Jornal Brasileiro de Pneumologia

ISSN (on-line): 1806-3756

ISSN (impressa): 1806-3713

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Ano 2003 - Volume 29  - Número 6  (Novembro/Dezembro)






Editorial

1 - O espírito do Jornal de Pneumologia

Geraldo Lorenzi-Filho

J Bras Pneumol.2003;29(6):335-

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2 - Prevendo a sobrevida da fibrose pulmonar idiopática: estamos melhorando?

Harold R. Collard, Talmadge E. King Jr.

J Bras Pneumol.2003;29(6):336-337

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3 - Perfil dos pacientes portadores de Mycobacterium SP

Afrânio Lineu Kritski

J Bras Pneumol.2003;29(6):338-339

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Artigo Original

4 - Pneumopatia causada por Mycobacterium kansasii

Lung disease caused by Mycobacterium kansasii

Nelson Morrone, Maria do Carmo Cruvinel, Nelson Morrone Junior, José Antonio dos Santos Freire, Lilia Maria Lima de Oliveira, Carla Gonçalves

J Bras Pneumol.2003;29(6):341-349

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ntrodução: O Mycobacterium kansasii é uma micobactéria não tuberculosa que pode causar colonização ou infecção pulmonar. Objetivo: Relatar experiência com doença pulmonar causada pelo M. kansasii em uma série de seis pacientes diagnosticados ao longo de cinco anos. Método: Entre junho de 1995 e junho de 2000 foram admitidos 1.349 pacientes no Dispensário do Ipiranga Ari Nogueira da Silva-Sanatorinhos, com o diagnóstico de tuberculose pulmonar, dos quais seis tiveram cultura positiva para M. kansasii. Resultados: Cinco pacientes eram homens e a idade variou entre 25 e 77 anos. Todos apresentavam pneumopatia crônica e eram sintomáticos respiratórios com teste negativo para síndrome de imunodeficiência humana. As radiografias de tórax eram compatíveis com a presença de doença pulmonar prévia: cavidades de paredes finas foram notadas em todos e espessamento pleural subjacente às cavidades foi observado em dois pacientes. Todos foram tratados inicialmente com isoniazida, rifampicina, pirazinamida (INH-RMP-PZA) e etambutol (EMB) foi introduzido precocemente em dois pacientes por intolerância à pirazinamida, enquanto que em outros dois a introdução foi feita ao ser conhecido o resultado da cultura. Todos os pacientes foram tratados por mais de nove meses, tendo sido observada recidiva em um deles. Um paciente com silicose faleceu após dois anos por insuficiência respiratória, depois de ter sido considerado curado. Conclusões: A micobacteriose por M. kansasii foi encontrada com baixa freqüência, podendo estar relacionada às características dos pacientes encaminhados ao nosso serviço. O esquema INH-RMP-PZA, com substituição eventual da PZA por etambutol, mostrou sucesso terapêutico.

 


Palavras-chave: Mycobacterium kansasii. Pneumopatias. Insuficiência respiratória.

 

Editorial

4 - Quem espera nem sempre alcança

Daniel Deheinzelin

J Bras Pneumol.2003;29(6):340-

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Artigo Original

6 - Fatores associados aos tratamentos inadequados em grupo de portadores de tuberculose multirresistente

Factors associated with inadequate treatment in a group of patients with multidrug-resistant tuberculosis

Elizabeth Clara Barroso, Rosa Maria Salani Mota, Maria Filomena Martiniano Morais, Creusa Lima Campelo, Joana Brasileiro Barroso, Jorge Luis Nobre Rodrigues

J Bras Pneumol.2003;29(6):350-357

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Introdução: A tuberculose multirresistente é uma ameaça ao controle da tuberculose em todo o mundo. Tratamento inadequado é freqüentemente apontado como fator de risco para tuberculose multirresistente. Objetivo: Identificar fatores associados ao tratamento inadequado em portadores de tuberculose multirresistente. Método: Foram levantados e identificados os testes de sensibilidade para tuberculose, realizados no Laboratório Central do Estado do Ceará de 1990 a 1999. Foi realizado um estudo retrospectivo e prospectivo, em grupo de portadores de tuberculose multirresistente, comparando as características dos pacientes com tratamento adequado com as dos com tratamentos inadequados. Foi considerado multirresistente o bacilo resistente a pelo menos rifampicina + isoniazida e utilizado o método das proporções. Resultados: Dos 1.500 testes de sensibilidade realizados, 266 eram multirresistentes. Destes, identificaram-se apenas 153 pacientes, dos quais 19 foram excluídos, restando, no estudo, 134 pacientes. Pela análise univariada os fatores associados significativamente ao tratamento inadequado foram: não-adesão ao tratamento, pobreza extrema, intolerância medicamentosa, falha no atendimento, falta de medicação, dois ou mais tratamentos anteriores, lesões radiológicas bilaterais e grandes cavidades pulmonares. Foi encontrada ainda associação (p < 0,001) de alcoolismo e/ou tabagismo com a não-adesão. Na análise multivariada, permaneceram associados ao tratamento inadequado: dois ou mais tratamentos anteriores (p < 0,0001, OR = 5,9; IC 95%: 2,5-13,7), grandes cavidades pulmonares (p < 0,0217, OR = 2,7; IC 95%: 1,2-6,1) e lesões radiológicas bilaterais (p < 0,0226, OR = 3,2; IC 95%: 1,4-7,4). Conclusão: Neste estudo, observou-se que os fatores associados aos tratamentos inadequados são de grande abrangência. Deve existir uma tentativa para controlar melhor a doença, principalmente nos pacientes em retratamento e nos portadores de grandes cavidades e/ou lesões bilaterais na radiografia torácica.

 


Palavras-chave: Tuberculose resistente a múltiplas drogas. Fatores de risco.

 

7 - Retardo no diagnóstico e no tratamento cirúrgico do câncer de pulmão

Delay in the diagnosis and surgical treatment of lung cancer

Marli Maria Knorst, Rodrigo Dienstmann, Luciane Pankowski Fagundes

J Bras Pneumol.2003;29(6):358-364

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Introdução: O câncer de pulmão é a principal causa de morte relacionada a câncer no mundo. Objetivo: Determinar o tempo despendido com o diagnóstico, o estadiamento e o tratamento cirúrgico do câncer de pulmão em um hospital universitário. Método: Entre janeiro de 1990 e dezembro de 1998, 69 pacientes receberam diagnóstico de câncer de pulmão e foram tratados com cirurgia no Hospital das Clínicas de Porto Alegre. Os prontuários destes pacientes (53 homens e 16 mulheres) foram revisados, sendo coletados dados clínicos, histológicos, datas de consultas ambulatoriais, de internação hospitalar, de exames e de procedimentos, assim como o local de investigação. Resultados: Quinze pacientes foram investigados em ambulatório (grupo I), 28 em ambulatório e durante internação (grupo II) e 26 durante internação (grupo III). A idade dos pacientes variou entre 43 e 79 anos (média de 61 ± 10 anos). Quarenta e três pacientes eram tabagistas atuais e 23 ex-tabagistas. O tempo médio do aparecimento dos sintomas até a primeira consulta foi de 110 dias e da primeira consulta até o diagnóstico foi de 33 dias. Vinte e cinco dias transcorreram entre o diagnóstico e a cirurgia. A média de tempo da primeira consulta até a cirurgia (tempo total) foi de 58 dias. A média do tempo total foi de 72 dias no grupo I, 72 dias no grupo II e 35 dias no grupo III (p < 0,01). Não houve diferença significativa no tempo total, considerando-se os diferentes estádios da doença (p = 0,16). Conclusões: Os resultados mostraram retardo na procura de atendimento médico e retardo adicional no tratamento do câncer de pulmão em pacientes cuja investigação foi ambulatorial.

 


Palavras-chave: Neoplasias pulmonares/cirurgia. Avanços da doença.

 

8 - Perfil e seguimento dos pacientes portadores de Mycobacterium sp. do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais

Profile and follow-up of patients with Mycobacterium sp. at the Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais

Giselle Carvalho Froes, Rosane Luiza Coutinho, Marcelo Nardy de Ávila, Leandra Rocha Cançado, Silvana Spíndola de Miranda

J Bras Pneumol.2003;29(6):365-370

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ntrodução: Em levantamentos feitos no Laboratório de Micobactérias do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, em anos anteriores, constatou-se que cerca de 42% dos pacientes portadores de micobacterioses não haviam iniciado o tratamento por desconhecerem o diagnóstico. Objetivo: Avaliar o perfil dos pacientes portadores de micobacterioses do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais. Descrever o seguimento desses pacientes e sua inserção no sistema de saúde, comparando com a proposta do Programa Nacional de Controle da Tuberculose. Método: A partir dos registros do Laboratório Central do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais de janeiro a dezembro de 2002, os autores selecionaram os pacientes com diagnóstico bacteriológico de micobacterioses e efetuaram a busca ativa e o seguimento desses pacientes. Resultados: De um total de 66 pacientes, 62 (94%) tinham cepas do Mycobacterium tuberculosis e quatro (6%), micobactéria não tuberculosa; quatro desses 62 pacientes (6%) foram transferidos para outras instituições. Após a busca ativa, de um total de 58 pacientes, 37 (63%) estavam curados, 11 (19%) faleceram, sendo que destes, sete (64%) eram positivos para o vírus da imunodeficiência humana (HIV), um (2%) recusou tratamento e nove (16%) não foram encontrados. Conclusão: Não foi a falta de diagnóstico o que impossibilitou o paciente de receber seu tratamento e, sim, uma estrutura inadequada, com baixa conscientização de todos os envolvidos, demonstrando a desorganização no controle da tuberculose em nível hospitalar. A cura dos pacientes foi aquém da exigida pelo Ministério da Saúde, devido à grande quantidade de soropositivos para o HIV. Os óbitos foram relacionados ao HIV e ao desconhecimento da doença. É fundamental que os profissionais que atuam em nível laboratorial realizem pesquisas operacionais em tuberculose em conjunto com profissionais da área clínica, pois somente dessa forma serão identificadas respostas aos problemas da prática clínico-laboratorial em nosso meio.

 


Palavras-chave: Tuberculose/diagnóstico. Micobacteriose/complicações.

 

9 - Achados histológicos e sobrevida na fibrose pulmonar idiopática

Histological features and survival in idiopathic pulmonary fibrosis

Ester Nei Aparecida Martins Coletta, Carlos Alberto de Castro Pereira, Rimarcs Gomes Ferreira, Adalberto Sperb Rubin, Lucimara Sonja Villela, Tatiana Malheiros, João Norberto Stávale

J Bras Pneumol.2003;29(6):371-378

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Introdução: A fibrose pulmonar idiopática foi recentemente redefinida como pneumonia intersticial usual de etiologia desconhecida. O valor prognóstico dos achados histológicos deve ser reavaliado. Objetivo: Neste estudo foram correlacionados os achados histológicos e alguns dados clínicos e funcionais (duração dos sintomas, capacidade vital forçada, idade, sexo, hábito de fumar) com a sobrevida. Método: Foram estudados 51 pacientes portadores de fibrose pulmonar idiopática. A média de idade foi de 66 ± 8 anos. Vinte e um pacientes eram do sexo feminino; 26 eram fumantes ou ex-fumantes. Todos apresentavam quadro de pneumonia intersticial usual na histologia. Grau de faveolamento, fibrose estabelecida, descamação, celularidade, espessamento vascular miointimal e focos fibroblásticos foram graduados por método semiquantitativo. Resultados: A mediana do tempo de sintomas foi de 12 meses e a capacidade vital forçada inicial foi de 72 ± 21%. Por análise de risco proporcional de Cox, a sobrevida correlacionou-se, de maneira significativa (p < 0,05) e inversa, com o tempo de história, com a extensão dos focos fibroblásticos e com o espessamento miointimal da parede dos vasos. Focos fibroblásticos esparsos e espessamento miointimal envolvendo menos de 50% dos vasos foram preditivos de maior sobrevida. Sexo, idade, capacidade vital forçada, grau de inflamação e celularidade não se correlacionaram com a sobrevida. Conclusão: A análise semiquantitativa da biópsia pulmonar em portadores de fibrose pulmonar idiopática fornece informações prognósticas relevantes.

 


Palavras-chave: Fibrose pulmonar. Doenças pulmonares intersticiais. Análise de sobrevivência.

 

10 - Efeitos da suplementação oral de L-carnitina associada ao treinamento físico na tolerância ao exercício de pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica

Influence of oral L-carnitine supplementation combined with physical training on exercise tolerance in patients with chronic obstructive pulmonary disease

Audrey Borghi Silva, Valéria Amorim Pires Di Lorenzo, Maurício Jamami, Luciana Maria Malosá Sampaio, Aureluce Demonte, Leonardo Cardello, Dirceu Costa

J Bras Pneumol.2003;29(6):379-385

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ntrodução: Pacientes portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica apresentam redução da tolerância ao exercício físico, principalmente devido à limitação ventilatória. A L-carnitina tem sido utilizada com o objetivo de melhorar a capacidade aeróbia de pacientes com doenças crônicas, porém não existem estudos em pacientes portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica. Objetivo: Avaliar a influência da suplementação de L-carnitina, associada ao treinamento físico por seis semanas, três vezes por semana em pacientes portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica. Método: A amostra foi constituída de 30 pacientes portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica (69 ± 7 anos) com volume expiratório forçado no primeiro segundo < 65% do previsto, dividida em três grupos de 10 pacientes: grupo 1 com treinamento físico e suplementação com 2g/dia de L-carnitina, grupo 2 que recebeu treinamento físico e placebo e grupo 3 que não foi submetido a treinamento físico e recebeu 2g/dia de L-carnitina. Os pacientes foram submetidos a avaliação espirométrica, a teste de caminhada de seis minutos e à mensuração dos níveis plasmáticos de carnitina livre no inicio e no final do estudo. Resultados: Foi constatado aumento significativo (p < 0,05) da distância percorrida no teste de caminhada de seis minutos somente nos pacientes dos dois primeiros grupos (de 421 ± 100 para 508 ± 80,7 e de 496 ± 78,7 para 526 ± 64,3 respectivamente). Além disso, com intensidade de exercício semelhante, a subida da freqüência cardíaca foi menor no grupo 1 quando comparado com o grupo 2. As variáveis espirométricas, a saturação da oxihemoglobina e a dispnéia não se alteraram em nenhum dos grupos estudados. Os valores de L-carnitina livre no plasma aumentaram somente nos pacientes do terceiro grupo (59,2 ± 13,8 para 102,3 ± 15,32mmol/L). Conclusão: A L-carnitina associada ao treinamento físico pode proporcionar maior tolerância ao exercício em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica.

 


Palavras-chave: Pneumopatias obstrutivas. Carnitina/uso terapêutico. Exercício. Espirometria/métodos. Caminhada.

 

11 - Interferência da coloração de esmaltes de unha e do tempo na oximetria de pulso em voluntários sadios

Interference of nail polish colors and time on pulse oximetry in healthy volunteers

Mara Harumi Miyake, Solange Diccini, Ana Rita de Cássia Bettencourt

J Bras Pneumol.2003;29(6):386-390

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Introdução: A oximetria de pulso é um método não invasivo de mensuração da saturação periférica da oxiemoglobina (SpO2). É freqüentemente utilizado em unidades de emergência, de terapia intensiva e em centro cirúrgico. A leitura da oximetria de pulso tem acurácia limitada na presença de metaemoglobina, carboxiemoglobina, anemia, vasoconstrição periférica, esmalte de unha, luz fluorescente e movimentação. Objetivo: Avaliar a interferência da coloração de esmalte de unha e do tempo sobre a SpO2 em indivíduos sadios. Método: Participaram do estudo 61 voluntárias sadias, com idades entre 18 e 32 anos. Foi avaliada SpO2 nas seguintes colorações de esmaltes: base (dedo mínimo), rosa claro (dedo anular), rosa claro com cintilante (dedo médio) e vermelha (polegar). O indicador não recebeu esmalte. Foi analisado o tempo para cada coloração de esmalte, a cada minuto até completar cinco minutos. Resultados: Quando comparadas as medidas da SpO2 com o controle, as colorações base (p = 0,56), rosa claro (p = 0,56) e rosa claro com cintilante (p = 0,37) não apresentaram diferença estatisticamente significante. A SpO2 apresentou variação significante na cor vermelha (p < 0,001), porém manteve-se dentro dos parâmetros de normalidade. Não houve variação significativa da SpO2 ao longo do tempo. Conclusão: Apesar da diferença encontrada com o uso de esmalte vermelho, todas as medidas da SpO2 obtidas encontraram-se dentro do intervalo de normalidade, para indivíduos normais. A análise de cada cor de esmalte de unha em relação ao tempo mostrou que não houve variação na leitura da SpO2 .

 


Palavras-chave: Esmalte de unha. Saturação de oxigênio. Oximetria de pulso.

 

Relato de Caso

12 - Granulomatose broncocêntrica idiopática em jovem não asmática

Idiopathic bronchocentric granulomatosis in a nonasthmatic young woman

José Wellington Alves dos Santos, Carlos Renato Mello, Gustavo Trindade Michel, Claudius Wladimir Cornelius de Figueiredo, Jader Miletho, Alessandro Zordan

J Bras Pneumol.2003;29(6):391-394

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Granulomatose broncocêntrica é um achado histopatológico descritivo, caracterizado pela inflamação granulomatosa necrosante, centrada em brônquios e bronquíolos, e que ocorre associada a doenças infecciosas, imunológicas e neoplásicas, ou de forma idiopática. Este trabalho relata o caso de uma jovem não asmática de 26 anos com dor torácica, febre e tosse produtiva havia um mês, que apresentou consolidação e cavitação em segmento lingular, observadas na radiografia e na tomografia computadorizada de tórax. Punção aspirativa transbrônquica evidenciou lesão inflamatória inespecífica, sem etiologia identificada. O exame histológico de material obtido por biópsia pulmonar a céu aberto foi compatível com granulomatose broncocêntrica idiopática. Após tratamento com prednisona, houve melhora clínica, sem recidivas.

 


Palavras-chave: Granulomatose broncocêntrica. Brônquios. Aspergilose broncopulmonar alérgica. Prednisona/uso terapêutico.

 

13 - Pneumonite intersticial em paciente sob tratamento com leflunomide: toxicidade da droga?

Interstitial pneumonia in a patient undergoing treatment with leflunomide: drug-induced toxicity?

Jonatas Reichert, Adriane Reichert, Luci Iolanda Bendhack, Lucia de Noronha, Dante Escuissato, Acir Rachid Filho

J Bras Pneumol.2003;29(6):395-400

Resumo PDF PT English Text

O leflunomide é uma droga anti-reumática com ação imunomoduladora. Pneumonia intersticial granulomatosa nunca foi descrita com o uso de leflunomide. Relata-se o caso de uma mulher de 33 anos que apresentou dor torácica, emagrecimento e síndrome infecciosa respiratória no quinto mês de monoterapia com leflunomide para artrite reumatóide, progredindo para insuficiência respiratória no sexto mês. A radiografia de tórax revelou infiltrado pulmonar intersticial e alveolar bilateral predominando em lobos superior e médio, micronódulos esparsos e ausência de alterações mediastinais. Suspendeu-se o leflunomide. Após a resolução da infecção persistiram lesões intersticiais retículo-nodulares predominantemente na periferia dos terços superiores do pulmão direito e terço médio do pulmão esquerdo, entremeadas por padrão de vidro fosco em lobos superiores. Biópsia pulmonar a céu aberto revelou granulomas tuberculóides sem necrose central. Foi realizada extensa investigação etiológica, que resultou negativa. Ocorreu resolução espontânea do quadro após quatro meses. O quadro sugere que as manifestações pulmonares neste caso foram causadas pelo leflunomide.

 


Palavras-chave: Doenças pulmonares intersticiais/induzido quimicamente. Pulmão/efeito de drogas.

 

14 - Hemorragia alveolar associada a nefrite lúpica

Alveolar hemorrhage associated with lupus nephritis

Ricardo Henrique de Oliveira Braga Teixeira, Marcel Hiratsuka, Flávia Calderini Rosa, Rogério Souza, Carlos Roberto Ribeiro de Carvalho

J Bras Pneumol.2003;29(6):401-404

Resumo PDF PT English Text

Hemorragia alveolar, como causa de insuficiência respiratória, é pouco freqüente, com diversas etiologias possíveis. Entre elas, o lúpus eritematoso sistêmico, que se apresenta geralmente como síndrome pulmão-rim, possui alta morbimortalidade. Acredita-se que a patogênese da microangiopatia, tanto renal como pulmonar, esteja associada ao depósito de imunocomplexos, que ativariam as vias de apoptose celular. Relatam-se dois casos de pacientes com nefrite lúpica que evoluíram com hemorragia alveolar associada à insuficiência respiratória necessitando de ventilação mecânica com evoluções totalmente distintas frente às terapias farmacológicas. O achado de anticorpos antimembrana basal em um dos casos evidencia a multiplicidade de mecanismos fisiopatológicos possivelmente envolvidos, que poderiam justificar as respostas heterogêneas frente aos tratamentos disponíveis.

 


Palavras-chave: Lúpus eritematoso sistêmico/etiologia. Nefrite lúpica/etiologia. Insuficiência respiratória/complicações.

 

Artigo de Revisão

15 - Inibidores de fosfodiesterases: novas perspectivas de uma antiga terapia na asma?

Phosphodiesterase inhibitors: new perspectives on an old therapy for asthma?

Hisbello Campos, Debora Xisto, Walter A. Zin, Patricia R.M. Rocco

J Bras Pneumol.2003;29(6):405-412

Resumo PDF PT English Text

A asma é uma doença inflamatória crônica com níveis variados de obstrução ao fluxo aéreo e diferentes formas de apresentação. Seu tratamento vem sendo modificado com a evolução do conhecimento sobre sua patogenia. A inflamação das vias aéreas, que é modulada por determinantes genéticos e ambientais, resulta na alteração definitiva da arquitetura da via aérea (remodelamento). O padrão inflamatório da asma é de natureza multicelular, envolvendo mastócitos, neutrófilos, eosinófilos, linfócitos T, células musculares e epiteliais. Diversas citocinas e quimiocinas contribuem para a orquestração do processo inflamatório. O reconhecimento do papel crítico da inflamação, que está associada à gravidade da doença, vem direcionando o eixo do tratamento para a prevenção ou para o bloqueio das alterações inflamatórias. Nesse sentido, além dos agentes b2-adrenérgicos, da teofilina e dos corticosteróides, novos fármacos vêm sendo estudados. Dentre eles, os inibidores específicos de fosfodiesterases vêm apresentando resultados promissores. A partir dos resultados obtidos com a segunda geração dessas substâncias, pode-se imaginar que, em breve, elas representarão uma nova opção para o tratamento da asma.

 


Palavras-chave: Inibidores de fosfodiesterase/uso terapêutico. Mediadores da inflamação. Asma/patologia.

 

16 - Abordagem diagnóstica da tosse crônica em pacientes não-tabagistas

Chronic cough in non-smokers: diagnostic approach

Márcia Jacomelli, Rogério Souza, Wilson Leite Pedreira Júnior

J Bras Pneumol.2003;29(6):413-420

Resumo PDF PT English Text

A tosse, como mecanismo fisiológico, tem fundamental importância na remoção das secreções respiratórias, constituindo, assim, um dos mecanismos de defesa pulmonar. No entanto, os quadros de tosse crônica constituem uma das principais causas de procura por assistência médica no mundo, o que ressalta o significado da correta identificação e tratamento dos fatores desencadeantes e/ou perpetuadores. Dentre os vários fatores relacionados aos quadros de tosse crônica, alguns assumem papel de relevada importância, tais como o refluxo gastroesofágico, a rinorréia posterior ou a asma, já que, isolada ou conjuntamente, constituem cerca de 95% das causas. O passo fundamental para o sucesso terapêutico nos quadros de tosse crônica é uma abordagem diagnóstica racional, que investigue a tosse crônica de maneira progressiva, permitindo, assim, a instituição do tratamento de forma mais custo-efetiva. Para isso, a proposta de um algoritmo a ser seguido serve como base para essa investigação inicial.

 


Palavras-chave: Tosse crônica. Algoritmo diagnóstico. Asma. Gotejamento posterior. Refluxo gastroesofágico.

 

 


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