Jornal Brasileiro de Pneumologia

ISSN (on-line): 1806-3756

ISSN (impressa): 1806-3713

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Ano 2003 - Volume 29  - Número 5  (Setembro/Outubro)






Editorial

1 - Bom para alguns, ótimo para outros

Sérgio Saldanha Menna Barreto

J Bras Pneumol.2003;29(5):251-

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Artigo Original

2 - Tumores do mediastino em crianças

Mediastinal tumors in children

José Carlos Fraga, Marcia Komlós, Eliziane Takamatu, Luciano Camargo, Fábio Contelli, Algemir Brunetto, Carlos Antunes

J Bras Pneumol.2003;29(5):253-257

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Introdução: Os tumores mediastinais na criança compreendem um grupo heterogêneo de lesões com origem embrionária distinta. Podem apresentar-se como cistos benignos ou lesões malignas. Objetivo: Descrever os procedimentos diagnósticos, tratamento e evolução de uma série de crianças e adolescentes com tumores do mediastino. Método: Análise retrospectiva de vinte crianças com tumores de mediastino, no período de julho de 1996 a julho de 2002 no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Todos os pacientes foram submetidos a algum procedimento cirúrgico, seja diagnóstico, terapêutico ou ambos. Resultados: Doze meninos e oito meninas foram estudados. A idade média no momento do diagnóstico foi de seis anos e oito meses, variando entre três meses e 16 anos. Quatorze tumores (70%) ocorreram no mediastino anterior, sendo os mais comuns os linfomas de Hodgkin e não-Hodgkin; seis tumores (30%) ocorreram no mediastino posterior, sendo o neuroblastoma o mais freqüente. Nos tumores anteriores, a abordagem cirúrgica mais comum foi a toracotomia anterior de Chamberlain; nos posteriores, a toracotomia póstero-lateral. No período de seguimento ocorreram seis óbitos, todos sem nenhuma relação com o procedimento cirúrgico. Conclusão: Os tumores mediastinais em crianças são responsáveis por morbimortalidade. No mediastino anterior foram mais comuns os linfomas; no posterior, os tumores de origem neural. A cirurgia é um passo importante no diagnóstico e tratamento dessas lesões.

 


Palavras-chave: Tumores. Mediastino. Criança. Linfoma/cirurgia.

 

3 - Bronquiectasias: aspectos diagnósticos e terapêuticos Estudo de 170 pacientes

Bronchiectasis: diagnostic and therapeutic features A study of 170 patients

José da Silva Moreira, Nelson da Silva Porto, José de Jesus Peixoto Camargo, José Carlos Felicetti, Paulo Francisco Guerreiro Cardoso, Ana Luiza Schneider Moreira, Cristiano Feijó Andrade

J Bras Pneumol.2003;29(5):258-263

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Introdução: Bronquiectasias são freqüentemente encontradas na prática médica no Brasil, levando a significativa morbidez e comprometimento da qualidade de vida de seus portadores. Objetivos: Analisar aspectos diagnósticos e terapêuticos em uma série de pacientes com bronquiectasias atendidos em um serviço de doenças pulmonares. Método: Sinais, sintomas, achados radiográficos e microbiológicos, e resultados terapêuticos foram estudados em 170 pacientes portadores de bronquiectasias hospitalizados no período de 1978 a 2001 - 62,4% do sexo feminino, 37,6% do masculino, com idade média de 37 anos, variando entre 12 e 88 anos. Resultados: Antecedente de pneumonia na infância foi detectado em 52,5% dos pacientes, de tratamento tisiológico em 19,8%; 8,8% tinham asma brônquica, e dois tinham síndrome de Kartagener. Os sintomas mais comuns foram tosse (100%), expectoração (96%) e estertores pulmonares (66%). As lesões eram unilaterais em 46,5% dos casos. Pneumococo, H. influenzae ou flora mista estiveram presentes em 85% das amostras de escarro examinadas. Os 170 pacientes receberam inicialmente tratamento clínico à base de antibióticos e fisioterapia respiratória; 88 deles (52%) - mais jovens, com lesões menores e boa reserva funcional - foram submetidos à cirurgia de ressecção pulmonar (82 unilaterais e seis bilaterais). Ocorreram dois óbitos hospitalares entre os pacientes que receberam tratamento exclusivamente clínico. Os pacientes tratados cirurgicamente tiveram acentuada melhora dos sintomas, raramente necessitando ser reinternados. Conclusões: Os prolongados sintomas broncopulmonares foram permanentemente aliviados na maioria dos pacientes com bronquiectasias que puderam ir à cirurgia de ressecção pulmonar, diferentemente dos que seguiram com o tratamento clínico.

 


Palavras-chave: Bronquiectasia/diagnóstico. Bronquiectasia/cirurgia. Bronquiectasia/terapia. Bronquiectasia/complicações. Tomografia computadorizada por raios X/métodos. Pacientes internados. Estudos retrospectivos.

 

4 - Tabagismo em amostra de adolescentes escolares de Salvador-Bahia

Smoking among school adolescents in Salvador (BA)

Adelmo Souza Machado Neto, Álvaro A. Cruz2

J Bras Pneumol.2003;29(5):264-272

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Introdução: O hábito de fumar em geral se inicia na adolescência. No Brasil, as estimativas da freqüência deste hábito entre adolescentes variam de 1% até 35%. Objetivo: Estimar a prevalência do tabagismo entre os adolescentes da oitava série do ensino fundamental à terceira série do curso médio, em escolas de Salvador - Bahia, Brasil. Método: Feito um estudo do tipo corte transversal de caráter exploratório. Foram aplicados 3.500 questionários a alunos matriculados entre a 8ª série do ensino fundamental e a 3ª série do ensino médio, em cinco escolas da região metropolitana de Salvador (BA). Análise estatística: medidas descritivas e de associação (razão de prevalência) e o teste t de Student e o do qui-quadrado. Resultados: A prevalência do tabagismo entre adolescentes de Salvador (BA) foi de 9,6%, considerando-se os 3.180 questionários válidos, sendo maior no sexo masculino (14%) que no feminino (6%). À medida que aumentava a idade, elevava-se essa prevalência. A média de idade do início do tabagismo foi de 14 ± 2 anos. Dentre adolescentes, 46% experimentaram o cigarro e 20% destes continuaram fumando. Entre filhos de fumantes a freqüência foi maior. O número médio de cigarros consumidos por dia pelos adolescentes que fumavam diariamente (n = 132) foi de 7 ± 6, sendo maior no sexo masculino. Conclusão: A prevalência do tabagismo em uma amostra selecionada de adolescentes escolares de Salvador (BA) foi de 9,6%, sendo maior entre os indivíduos do sexo masculino. A experimentação e a influência dos pais foram associadas ao tabagismo nos adolescentes.

 


Palavras-chave: Tabagismo/epidemiologia. Adolescente. Estudantes. Tabaco.

 

5 - Timectomia estendida por cirurgia torácica videoassistida e cervicotomia no tratamento da miastenia

Extended thymectomy through video assisted thoracic surgery and cervicotomy in the treatment of myasthenia

Eduardo Haruo Saito, Cláudio Higa, Rodolfo Acatauassu Nunes, Gérson C. Magalhães, Luiz Carlos Aguiar Vaz, Vicente Faria Cervante

J Bras Pneumol.2003;29(5):273-279

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Introdução: A relação entre a miastenia e o timo é evidente e o tratamento atual desta condição inclui a timectomia. No entanto, uma revisão de nossa experiência com a timectomia revelou a necessidade do uso de uma técnica mais radical. Objetivo: Analisar retrospectivamente pacientes portadores de miastenia gravis que foram submetidos a timectomia radical por videotoracoscopia, ressaltando vantagens do método, complicações, análise histopatológica e resultados em relação ao controle da doença. Material e método: Vinte e um pacientes miastênicos (18 do sexo feminino e três do sexo masculino, com idade variando de 17 a 51 anos) foram submetidos a timectomia por videotoracoscopia bilateral associada a cervicotomia transversa com ressecção da glândula tímica, dos tecidos peritímicos e das gorduras pericárdicas direita e esquerda. Todos os tecidos implicados foram analisados pela anatomia patológica separadamente. Houve acompanhamento por período médio de 39,2 meses. Resultados: Não houve mortalidade operatória. Ocorreram duas (9,5%) lesões vasculares e um (4,8%) paciente passou a apresentar disfonia leve permanente. Dezenove (90,4%) pacientes estão com boa evolução, sem medicação ou com dose reduzida da mesma. A histopatologia demonstrou 10 hiperplasias do timo, seis involuções tímicas e cinco timos normais. A presença de tecido tímico ectópico foi detectada em seis (28,6%) pacientes. Conclusão: A timectomia radical por videotoracoscopia ofereceu bom controle da miastenia gravis. Fez-se ressecção de tecido tímico ectópico em alguns pacientes.

 


Palavras-chave: Tórax. Cirurgia assistida por vídeo. Miastenia gravis. Timectomia.

 

6 - Controle da hemoptise maciça com broncoscopia rígida e soro fisiológico gelado

Management of massive hemoptysis with the rigid bronchoscope and cold saline lavage

Giovanni Antonio Marsico, Carlos Alberto Guimarães, Jorge Montessi, Antonio Miguel Martins da Costa, Levi Madeira

J Bras Pneumol.2003;29(5):280-286

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Introdução: A hemoptise volumosa é uma condição com alta morbidade e mortalidade, independentemente do tratamento instituído. Vários métodos são utilizados para o controle do sangramento agudo. A instilação de soro fisiológico gelado através de broncoscópio rígido foi descrita em 1980. Objetivo: Determinar a eficácia de instilações repetidas de soro fisiológico gelado a 4oC através de broncoscópio rígido no controle agudo de hemoptise maciça. Método: Uma série de 94 pacientes, com hemoptise maciça, foi tratada durante sangramento ativo com broncoscopia rígida e lavagem do pulmão sangrante com soro fisiológico gelado. Foi considerado sucesso terapêutico a ausência de sangramento nos 15 dias subseqüentes. Causas de hemoptise, com o respectivo número de pacientes: tuberculose pulmonar, 78 (83%), sendo tuberculose ativa em 48 e seqüela de tuberculose em 30; bronquiectasias, seis; câncer de pulmão, cinco; aspergiloma intracavitário, três, e desconhecida, dois. O sítio de sangramento foi localizado em 93 pacientes (99%). O volume médio de soro infundido durante a broncoscopia foi de 528ml e variou de 160ml a 2.500ml. Resultados: O sangramento cessou durante o procedimento em todos os pacientes. Em 15 pacientes foi feita alguma intervenção (cirurgia, embolização ou radioterapia) num prazo menor que 15 dias, e nestes a eficácia da lavagem não pôde ser avaliada. A hemoptise recorreu em 20 dos 79 pacientes acompanhados por mais de 15 dias. Houve necessidade de nova lavagem com soro fisiológico uma vez em 13 pacientes, duas vezes em seis e três vezes em um paciente. Conclusão: O controle imediato da hemorragia traqueobrônquica com a administração de soro fisiológico gelado através de broncoscopia rígida é efetivo e pode ser repetido em caso de recorrência do sangramento. O procedimento é seguro e permite que o tratamento definitivo possa ser realizado em melhores condições clínicas.

 


Palavras-chave: Hemoptise. Tuberculose. Broncoscopia.

 

7 - Efeitos de programa de exercícios físicos direcionado ao aumento da mobilidade torácica em pacientes portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica

Effects of a physical exercises program designed to increase thoracic mobility in patients with chronic obstructive pulmonary disease

Elaine Paulin, Antonio Fernando Brunetto, Celso Ricardo Fernandes Carvalho

J Bras Pneumol.2003;29(5):287-294

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ntrodução: A doença pulmonar obstrutiva crônica acarreta prejuízos na mecânica pulmonar e musculatura periférica. O treinamento físico dos pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica é geralmente voltado à melhora das condições aeróbias e são raros os programas que abordam especificamente as alterações da caixa e musculatura torácicas. Objetivo: Avaliar o efeito de um programa de exercícios físicos direcionados ao aumento da mobilidade da caixa torácica sobre a capacidade funcional e psicossocial de pacientes portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica moderada e grave. Método: Foram estudados 30 pacientes portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica moderada e grave, divididos aleatoriamente em dois grupos: controle (GC) e tratado (GT). O GC foi submetido a um programa de educação e o GT foi submetido ao mesmo programa educacional e a um programa de exercícios físicos objetivando o aumento da mobilidade torácica. Os efeitos dos programas foram avaliados pela espirometria, mobilidade torácica, qualidade de vida, níveis de ansiedade e depressão e teste da caminhada de seis minutos (TC6). Resultados: Após dois meses de treinamento, somente o GT apresentou aumento na expansibilidade torácica (de 4,20 ± 0,58cm para 5,27 ± 0,58cm; p = 0,05) e no TC6 (de 469,73 ± 31,99m para 500,60 ± 27,38m; p = 0,01). Foi observado também que o GT apresentou melhora na qualidade de vida avaliada pelo St. George's Respiratory Questionnaire (SGRQ) e Chronic Respiratory Questionnaire (CRQ), bem como nos níveis de depressão após dois meses de tratamento. Não houve melhora da função pulmonar em nenhum dos dois grupos estudados. Conclusão: Exercícios direcionados ao aumento da mobilidade da caixa torácica melhoram a expansibilidade torácica, a qualidade de vida e a capacidade submáxima de exercício, bem como reduzem a dispnéia e os níveis de depressão nos pacientes portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica.

 


Palavras-chave: DPOC. Mobilidade torácica. Qualidade de vida. Capacidade de exercício. Dispnéia.

 

Aprimoramento

8 - Estudo sobre a eficácia da aerostasia pulmonar, em modelo animal, utilizando diferentes tipos de suturas

Study about the ability of the pulmonary aerostasia, in animal model, using differents parenchymal pulmonary types of the sutures

Darcy Ribeiro Pinto Filho

J Bras Pneumol.2003;29(5):295-301

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Introdução: A busca de um modelo perfeito de aerostasia pulmonar, após cirurgias que envolvam ressecções parciais, permanece um desafio para a prática da cirurgia torácica. Objetivo: Avaliar e comparar, em um modelo animal (suínos), a eficácia de quatro diferentes tipos de sutura pulmonar em manter aerostasia. Método: Estudo experimental, ex vivo, em pulmões de suínos, realizado no biotério da Universidade de Caxias do Sul. Quatro tipos de sutura pulmonares foram avaliadas: tipo 1, sutura manual com fios cirúrgicos absorvíveis; tipo 2, grampeador exclusivo; tipo 3, grampeador recoberto por pericárdio bovino e tipo 4, grampeador recoberto por cola biológica. As suturas foram submetidas a níveis crescentes de pressão, que variaram de 10cmH2O a 60cmH2O. O teste do borracheiro avaliou o hermetismo das suturas. Resultados: A média de pressão em que se observou perda do hermetismo pulmonar foi de 29cmH2O no tipo 1 (n = 10); 38,5cmH2O no tipo 2 (n = 10); 44cmH2O no tipo 3 (n = 10) e 51,4cmH2O no tipo 4 (n = 10). A comparação entre as médias mostrou diferença estatística apenas entre as suturas tipo 1 e as suturas tipo 3 e 4, p = 0,04 e p < 0,01. Conclusão: As suturas pulmonares com grampeadores revestidos por pericárdio bovino ou recobertos por cola biológica, quando comparadas às suturas que utilizaram fio cirúrgico isoladamente, mostraram maior eficácia em manter aerostasia pulmonar em pulmões de suínos. No entanto, não há diferença na eficácia em manter aerostasia pulmonar de suínos, quando se utilizaram suturas com grampeadores isolados ou revestidos por pericárdio bovino ou cola biológica.

 


Palavras-chave: Cirurgia torácica. Cola biológica. Grampeadores.

 

Relato de Caso

9 - Sildenafil no tratamento da hipertensão pulmonar associada a lúpus eritematoso sistêmico e síndrome antifosfolipídio

Sildenafil for treatment of pulmonary hypertension in association with systemic lupus erythematosus and anti-phospholipid syndrome

Eduardo José do Rosário e Souza, Junia Rios Garib, Nasim Michel Garib, Paulo Madureira de Pádua

J Bras Pneumol.2003;29(5):302-304

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Hipertensão pulmonar grave é uma doença debilitante, com expectativa de vida reduzida, que acomete adultos jovens. Complicações pleuropulmonares no lúpus eritematoso sistêmico ocorrem em 50% a 70% dos pacientes. A hipertensão pulmonar grave no lúpus eritematoso sistêmico é rara e tem prognóstico reservado. Descreve-se, pela primeira vez, um paciente com hipertensão pulmonar grave associada a lúpus eritematoso sistêmico e síndrome antifosfolipídio secundário que apresentou boa resposta ao uso do sildenafil oral, após falha do tratamento convencional com corticosteróides, ciclofosfamida, warfarin e diltiazem.

 


Palavras-chave: Vasodilatadores/uso terapêutico. Lúpus eritematoso sistêmico. Anticorpos antifosfolipídios. Inibidores da fosfodiesterase.

 

10 - Resolução do "shunt" direita-esquerda após uso do sildenafil como tratamento de hipertensão pulmonar primária

Resolution of right-to-left shunt after primary pulmonary hypertension treatment with sildenafil

Sérgio Marques da Silva, Carla Bastos Valeri, Humberto Bassit Bogossian, Carlos Jardim, Sérgio Eduardo Demarzo, Rogério Souza

J Bras Pneumol.2003;29(5):305-308

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Hipertensão pulmonar primária é uma doença rara, progressiva e com alta mortalidade, cujo tratamento baseia-se em medicações de alto custo e pouco disponíveis em nosso meio. O sildenafil é um vasodilatador de fácil administração por via oral, com indicação primária para disfunção erétil e que recentemente tem sido descrito como opção terapêutica para a hipertensão pulmonar primária. Relata-se o caso de uma paciente de 21 anos com diagnóstico de hipertensão pulmonar primária, que apresentou piora abrupta da saturação de oxigênio, com abertura do forame oval e shunt direita-esquerda, evidenciados ao ecocardiograma. Foi introduzido sildenafil na dose de 225mg/dia com melhora progressiva da oxigenação e reversão do shunt após 40 dias. Os autores acreditam que o sildenafil seja uma opção no tratamento da hipertensão pulmonar primária, embora estudos clínicos que comprovem sua segurança e eficácia ainda sejam necessários.

 


Palavras-chave: Hipertensão pulmonar/terapia. Vasodilatadores/administração & dosagem.

 

Artigo de Revisão

11 - Síndrome pulmonar e cardiovascular por hantavírus

Hantavirus pulmonary and cardiovascular syndrome

Mariangela Pimentel Pincelli, Carmen Sílvia Valente Barbas, Carlos Roberto Ribeiro de Carvalho, Luiza Terezinha Madia de Souza, Luís Tadeu Moraes Figueiredo

J Bras Pneumol.2003;29(5):309-324

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A síndrome pulmonar e cardiovascular por hantavírus é uma doença de conhecimento relativamente recente e freqüentemente fatal, apresentando-se como síndrome do desconforto respiratório agudo. No Brasil, desde o primeiro surto, relatado em novembro/dezembro de 1993, em Juquitiba, 226 casos já foram registrados pela Fundação Nacional da Saúde. A doença afeta indivíduos previamente hígidos, apresentando-se com pródromo febril e sintomas semelhantes aos de um resfriado comum, podendo rapidamente evoluir para edema pulmonar, insuficiência respiratória aguda e choque. A hemoconcentração e a plaquetopenia são comuns da síndrome pulmonar e cardiovascular por hantavírus, e o quadro radiológico típico é de um infiltrado intersticial bilateral difuso, que progride rapidamente para consolidações alveolares, paralelamente à piora do quadro clínico. A mortalidade inicial era em torno de 75% e declinou para aproximadamente 35%, nos últimos anos. Os pacientes que sobrevivem geralmente recuperam-se completamente, cerca de uma semana após o estabelecimento do quadro respiratório. O agente causal, não reconhecido até há pouco, foi identificado como um hantavírus, cujo reservatório natural são animais roedores da família Muridae, subfamília Sigmodontinae. O tratamento específico antiviral ainda não é bem estabelecido, estando em estudo a eficácia de ribavirina. Cuidados de terapia intensiva como ventilação mecânica e monitoramento hemodinâmico invasivo são necessários nas formas mais graves da doença. Essas medidas, se instituídas precocemente, podem melhorar o prognóstico e a sobrevida dos pacientes com síndrome pulmonar e cardiovascular por hantavírus.

 


Palavras-chave: Síndrome pulmonar por hantavírus/diagnóstico. Infecções por hantavirus/diagnóstico. Brasil.

 

12 - Óxido nítrico inalatório: considerações sobre sua aplicação clínica

Inhaled nitric oxide: clinical application

Gisele Limongeli Gurgueira, Werther Brunow de Carvalho

J Bras Pneumol.2003;29(5):325-331

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O objetivo dos autores é relatar alguns aspectos da aplicação clínica e terapêutica do óxido nítrico inalatório em pediatria. As referências foram obtidas através do Medline® utilizando as palavras-chave: óxido nítrico inalatório e pediatria, e cuidados intensivos. Outras bases de pesquisa utilizadas foram obtidas na biblioteca da universidade e em arquivos pessoais. Na última década, os estudos clínicos com o óxido nítrico inalatório comprovaram sua eficácia somente em situações específicas e associação a uma variedade de efeitos adversos. A toxicidade do óxido nítrico inalatório inclui metahemoglobinemia, efeitos citotóxicos pulmonares, produção aumentada de dióxido de nitrogênio e peroxinitrito e alterações no sistema surfactante pulmonar. A administração do óxido nítrico inalatório a pacientes com disfunção ventricular esquerda grave e hipertensão pulmonar deve ser extremamente cautelosa, pois a vasodilatação determina elevação do fluxo sanguíneo pulmonar, podendo aumentar muito a pré-carga. Alguns estudos observaram efeitos clínicos relacionados com a retirada abrupta do óxido nítrico inalatório, como a hipertensão pulmonar rebote. Atualmente, de acordo com a literatura médica, o uso do óxido nítrico inalatório está aprovado na hipertensão pulmonar persistente do neonato (idade gestacional igual a ou acima de 34 semanas) para melhorar a oxigenação e evitar a necessidade de oxigenação por membrana extracorpórea e nas cardiopatias congênitas acompanhadas de hipertensão pulmonar, principalmente durante o pós-operatório imediato. Até hoje algumas pesquisas pediátricas e estudos multicêntricos em adultos não conseguiram demonstrar redução na mortalidade e no tempo de ventilação pulmonar mecânica com o uso do óxido nítrico inalatório na síndrome do desconforto respiratório agudo e na lesão pulmonar aguda. Investigações futuras são necessárias para esse uso. A hipertensão pulmonar persistente é a indicação mais importante para o uso do óxido nítrico inalatório. A Food and Drug Administration não aprova o uso do óxido nítrico inalatório para síndrome do desconforto respiratório agudo em crianças e adultos.

 


Palavras-chave: Óxido nítrico/uso terapêutico. Hipertensão pulmonar. Cuidados críticos. Pediatria.

 

 


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