Jornal Brasileiro de Pneumologia

ISSN (on-line): 1806-3756

ISSN (impressa): 1806-3713

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Ano 2007 - Volume 33  - Número 1  (Janeiro/Fevereiro)






Editorial

1 - Em busca da qualidade total

In search of total quality

José Antônio Baddini Martinez

J Bras Pneumol.2007;33(1):i-iii

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Artigo Original

4 - Asma e doença pulmonar obstrutiva crônica: uma comparação entre variáveis de ansiedade e depressão

Comparing asthma and chronic obstructive pulmonary disease in terms of symptoms of anxiety and depression

Neide Suzane Carvalho, Priscila Robles Ribeiro, Marcos Ribeiro, Maria do Patrocínio Tenório Nunes, Alberto Cukier, Rafael Stelmach

J Bras Pneumol.2007;33(1):1-6

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Objetivo: Avaliar a presença e gravidade de sintomas de ansiedade e depressão entre os portadores de asma e de doença pulmonar obstrutiva crônica. Métodos: Foram usados instrumentos específicos de quantificação de sintomas de ansiedade e depressão, Inventário de Ansiedade Traço-Estado e Beck Depression Inventory, respectivamente, respondidos por pacientes de um ambulatório de asma e doença pulmonar obstrutiva crônica. A população constituiu-se de 189 pacientes pertencentes a três grupos de estudo com objetivos terapêuticos diferentes: 40 asmáticos controlados, 100 asmáticos não controlados e 49 portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica, selecionados aleatória e prospectivamente. Entre as variáveis desses estudos constavam sintomas de ansiedade e depressão como parte da metodologia. Os dados obtidos foram comparados levando-se em consideração aspectos demográficos, funcionais e a gravidade dos sintomas de ansiedade e depressão. Resultados: Entre os pacientes asmáticos foi significativamente maior a prevalência de ansiedade moderada e grave quando comparados com aqueles portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica (p < 0,001). Em relação à depressão, o grupo de asma não controlada apresentou resultados significativamente maiores quando comparado ao grupo de asma controlada (p < 0,05). Conclusão: Entre os pacientes asmáticos a freqüência de sintomas de ansiedade e depressão é maior do que em portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica, o que pode dificultar o controle clínico.

 


Palavras-chave: Ansiedade; Depressão; Asma; Doença pulmonar; Obstrutiva crônica.

 

5 - Comparação entre o tratamento farmacológico aplicado em crianças de zero a cinco anos atendidas em uma unidade de emergência e as diretrizes do III Consenso Brasileiro no Manejo da Asma

Comparison between the drug treatment used in children up to five years of age treated in an emergency room and the guidelines established in the III Brazilian Consensus on Asthma Management

Ana Paula Ochoa Santos, Luciane Soares de Lima, Almir Gonçalves Wanderley

J Bras Pneumol.2007;33(1):7-14

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Objetivo: Avaliar o manejo da crise asmática em crianças de zero a cinco anos atendidas em uma unidade de emergência pediátrica da região metropolitana do Recife (PE) e verificar se a condução da crise asmática pode interferir no tempo de permanência da criança no serviço de emergência. Métodos: Estudo de natureza descritiva exploratória, abordagem quantitativa e corte transversal. Envolveu 246 crianças em crise asmática de uma unidade de emergência, tendo sido avaliada a conduta utilizada, a conduta preconizada pelo III Consenso Brasileiro no Manejo da Asma e o tempo de permanência da criança na emergência. Resultados: Os fármacos foram utilizados de acordo com o preconizado em 69 atendimentos (28,1%). As doses dos fármacos foram concordantes com as preconizadas em 34 atendimentos (13,8%) e os procedimentos de nebulização em 33 (13,4%). Não houve associação entre as condutas utilizadas e o tempo de permanência no serviço. Após aplicação do modelo de regressão, observou-se que crianças com asma de classificação persistente leve e intermitente tiveram um risco ajustado, respectivamente, de quatro e quinze vezes maior de permanecerem no serviço de emergência por tempo insuficiente para avaliação da resposta ao tratamento da crise, conforme o preconizado pelo consenso. Conclusão: Apesar de o manejo preconizado pelo consenso encontrar barreiras de aplicação como pouca familiaridade da equipe multidisciplinar com as diretrizes e ausência de recursos materiais e terapêuticos preconizados, a repercussão no tempo de permanência esteve relacionada a fatores classificatórios da doença.

 


Palavras-chave: Medicina de emergência; Pediatria; Asma; Crise asmática

 

6 - Impacto de um programa para o controle da asma grave na utilização de recursos do Sistema Único de Saúde

Impact that a program to control severe asthma has on the use of Unified Health System resources in Brazil

Eduardo Ponte, Rosana Abreu Franco, Adelmir Souza-Machado, Carolina Souza-Machado, Álvaro Augusto Cruz

J Bras Pneumol.2007;33(1):15-19

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Objetivo: Quantificar a redução da utilização de recursos da saúde entre pacientes admitidos no Programa para o Controle da Asma e Rinite Alérgica na Bahia. Métodos: Até o mês de janeiro de 2006 havia 1.405 pacientes inscritos no programa, em quatro centros de referência em Salvador (BA). Foram incluídos, na análise preliminar, 269 pacientes consecutivos com diagnóstico de asma grave e idade superior a doze anos. Os pacientes tinham assistência de pneumologistas, enfermeiros, farmacêuticos e psicólogos e recebiam medicações inalatórias para asma. Neste estudo observacional de coorte prospectivo, foram comparados os números de internações, de atendimentos em emer- gência, de ciclos de corticóide sistêmico e de dias de ausência da escola ou do trabalho por crise de asma, no ano anterior à admissão no programa, com base no relato dos pacientes, com o registro da ocorrência destes eventos no primeiro ano de acompanhamento no programa. Resultados: Nesta amostra de pacientes com asma grave o programa resultou em redução significativa dos atendimentos de emergência (de 85%) e redução do número de internações hospitalares (de 90%). Houve também uma redução no número de dias de ausência da escola ou trabalho (de 86%) e no número de ciclos de corticóide sistêmico (de 67%). Conclusão: Um programa para o controle da asma grave em ambulatório de referência, incluindo assistência farmacêutica gratuita, permite acentuada redução no consumo de recursos do Sistema Único de Saúde.

 


Palavras-chave: Asma/terapia; Asma/prevenção  controle; Hospitalização; Sistema Único de Saude

 

7 - Prevalência dos atendimentos por crises de asma nos serviços públicos do Município de Juiz de Fora (MG)

Prevalence of asthma attacks treated in public health facilities in the city of Juiz de Fora, Brazil

Oscarina da Silva Ezequiel, Gilberto Salles Gazeta, Nicolau Maués da Serra Freire

J Bras Pneumol.2007;33(1):20-27

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Objetivo: Avaliar a prevalência dos atendimentos por crises de asma nos serviços públicos de Juiz de Fora (MG), no período de 01/02/2002 a 31/01/2003. Métodos: Realizou-se estudo seccional, mensalmente, valiando-se os atendimentos por crises de asma. As variáveis analisadas foram sexo, idade, local de residência dos pacientes, diferenças no perfil os atendimentos segundo a faixa etária e o local de atendimento, além da correlação das crises asmáticas com temperatura e umidade relativa do ar. Resultados: Foram atendidos 25.243 pacientes com crises asmáticas, representando 11,1% do total de consultas da clínica pediátrica e 2,7% do total de consultas da clínica médica. A média de idade dos pacientes foi de 11,6 anos e a mediana de quatro anos. Eram do sexo masculino 52,9% dos pacientes. A análise da distribuição anual evidenciou um aumento do número de atendimentos por crises asmáticas nos meses e maio (11,5%), junho (10,8%) e julho (10,9%), com correlação inversa e forte para temperatura (-0,86) e inversa e fraca para umidade relativa (-0,27). Houve diferença estatisticamente significativa entre as médias de idade e sexo, quando se compararam os serviços de urgência e as unidades básicas de saúde. A avaliação segundo a faixa etária demonstrou predomínio do sexo masculino nos pacientes menores de doze anos e do feminino nos maiores ou com doze anos. Conclusão: observou-se a importância da asma como problema de saúde pública no município, o qual necessita de estratégias locais urgentes que permitam aumentar os investimentos em tratamentos profiláticos.

 


Palavras-chave: Asma/epidemiologia; Prevalência; Hospitais públicos; Brasil

 

8 - Prevalência de dispnéia e possíveis mecanismos fisiopatológicos envolvidos em indivíduos com obesidade graus 2 e 3

Prevalence of and the potential physiopathological mechanisms involved in dyspnea in individuals with class II or III obesity

Christiane Aires Teixeira, José Ernesto dos Santos, Gerusa Alves Silva, Elisa Sebba Tosta de Souza, José Antônio Baddini Martinez

J Bras Pneumol.2007;33(1):28-35

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Objetivo: Investigar a dispnéia e correlações com dados respiratórios de obesos graus 2 e 3. Métodos: Estudaram-se 49 indivíduos com índice de massa corporal >35 kg/m2, em dois grupos (presença ou ausência do sintoma). Avaliaram-se índice de dispnéia basal, espirometria, pressões respiratórias máximas e gasometria arterial. Resultados: Doze indivíduos negaram dispnéia e 37 a confirmaram. O índice de dispnéia basal diferiu entre os dois grupos. Os valores médios dos parâmetros para todos estiveram dentro da normalidade, exceto para: volume residual/capacidade pulmonar total, volume de reserva expiratório, diferença alvéolo-arterial de oxigênio. O grupo dispnéico mostrou valores significativamente inferiores de volume de reserva expiratório, pressão expiratória máxima e pH arterial. Para todos, o índice de massa corporal correlacionou-se significativamente com: índice de dispnéia basal, volume residual/capacidade pulmonar total, volume expiratório forçado no primeiro segundo/capacidade vital forçada, fluxo expiratório forçado entre 25% e 75% da capacidade vital forçada, pressão parcial de oxigênio no sangue arterial, diferença alvéolo-arterial de oxigênio e pressão parcial de gás carbônico no sangue arterial. O índice de dispnéia basal correlacionou-se significativamente com: volume residual/capacidade pulmonar total, volume de reserva expiratório, pressão parcial de oxigênio no sangue arterial, diferença alvéolo-arterial de oxigênio e pressão parcial de gás carbônico no sangue arterial. Conclusão: Dispnéia é uma queixa freqüente em obesos graus 2 e 3. Eles apresentam expressiva redução do volume de reserva expiratório e aumento da diferença alvéolo-arterial de oxigênio. As correlações encontradas apontam para comprometimento das pequenas vias aéreas na obesidade, o qual teria papel na gênese da dispnéia.

 


Palavras-chave: Obesidade/complicação; Dispnéia/epidemiologia; Dispnéia/fisiopatologia; Testes de função respiratória

 

9 - A espirometria na avaliação pré e pós-transplante de medula óssea

Pre-operative and post-operative spirometry in bone marrow transplant patients

Eliane Viana Mancuzo, Walace Espada da Silva, Nilton Alves de Rezende

J Bras Pneumol.2007;33(1):36-42

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Objetivo: Analisar os resultados da espirometria de pacientes submetidos a transplante de medula óssea e verificar sua importância na detecção de complicações pulmonares e sua correlação com a evolução dos pacientes. Métodos: Foram analisados retrospectivamente os resultados da espirometria em 120 pacientes, maiores de doze anos, de ambos os sexos, e comparados com o tipo de transplante de medula óssea, doença de base, sorologia para citomegalovírus, fonte de células para o transplante, tabagismo, infecção pulmonar, doença pulmonar prévia, duração da doença hematológica, quimioterapia utilizada, regime de condicionamento, doença do enxerto contra o hospedeiro aguda e crônica e óbito. Resultados: Dezesseis pacientes apresentaram alterações da espirometria antes do transplante, sendo 5% com obstrução pura, 5,8% com restrição pura e 2,5% com obstrução com redução da capacidade vital. Após o transplante 29 pacientes apresentaram alterações desses exames. A chance de alteração da espirometria foi maior nos pacientes com doença do enxerto contra o hospedeiro aguda (p = 0,02), idade menor que 30 anos (p = 0,02), sexo feminino (p = 0,02) e naqueles que receberam células tronco (p = 0,01). As presenças de doença pulmonar prévia e doença do enxerto contra o hospedeiro crônica associaram-se com aumento da mortalidade. Alterações prévias da espirometria não estiveram relacionadas com o óbito pós-transplante. Conclusão: As alterações detectadas na espirometria não foram capazes de predizer a ocorrência de complicações pulmonares e óbito pós-transplantes. Também não foram determinantes para a não realização do procedimento. A espirometria simples realizada na avaliação desses pacientes parece ter pouca importância prática.

 


Palavras-chave: Espirometria; Transplante de medula óssea; Período pré-operatorio

 

10 - Comparação entre a azitromicina e a amoxicilina no tratamento da exacerbação infecciosa da doença pulmonar obstrutiva crônica

Comparison between azithromycin and amoxicillin in the treatment of infectious exacerbation of chronic obstructive pulmonary disease

Mara Rúbia Andre-Alves, José Roberto Jardim, Rodney Frare e Silva, Elie Fiss, Denison Noronha Freire, Paulo José Zimermann Teixeira

J Bras Pneumol.2007;33(1):43-50

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Objetivo: Comparar a eficácia, segurança e tolerabilidade da azitromicina e da amoxicilina no tratamento de pacientes com quadro clínico de exacerbação infecciosa da doença pulmonar obstrutiva crônica. Métodos: Seis centros brasileiros incluíram 109 pacientes com idades entre 33 e 82 anos. Desses pacientes, 102 foram randomizados para receber azitromicina (500 mg por dia por três dias, n = 49) ou amoxicilina (500 mg a cada oito horas por dez dias, n = 53). Os pacientes foram avaliados no início do estudo, após dez dias e depois de um mês. A avaliação clínica, de acordo com os sinais e sintomas presentes após dez dias e após um mês, consistiu na classificação dos casos nas categorias cura, melhora ou falha terapêutica. A avaliação microbiológica foi feita pela cultura de amostras de escarro consideradas adequadas após contagem de leucócitos e coloração de Gram. Avaliações secundárias de eficácia foram feitas com relação aos sintomas (tosse, dispnéia e expectoração) e à função pulmonar. Resultados: Não houve diferenças entre as proporções de casos classificados como cura ou melhora entre os grupos tratados com a azitromicina ou a amoxicilina. Essas proporções foram, respectivamente, de 85% vs. 78% (p = 0,368) após dez dias, e de 83% vs. 78% (p = 0,571) após um mês. Também não foram encontradas diferenças significativas entre os dois grupos quando comparadas as variáveis secundárias de eficácia e a incidência de eventos adversos. Conclusão: A azitromicina tem eficácia e tolerabilidade semelhantes às da amoxicilina para o tratamento da exacerbação aguda da Doença pulmonar obstrutiva crônica.

 


Palavras-chave: Amoxicilina/uso terapeutico; Azitromicina/uso terapêutico; Bronquite crônica/quimioterapia;

 

11 - Eventos adversos após vacinação contra o pneumococo

Adverse events after pneumococcal vaccination

Maria Rita Donalisio, Somnia Marlene Cadogan Piraggini Rodrigues, Elisa Teixeira Mendes, Mariana Krutman

J Bras Pneumol.2007;33(1):51-56

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Objetivo: Estudar a ocorrência de eventos adversos após aplicação da vacina polissacarídea capsular contra 23 sorotipos do pneumococo em indivíduos com indicação clínica, em Sumaré (SP) (630.000 habitantes). Métodos: Foram investigados prospectivamente 152 indivíduos após vacinação (0,5 mL intramuscular Pneumo23® Aventis Pasteur, Espanha) em um hospital geral. A variável de estudo foi a queixa de pelo menos um sintoma com nexo temporal com a vacina, isto é, nas primeiras 48 h após a aplicação. Os indivíduos foram investigados de cinco a sete dias após a vacinação. As co-variáveis idade, sexo e indicação clínica foram testadas pelo método Qui-quadrado e pelo modelo logístico múltiplo, considerando-se o nível de significância de 5%. Resultados: A idade da população variou de cinco a 86 anos (média de 61,8 anos). A quase totalidade dos indivíduos recebeu a primeira dose na ocasião (99%). Notificou-se a ocorrência de eventos locais em 36 indivíduos (23,7%), entre os quais 68% foram leves, sem repercussão nas atividades diárias. A dor no local da aplicação foi o sintoma mais freqüentemente relatado, por 97,2% dos indivíduos. Eritema e edema local estiveram presentes em 6,3% e 5,1%  dos casos, respectivamente. Foram referidos sintomas gerais por 12,8% dos investigados (mal-estar, febre, sonolência, dor no corpo). Nenhuma co-variável relacionou-se estatisticamente com os eventos adversos na análise bivariada (p > 0,20), sendo que a análise múltipla mostrou os mesmos resultados. Conclusão: A vacina pneumocócica 23-valente é pouco reatogênica na primeira dose, e é ainda pouco indicada na região, mesmo em pacientes de indicação clínica.

 


Palavras-chave: Streptococcus pneumoniae; Pneumonia pneumocócica/prevenção & controle; Vacinas pneumocócicas/efeitos adversos

 

12 - O muco traqueobrônquico humano mantido em temperatura ambiente e suas propriedades físico-químicas

Physicochemical properties of human tracheobronchial sputum maintained at room temperature

Renata Claudia Zanchet, Gilvânia Feijó, Ada Clarice Gastaldi, José Roberto Jardim

J Bras Pneumol.2007;33(1):57-61

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Objetivo: Verificar a influência da permanência em temperatura ambiente na análise da transportabilidade por ação ciliar e por tosse e do ângulo de contato do muco traqueobrônquico. Métodos: Foi coletado muco hialino de 30 indivíduos sem doença pulmonar, e purulento de vinte pacientes com bronquiectasia. As amostras foram analisadas logo após a coleta e novamente após 24 h. Resultados: Para o muco purulento, após 24 h em temperatura ambiente, houve aumento no deslocamento por tosse (96 ± 50 vs. 118 ± 61 mm) e diminuição do ângulo de contato (32 ± 6 vs. 27 ± 6 graus) (p < 0,05). Para o muco hialino não houve alterações nas medidas analisadas. Conclusão: O muco traqueobrônquico hialino pode ser armazenado em temperatura ambiente por 24 h sem que haja alterações em sua transportabilidade por ação ciliar ou em seu ângulo de contato. Por outro lado, o muco purulento não deve permanecer em temperatura ambiente por muitas h para que não se altere seu ângulo de contato e sua transportabilidade por tosse.

 


Palavras-chave: Temperatura ambiente; Muco; Tosse; Depuração mucociliar

 

13 - O efeito da adenotonsilectomia na saturação de oxigênio em crianças com distúrbios respiratórios do sono

The effect of adenotonsillectomy on oxygen saturation in children with sleep disordered breathing

Jaime Luís Freitas Arrarte, José Faibes Lubianca Neto, Gilberto Bueno Fischer

J Bras Pneumol.2007;33(1):62-68

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Objetivo: Realizar uma avaliação do efeito da adenotonsilectomia na saturação de oxigênio medida por oximetria de pulso noturna em crianças com distúrbios respiratórios do sono. Métodos: Foi realizado um estudo tipo antes e após a intervenção cirúrgica, utilizando a oximetria de pulso noturna como método de avaliação. Foram avaliadas 31 crianças com suspeita de distúrbios respiratórios do sono e indicação clínica de adenotonsilectomia. Resultados: Vinte e sete crianças completaram o estudo. A idade média foi de 5,2 ± 1,8 anos. Dezoito eram do sexo masculino (66,7%). Vinte e três (85,2%) crianças apresentavam, no exame físico, hiperplasia das tonsilas palatinas graus 3 e 4. Houve melhora significativa no índice de dessaturação de oxigênio (IDO) pós-operatório quando comparado com o pré-operatório (p <  0,001). Conclusão: A adenotonsilectomia melhorou significativamente a saturação de oxigênio, medida pela oximetria de pulso noturna em crianças com distúrbios respiratórios do sono.

 


Palavras-chave: Apnéia do sono tipo obstrutiva; Tonsilectomia; Oximetria; Crianças

 

14 - Avaliação da participação de pequeno número de estudantes universitários em um programa de tratamento do tabagismo

Evaluation of the limited participation by university students in a smoking cessation program

Wilson Paloschi Spiandorello, Liliana Zugno Filippini, Angélica Dal Pizzol, Fernanda Kreische, Diogo Sandri Soligo, Tiago Spiandorello, Raquel Boff, Mauricio Michele

J Bras Pneumol.2007;33(1):69-75

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Objetivo: Avaliar a participação de pequeno número de estudantes da Universidade de Caxias do Sul em um programa de tratamento do tabagismo. Métodos: Delineamento transversal e comparativo entre alunos que se inscreveram em um programa de tratamento do tabagismo e alunos que não se inscreveram. Resultados: De 108 alunos não inscritos, 102 não mostraram intenção de parar de fumar (94,4%, intervalo de confiança de 95% de 88,29% a 97,93%). As comparações entre inscritos e não inscritos mostraram diferenças estatísticas, respectivamente: nas idades 35 e 23 anos, p < 0,01; tempo de tabagismo em anos, 19,42 e 7,36, p < 0,01; considerarem-se viciados, 100% e 58,5%, p = 0,047; acreditarem que podem parar de fumar quando querem, 7,1% e 22,6%, p = 0,02; desconhecerem os motivos de fumar, 37,5% e 12%, p = 0,03; sofrerem discriminações, 42,9% e 9,3%, p < 0,01. Conclusão: Identificou-se, nos estudantes universitários, uma fase refratária ao abandono do vício, classificada como pré-contemplativa e contemplativa. Os alunos conheciam as doenças provocadas pelo cigarro, contudo 41,5% deles não reconheciam ser viciados. O conceito de dependência de drogas não se aplica a esses estudantes. Parece mais adequado considerar dependência à nicotina a partir do consumo de 100 cigarros ao longo da vida. Outros fatos que passam despercebidos a esses alunos são que eles estão vivendo a primeira fase da história natural do tabagismo e que estão apostando em não ter doenças futuras.

 


Palavras-chave: Tabagismo; Estudantes; Campanhas para o controle de tabagismo

 

15 - Características do tabagismo na categoria médica do Distrito Federal

Characteristics of smoking among physicians in the Federal District of Brazil

Carlos Alberto de Assis Viegas, Ana Paula Alves de Andrade, Rosangela da Silva Silvestre

J Bras Pneumol.2007;33(1):76-80

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Objetivo: Conhecer as características do tabagismo na categoria médica do Distrito Federal. Métodos: Foi enviado pelo correio um questionário sobre tabagismo, adaptado da Organização Mundial de Saúde, a todos os médicos inscritos no Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal. De um total de 7.023 questionários enviados, 830 foram respondidos adequadamente (12% da população alvo). Resultados: A prevalência do tabagismo entre os médicos participantes do estudo foi de 7,2%, sendo 5,9% de fumantes regulares e 1,3% de fumantes ocasionais, com 70,1% de não fumantes e 22,7% de ex-fumantes. Em relação ao tabagismo de acordo com o gênero, cerca de 8,5% dos médicos eram fumantes contra 5,3% das médicas (p > 0,05). No que se refere à iniciação do tabagismo, 80% dos médicos fumantes iniciaram o hábito antes dos vinte anos de idade, 13% entre 21 e 30 anos e 7% acima de 31 anos de idade. A prevalência de fumantes de acordo com o agrupamento por especialidades foi: cirúrgicas e Anestesia com 10,3% cada, clínicas (9,1%), Ginecologia (2,9%) e Pediatria (2,4%). Cerca de 75% dos fumantes já haviam sido aconselhados por médico a parar de fumar e apenas 34,9% tentaram parar de fumar no último ano. Admitiam que o cigarro faz mal à saúde 57,1% dos médicos, e 26,3% referiram fumar em hospitais e/ou consultórios. Conclusão: É necessário que medidas para controle do tabagismo sejam intensificadas e direcionadas aos médicos do Distrito Federal, mesmo que a prevalência de tabagismo esteja em declínio entre esses profissionais.

 


Palavras-chave: Tabagismo; Médicos; Campanhas para o controle do tabagismo

 

Artigo de Revisão

16 - Insuficiência respiratória crônica nas doenças neuromusculares: diagnóstico e tratamento

Chronic respiratory failure in patients with neuromuscular diseases: diagnosis and treatment

Ilma Aparecida Paschoal, Wander de Oliveira Villalba, Mônica Corso Pereira

J Bras Pneumol.2007;33(1):81-92

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As doenças neuromusculares prejudicam a renovação do ar alveolar e, por esta razão, produzem insuficiência respiratória crônica. A instalação da insuficiência respiratória pode acontecer de modo agudo, como nos traumas, ou ser lenta ou rapidamente progressiva, como na esclerose lateral amiotrófica, distrofias musculares, doença da placa mioneural, etc. O comprometimento da musculatura respiratória prejudica também a eficiência da tosse e, no estado atual da terapêutica disponível no Brasil para estes doentes, pode-se dizer que a morbimortalidade nestes indivíduos está mais associada ao fato de que eles tossem mal do que de que ventilam mal. Nesta revisão, uma breve compilação histórica procura mostrar a evolução das órteses e próteses respiratórias, desde o final do século XIX até agora, com o objetivo de apresentar as opções de máquinas disponíveis para o suporte e substituição da ventilação nas doenças neuromusculares. Além disso, são enfatizados os elementos fundamentais para o diagnóstico da hipoventilação alveolar e da falência do mecanismo protetor da tosse: história clínica, determinação do pico de fluxo da tosse, medida da pressão expiratória máxima e da pressão inspiratória máxima, espirometria em dois decúbitos (sentado e supino), oximetria de pulso, capnografia e polissonografia. São apresentados os valores limites disponíveis na literatura tanto para a indicação do suporte noturno da ventilação como para a extensão do suporte para o período diurno. As manobras para incremento da eficiência da tosse são aqui também discutidas, assim como o momento adequado para sua introdução.

 


Palavras-chave: Insuficiência respiratória/diagnóstico; Insuficiência respiratória/terapia; Doença crônica;

 

17 - Síndrome da apnéia-hipopnéia obstrutiva do sono. Fisiopatologia

Physiopathology of obstructive sleep apnea-hypopnea syndrome

Andrea Barral Martins, Sérgio Tufik, Sonia Maria Guimaraes Pereira Togeiro Moura

J Bras Pneumol.2007;33(1):93-100

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A fisiopatogenia da apnéia obstrutiva do sono é multifatorial. O sexo, a obesidade, os fatores genéticos, anatômicos e hormonais e o controle da ventilação interagem diversamente na fisiopatogenia e expressão clínica da doença. A obesidade é o principal fator de risco, sendo a elevação do índice de massa corpórea, da gordura visceral e da circunferência do pescoço, fortes preditores de sua ocorrência. A progesterona, por aumentar a atividade dos músculos dilatadores das vias aéreas superiores, tem papel protetor nas mulheres antes da menopausa, justificando a maior prevalência da doença na pós-menopausa, no sexo masculino e na síndrome dos ovários policísticos. Evidências apontam para o fato de que o aumento da idade promove diminuição do tônus muscular, com redução da luz das vias aéreas superiores. O dismorfismo crânio-facial, como na retrognatia ou micrognatia, está associado ao posicionamento posterior da língua, e pode resultar em estreitamento da luz das vias aéreas superiores. Finalmente, comando ventilatório reduzido tem sido detectado em pacientes com síndrome de apnéia obstrutiva do sono e hipercapnia.

 


Palavras-chave: Apnéia do sono tipo obstrutiva/fisiopatologia; Índice de massa corporal; Obesidade

 

Relato de Caso

18 - Estenose idiopática de traquéia. Relato de quatro casos

Idiopathic tracheal stenosis. A report of four cases

Carolina Rossi, Fernanda Colombari, Alda Losi Guembarowsky, Olavo Franco Ferreira Filho, João Carlos Thomson

J Bras Pneumol.2007;33(1):101-104

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A estenose idiopática de traquéia é incomum. Relatam-se quatro casos com quadro clínico semelhante: história de tratamento de broncoespasmo sem resultado e diagnóstico por broncoscopia. O tratamento em três pacientes foi dilatação e corticóide sistêmico; em um realizou-se traqueoplastia. No quarto, a estenose era mais extensa (2 cm) com redução da luz de 70%, sem possibilidade de dilatação. Realizou-se ressecção laringo-traqueal. Todos apresentaram boa evolução. A estenose idiopática de traquéia deve ser cogitada em casos de "bronquite" mal resolvida com tratamentos convencionais. A broncoscopia e a dilatação têm apresentado bons resultados. Eventualmente, torna-se necessária ressecção laringo-traqueal.

 


Palavras-chave: Traquéia/cirurgia; Constrição patologica; Relatos de casos [tipo de publicação]

 

19 - Fístula esôfago-traqueal após ingestão cáustica

Tracheoesophageal fistula after caustic ingestion

Eduardo Crema, Marcelo Cunha Fatureto, Marcel Noronha Gonzaga, Ricardo Pastore, Alex Augusto da Silva

J Bras Pneumol.2007;33(1):105-108

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As fístulas esôfago-traqueais são incomuns e apresentam diversas etiologias, entre elas, a queimadura química esofágica devida à ingestão cáustica. Relatamos o caso de um paciente de 27 anos com história de ingestão cáustica havia catorze dias, com dor retroesternal em queimação, fraqueza, tosse com escarro purulento e dispnéia associada à rouquidão no último dia. A endoscopia digestiva alta e a broncofibroscopia revelaram fístula esôfago-traqueal. O tratamento consistiu no suporte clínico, drenagem torácica bilateral, exclusão do transito esofágico com esofagostomia cervical terminal e gastrostomia. Houve cicatrização espontânea da fístula esôfago traqueal em seis semanas. Posteriormente, realizou-se a reconstrução do trânsito alimentar através de faringocoloplastia. A evolução pós-operatória foi satisfatória.

 


Palavras-chave: Fístula traqueoesofágica/etiologia; Fístula traqueoesofágica/cirurgia;Perfuração esofágica/induzido quimicamente; Cólon/cirurgia.

 

20 - Telangiectasia hemorrágica hereditária: uma causa rara de anemia grave

Hereditary hemorrhagic telangiectasia: a rare cause of severe anemia

José Wellington Alves dos Santos, Tiago Chagas Dalcin, Kelly Ribeiro Neves, Keli Cristina Mann, Gustavo Luis Nunes Pretto, Alessandra Naimaier Bertolazi

J Bras Pneumol.2007;33(1):109-112

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Telangiectasia hemorrágica hereditária é uma doença autossômica dominante na qual comunicações arteriovenosas afetam comumente pele, superfícies mucosas, pulmões, cérebro e trato gastrointestinal. As manifestações comuns desta doença são epistaxe, sangramento gastrointestinal, e malformações arteriovenosas cerebrais e pulmonares. Apesar de a epistaxe e o sangramento gastrointestinal poderem causar anemia, telangiectasia hemorrágica hereditária raramente é diagnosticada com anemia grave. Neste artigo é relatado o caso de um homem de 49 anos de idade com telangiectasia hemorrágica hereditária não diagnosticada e anemia grave.

 


Palavras-chave: Telangiectasia hemorrágica hereditária; Anemia ferropriva; Relatos de casos [tipo de publicação].

 

21 - Teratoma do mediastino simulando derrame pleural no estudo radiológico do tórax

Mediastinal teratoma mimicking pleural effusion on chest X-rays

Miguel Angelo Martins de Castro Júnior, Nelson Perelman Rosemberg, Miguel Angelo Martins de Castro, Angela Potter de Castro, Cacio Wietzycoscki, Cleiton Mespaque

J Bras Pneumol.2007;33(1):113-115

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Teratomas mediastinais representam 8 a 13% dos tumores nesta região. Uma paciente de 27 anos apresentou-se com dor torácica e dispnéia de evolução arrastada. O radiograma de tórax revelou opacidade quase total do hemitórax direito, levando à suspeita de derrame pleural. A tomografia de tórax evidenciou coleção pleural heterogênea, de contornos regulares (10,1 x 11,7 cm), nos dois terços inferiores do hemitórax direito, sem envolvimento de estruturas adjacentes. Na toracotomia exploradora, pela hipótese de teratoma cístico benigno do mediastino, realizou-se ressecção total da lesão, com boa evolução pós-operatória. A apresentação atípica e grande crescimento do tumor dificultaram o diagnóstico pré-operatório.

 


Palavras-chave: Teratoma; Neoplasias do mediastino; Derrame pleural; Radiografia toracica

 

 


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