgens de tratamento com esteróides: características do escarro induzido

Airway inflammation in steroid-naïve asthmatics: characteristics of induced sputum

Simone Van de Sande Lee, Marcia Margaret Menezes Pizzichini, Leila John Marques, Samira Cardoso Ferreira, Emilio Pizzichini

J Bras Pneumol.2003;29(4):188-195

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Introdução: A inflamação das vias aéreas, reconhecida como uma importante característica da asma, pode ser avaliada através do exame do escarro induzido. Objetivo: Determinar o padrão de células inflamatórias no escarro de asmáticos estáveis virgens de tratamento com corticosteróides, em Florianópolis, Santa Catarina. Método: Analisou-se o escarro induzido de 34 asmáticos em uso exclusivo de broncodilatadores inalatórios por demanda. As características clínicas dos mesmos foram obtidas na visita 1 e o escarro foi induzido na visita 2. A contagem diferencial de células foi realizada em citospinas coradas pelo Giemsa. O escarro foi considerado eosinofílico na presença de ³ 3% de eosinófilos e neutrofílico na presença de ³ 65% de neutrófilos. Resultados: Os resultados são expressos através da mediana e amplitude do semiquartil. A contagem celular total foi de 3,4 (3,7) x 106 células/ml e a viabilidade celular, de 80,0 (16,4)%. A proporção de neutrófilos foi de 14,4 (22,1)%; de eosinófilos, 6,4 (17,2)%; de macrófagos, 60,3 (37,5)%; e de linfócitos, 1,1 (1,2)%. Escarro eosinofílico foi observado em 24 participantes (70,6%); nenhum apresentou escarro neutrofílico. Não houve diferença significativa entre os grupos eosinofílico e não-eosinofílico quanto aos desfechos clínicos medidos, contagem total e proporções de células no escarro, com exceção da proporção de eosinófilos (14,4 [19,3] vs. 0,4 [1,1], p < 0,001). Conclusões: Asmáticos virgens de tratamento com corticosteróides, em nosso meio, apresentam maior proporção de eosinófilos no escarro em relação a valores de referência estabelecidos. Os parâmetros clínicos e fisiológicos analisados foram incapazes de predizer a presença de inflamação eosinofílica das vias aéreas

 


Palavras-chave: Asma. Inflamação. Escarro. Eosinófilos. Neutrófilos.

 

6 - Relação entre alterações funcionais e radiológicas em pacientes com fibrose cística

Relationship between functional and X-ray alterations in patients with cystic fibrosis

Andréia Kist Fernandes, Felipe Mallmann, Ângela Beatriz John, Carlo Sasso Faccin, Paulo de Tarso Roth Dalcin, Sérgio Saldanha Menna Barreto

J Bras Pneumol.2003;29(4):196-201

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Introdução: A fibrose cística é uma doença caracterizada pela inflamação das vias aéreas e obstrução de fluxos aéreos, ocasionando alçaponamento de ar nos pulmões. Objetivo: Verificar as associações entre a limitação do fluxo aéreo, volumes pulmonares e achados radiológicos em pacientes com fibrose cística. Método: Estudo transversal retrospectivo. Revisão dos achados espirométricos, pletismográficos e radiológicos do tórax de pacientes ambulatoriais (idade ³ 16 anos). Os achados no fluxo aéreo foram classificados como dentro dos limites da normalidade ou como obstrução ao fluxo aéreo: alteração obstrutiva leve, moderada ou grave. Resultados: Foram estudados 23 pacientes (15 masculinos e oito femininos; idade média de 21,0 ± 5,9 anos). Destes, seis estavam dentro dos limites da normalidade, havia alteração obstrutiva leve em quatro, moderada em cinco e grave em oito. Houve associação da limitação ao fluxo aéreo com o aumento do volume residual (p = 0,006) e com o escore de Brasfield (p = 0,001), mas não com a capacidade pulmonar total (p = 0,33). Houve correlação entre volume residual e escore de Brasfield (r = 0,73, p = 0,002), mas não com a capacidade pulmonar total. Adicionalmente, o alçaponamento aéreo, de acordo com critérios radiológicos, correlacionou-se apenas com aumento do volume residual (p = 0,006). Conclusão: Em pacientes com fibrose cística (idade ³ 16 anos), a progressiva limitação do fluxo aéreo é acompanhada de aumento no volume residual, enquanto a capacidade pulmonar total permanece normal ou tende a diminuir. O escore radiológico associou-se com a limitação do fluxo aéreo e volume residual, mas não com a capacidade pulmonar total.

 


Palavras-chave: Fibrose cística. Doença pulmonar. Capacidades pulmonares. Radiografia torácica.

 

7 - Doenças mediastinais: aspectos clínicos e terapêuticos

Mediastinal diseases: clinical and therapeutic aspects

Roberto Saad Júnior, Maria Elisa Ruffolo Magliari, Júlio Mott Ancona Lopez

J Bras Pneumol.2003;29(4):202-207

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Introdução: As afecções do mediastino são comuns e abrangem grande quantidade de diagnósticos diferenciais. Objetivo: Analisar os aspectos clínicos e a resposta terapêutica em 114 doentes com doenças mediastinais, tratados no Serviço de Cirurgia Torácica da Santa Casa de São Paulo, entre 1979 e 1997. Método: Os doentes foram agrupados de acordo com a natureza benigna e maligna da afecção e os dois grupos foram comparados com relação ao sexo, faixa etária, sintomatologia, topografia da lesão, mortalidade e resposta ao tratamento. Resultados: Sessenta e três doentes eram portadores de neoplasias: 31 benignas e 32 malignas. Cinquenta e um não eram neoplásicos. Não foi observada diferença com relação ao sexo ou faixa etária entre os grupos. A metade dos doentes estava entre 20 e 49 anos. O mediastino anterior foi o compartimento mais acometido: 66 doentes, seguidos por 18 no mediastino superior, 16 no posterior e 14 no médio. Os tipos histológicos mais freqüentes eram: doenças benignas do timo (N = 40), tumores mesenquimais (N = 17), linfomas (N = 15), tumores neurais (N = 9), e tumores de células germinativas (N = 8). Houve freqüência maior de tumores malignos sintomáticos (91%) e maior freqüência de tumores benignos entre os doentes assintomáticos (92%). Os sintomas mais freqüentes eram relacionados à miastenia gravis, seguida de dispnéia e dor torácica. Perda ponderal, anorexia e febre foram significantemente mais freqüentes em portadores de neoplasias malignas. Conclusões: Em relação aos aspectos clínicos, podemos afirmar que: predominaram as afecções benignas, foi no adulto jovem a prevalência das doenças mediastinais e as afecções benignas foram mais freqüentes entre os pacientes assintomáticos. O tratamento (clínico/operatório) foi eficaz para a maioria dos doentes: aproximadamente 90% dos doentes portadores de afecções benignas e 45% dos portadores de tumores malignos se beneficiaram; em 73% das afecções benignas o tratamento operatório foi capaz de efetivar a cura. A mortalidade decorrente das complicações foi de 1,75%.

 


Palavras-chave: Descritores - Mediastino. Doenças do mediastino/epidemiologia. Neoplasias do mediastino.

 

8 - Comparação entre os valores de pico e sustentados das pressões respiratórias máximas em indivíduos saudáveis e pacientes portadores de pneumopatia crônica

Comparing peak and sustained values of maximal respiratory pressures in healthy subjects and chronic pulmonary disease patients

J Bras Pneumol.2003;29(4):208-212

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Abstract

Background: The measurement of maximal inspiratory and expiratory pressures is useful for the evaluation of pulmonary function. However, the methods to obtain them are not always properly described. Objective: To identify the difference between the peak pressure values (Ppeak, the highest pressure reached) and the sustained pressure (Pmaxs, the highest pressure sustained for one second) in MIP and MEP evaluation. Method: 55 healthy individuals and 50 patients who were taking part in a pulmonary rehabilitation program, all of them with chronic pulmonary disease, were studied by recording their best maximal inspiratory pressure and maximal expiratory pressure tests. The peak and sustained pressure values were compared and analyzed to determine whether there was a difference between them. Results: The maximum inspiratory pressure records of healthy individuals showed that the maximal peak inspiratory pressure and the maximal inspiratory pressure found were, respectively, 102 ± 33 cmH2O and 92 ± 29 cmH2O (p < 0.001), and those of the patients participating in the pulmonary rehabilitation program were 75 ± 23 cmH2O and 67 ± 22 cmH2O (p < 0.001). The recorded values of maximal expiratory pressure, peak and maximal were 119 ± 42 cmH2O and 110 ± 39 cmH2O (p < 0.001), respectively, for healthy subjects, and 112 ± 40 cmH2O and 103 ± 36 cmH2O (p < 0.001) for the patients. Conclusion: There is a significant difference between Ppeak and Pmaxs, that can lead to different interpretations in the evaluation of the respiratory muscle strength. To minimize interpretation errors, the authors suggest the use of devices which record both values (peak and sustained).

 


Keywords: Pulmonary function tests. Respiratory muscles strength. Maximal respiratory pressures.

 

9 - Desenvolvimento de um modelo experimental de indução de resposta pulmonar neutrofílica em camundongos

Development of an experimental model of neutrophilic pulmonary response induction in mice

Leonardo Araújo Pinto, Camila Camozzato, Monique Avozani, Denise Cantarelli Machado, Marcus Herbert Jones, Renato Tetelbom Stein, Paulo Márcio Condessa Pitrez

J Bras Pneumol.2003;29(4):213-216

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Introdução: Várias doenças pulmonares caracterizam-se por inflamação predominantemente neutrofílica. O melhor entendimento do mecanismo de ação de alguns medicamentos na inflamação das vias aéreas dessas doenças pode trazer avanços no tratamento. Objetivo: Desenvolver um método para induzir uma resposta neutrofílica pulmonar em camundongos, sem infecção ativa. Métodos: Foram utilizados oito camundongos Swiss adultos. O grupo em estudo (n = 4) recebeu um desafio intranasal com Pseudomonas aeruginosa (Psa) mortas, por congelamento, na concentração de 1 x 1012 UFC/ml. O grupo controle (n = 4) foi submetido a um desafio intranasal com soro fisiológico. Dois dias após o desafio intranasal, foi realizado lavado broncoalveolar (LBA), com realização de contagem total de células e celularidade diferencial. Resultados: A contagem total de células foi significativamente superior no grupo com Psa, em relação ao grupo controle (mediana de 1,17 x 106 e 0,08 x 106, respectivamente, p = 0,029). Além disso, foi encontrado predomínio absoluto de neutrófilos na celularidade diferencial dos camundongos que receberam o desafio com Psa. Conclusão: O modelo de indução de doença pulmonar neutrofílica com bactérias mortas, após congelamento, foi desenvolvido com sucesso. Este modelo de indução de resposta inflamatória neutrofílica no pulmão de camundongos Swiss pode ser um importante instrumento para testar o efeito antiinflamatório de alguns antimicrobianos na inflamação das vias aéreas inferiores.

 


Palavras-chave: Experimentação animal. Neutrófilos. Doenças pulmonares. Pseudomonas. Inflamação.

 

Relato de Caso

10 - Hemorragia alveolar difusa por capilarite pulmonar pauci-imune

Diffuse alveolar hemorrhage resulting from pauci-immune pulmonary capillaritis

Andreia Salarini Monteiro, Gabriela Addor, David Henrique Nigri, Wilhermo Torres, Carlos Alberto de Barros Franco

J Bras Pneumol.2003;29(4):217-220

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Paciente de 27 anos, usuária de cocaína, apresentando hemoptise e dispnéia progressiva de início 48 horas antes da internação, sem outros sinais e sintomas. Sorologias para doenças infecciosas, doenças do colágeno e vasculites negativas. Exame de urina tipo I. Tomografia computadorizada de tórax com infiltrado alveolar difuso, principalmente em lobo inferior esquerdo. Submetida a biópsia pulmonar por toracoscopia para esclarecimento diagnóstico. Histopatológico mostrou capilarite e hemorragia alveolar difusa. Tratada com pulsoterapia com esteróide e ciclofosfamida, obteve boa resposta clínica e radiológica. Recentemente descrita, a capilarite pulmonar pauci-imune é caracterizada pela presença de capilarite pulmonar isolada e sorologias para doenças auto-imunes negativas.

 


Palavras-chave: Hemorragia. Alvéolos pulmonares/fisiopatologia.

 

11 - Associação de silicose e lúpus eritematoso sistêmico

Silicosis associated with systemic lupus erythematosus

Shirley Castro Holanda, Maria do Socorro T.M. Almeida, Antônio de Deus Filho

J Bras Pneumol.2003;29(4):221-224

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A hipótese de que a exposição à sílica esteja associada a ampla gama de doenças auto-imunes, incluindo lúpus eritematoso sistêmico, tem sido discutida na última década. Porém, poucos casos de silicose e lúpus eritematoso sistêmico têm sido descritos na literatura. Relata-se o caso de um paciente masculino na 5ª década de vida, com antecedentes de exposição à sílica, tendo trabalhado como cavador de poços durante 10 anos. O paciente iniciou quadro articular, picos febris esporádicos, anemia, fator antinuclear positivo, padrão periférico (1/10) e homogêneo (1/500) e tosse produtiva. A tomografia computadorizada do tórax mostrou processo intersticial difuso, nódulos bilaterais, calcificações hilares, paraaórtica e paratraqueal, compatíveis com silicose pulmonar e ganglionar. Evoluiu para síndrome do desconforto respiratório agudo e óbito.

 


Palavras-chave: Lúpus eritematoso sistêmico. Silicose. Pneumoconiose. Doenças auto-imunes.

 

Artigo de Revisão

12 - Valor de citologia e biópsia pleural no diagnóstico diferencial dos derrames pleurais indeterminados

The value of cytology and pleural biopsy in the differential diagnostic of nonspecific pleural effusions

Vera Luiza Capelozzi, Danieli Cheke da Rosa, Aloísio S. Felipe da Silva

J Bras Pneumol.2003;29(4):225-234

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Um percentual considerável de derrames pleurais fica sem esclarecimento diagnóstico; nessas situações, o resultado anatomopatológico de pleurite crônica inespecífica deveria ser revisto. O tema tem importância não somente para o patologista, mas predominantemente para o pneumologista, que acaba sendo aquele que, na prática, faz a correlação anatomoclínica. Ainda que se aceite a existência de critérios estabelecidos, estes são certamente subjetivos e dificultam o relacionamento através de uma linguagem comum, sobretudo entre os patologistas. Recentemente, os autores realizaram estudo com 311 biópsias pleurais cujo diagnóstico histopatológico havia sido pleurite crônica inespecífica. Todos os espécimes foram revisados e os parâmetros histopatológicos quantificados por estereologia. Os pacientes foram estratificados de acordo com o diagnóstico definitivo de sua doença, sendo incluídos casos de uremia, vasculite, pancreatite, tuberculose, câncer e insuficiência cardíaca congestiva, considerando neste caso a pleura como normal. Tal procedimento permitiu obter um modelo discriminante cujos subcritérios morfológicos, na pleurite crônica inespecífica, classificaram quase 90% das biópsias de acordo com o diagnóstico clínico definitivo, que incluiu pleurite crônica inespecífica verdadeira ou pleurite tuberculosa, paraneoplásica ou ainda pleura normal. Se a este modelo for incorporada a bioquímica ou a citologia diferencial do líquido pleural, o poder classificatório atinge 99% de acerto. Este estudo representa o resultado da experiência adquirida ao longo dos anos com a interpretação histopatológica da biópsia de pleura, que se fundamenta na correlação da morfologia com a bioquímica e a citologia do líquido pleural.

 


Palavras-chave: Biópsia por agulha. Pleura/patologia. Pleura/citologia. Derrame pleural.

 

13 - Remodelamento do tecido pulmonar na síndrome do desconforto respiratório agudo

Lung tissue remodeling in the acute respiratory distress syndrome

Alba Barros de Souza, Flavia Brandão dos Santos, Elnara Marcia Negri, Walter Araujo Zin, Patricia Rieken Macedo Rocco

J Bras Pneumol.2003;29(4):235-245

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A síndrome do desconforto respiratório agudo caracteriza-se por lesão alveolar difusa (LAD), que cursa, progressivamente, com três fases: exsudativa, fibroproliferativa e fibrótica. Na fase exsudativa há edemas intersticial e alveolar com membrana hialina. A fase fibroproliferativa é caracterizada por organização de exsudato e fibroelastogênese. Há proliferação de pneumócitos tipo II para cobrir a superfície epitelial lesada e eles, posteriormente, se diferenciam em pneumócitos tipo I. A fase fibroproliferativa inicia-se precocemente e sua gravidade está relacionada ao prognóstico do paciente. As alterações observadas nos fenótipos de células do parênquima pulmonar direcionam o remodelamento tecidual para fibrose progressiva ou para restauração da arquitetura alveolar normal. A fase fibrótica é caracterizada por deposição anormal e excessiva de proteínas da matriz extracelular, principalmente colágeno. O controle dinâmico da deposição e degradação do colágeno é regulado pelas metaloproteinases e seus reguladores teciduais. A deposição de proteoglicanos na matriz extracelular de pacientes com SDRA necessita ser melhor estudada. A regulação do remodelamento da matriz extracelular, em condições normais e em numerosas doenças pulmonares como na SDRA, resulta de um complexo mecanismo integrativo da transcrição de elementos que degradam as proteínas da matriz e produzem ativação/inibição de diversos tipos celulares do tecido pulmonar. Neste artigo de revisão, serão analisados: a organização da MEC na SDRA, os diferentes mecanismos de remodelamento do parênquima pulmonar, bem como o papel das citocinas na regulação dos diferentes componentes da matriz durante o processo de remodelamento.

 


Palavras-chave: Síndrome do desconforto respiratório. Alvéolos pulmonares/lesões. Matriz extracelular. Citocinas/ultra-estrutura.

 

Aprimoramento

14 - Asma grave: uma questão de prescrição ou de diagnóstico?

Afrânio Kritski

J Bras Pneumol.2003;29(4):248-250

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